APRESENTAÇÃO
A
civilização egípcia é entre todas as demais civilizações a mais misteriosa e
enigmática. É realmente intrigante o fato de essa civilização ter nascido
pronta, ou seja, não se tem notícia de seus primórdios, nem foram encontrados vestígios
anteriores ao esplendor de sua arte, arquitetura e sofisticação de
conhecimentos astronômicos, matemáticos, médicos, etc. A história oficial
interpretou e interpreta a mitologia e as crenças expressas nos escritos dos
papiros superficialmente. O valor intrínseco do pensamento filosófico e da
organização religiosa e mitológica foi relegado a segundo plano, tendo escolhido
como prioridade a pesquisa filológica, a história linear e a arqueologia.
Porém, estamos vivendo a era da síntese, o que implica uma abordagem integral e
integrada da história assim como das demais disciplinas que constituem o
conhecimento humano.
Os símbolos, mitos e deuses egípcios possuem um
significado profundo que ao serem descobertos abrem novos prismas de visão e
compreensão da grandeza dessa civilização mágica. Os hieróglifos e as cenas
esculpidas nas paredes das tumbas egípcias demonstram que esse povo tinha uma
correlação profunda com a metafísica. Mesmo em suas atividades rotineiras
pode-se notar a presença do sagrado. O povo
egípcio desenvolveu todo o seu conhecimento embasado no sagrado. A consciência
cósmica estava sempre presente e era a raiz que nutria o governo, a organização
social e inspirava suas práticas diárias. Os deuses são arquétipos que revelam
a multiplicidade dos poderes e atributos de um deus impessoal, onisciente, nascido de Si mesmo, e são a maneira de
conhecê-Lo e senti-Lo intimamente. Convido vocês para juntos desfrutarmos dos
ensinamentos dessa fonte de sabedoria.
COSMOLOGIA EGÍPCIA
A cosmologia egípcia tem como base o conhecimento
científico, filosófico e metafísico dos sacerdotes, conhecimento este que foi
transmitido através de narrativas e epopéias nas quais a saga dos deuses indica
os conceitos, valores e princípios que nortearam essa civilização extraordinária
onde se enraíza a cultura ocidental.
De acordo com a cosmologia do antigo Egito o
universo é cheio de vida e nele infinitas possibilidades pulsam em estado
latente. Vale chamar a atenção para a semelhança com a física quântica. Eles se
referem a uma Consciência Superior preexistente. Essa Consciência preexistente
criou a si mesma, e os universos, e é imortal, atemporal, onisciente, onipresente
e onipotente. Essa Consciência primordial é uma fonte inesgotável de energia, é
invisível, sem forma, e está em constante movimento e expansão. Essa força consciente
e criadora de tudo que existe nunca teve uma representação física. Os neteru,
ou deuses arquetípicos, representam os seus atributos. Esses deuses são masculinos
(“neter”) e femininos (“netert”) e incorporam e formatam através de suas
representações a força atuante do Sem Forma. Os atributos representados pelos
neteru são os múltiplos nos quais o Uno se manifesta. Pode-se dizer que embora
considerados pela história oficial como politeístas, os antigos egípcios eram
na verdade monistas, assim como os hinduístas.
NUN – O SER SUBJETIVO
Antes que a vontade do Eterno se manifestasse como
impulso criador, existia uma base que vibrava em estado latente, um abismo líquido,
sem início, sem fim nem direção. Era o estado da matéria não polarizada. O
oceano de possibilidades ao qual os antigos egípcios se referiam seria o que os
nossos cientistas atualmente denominam “sopa de nêutrons”, onde a ausência de
prótons e elétrons cria um imenso e denso núcleo. Nesse abismo líquido anterior
à manifestação, tudo se resumia à matéria em estado de compressão. Nun é
energia/matéria sem forma, indefinida e não diferenciada.
MAAT – A ORDEM CÓSMICA
Para os sacerdotes do antigo Egito a criação do
nosso universo e dos demais universos não foi um evento físico aleatório, mas
um evento simultâneo planejado e executado segundo uma Lei Divina. Maat é a
deusa (netert) que encarna o princípio ordenador do caos. Para a mitologia e
astronomia do antigo Egito existiam outros universos além do nosso e eram
habitados. E a humanidade tinha origem estelar.
ATUM – O SER OBJETIVO
O átomo primordial, Atum, por
exsudação criou os gêmeos originais Shu (a umidade) e Tefnut (a condensação), que
representam a dualidade. Esses deram a luz Nut (o firmamento) e Geb (a matéria
densa). Nut e Geb geraram quatro filhos: Ausar (Osires), Auset (Ísis), Set
(Steh) e Nebt-Het (Néftis). Para alguns egiptólogos esse arquétipos representam
os quatro elementos. Ausar casou-se com Auset, e Set casou-se com Nebt-Het.
Ausar e Auset simbolizam as polaridades em harmonia, almas gêmeas, a
complementaridade e a superação dos opostos. Set e Ausar simbolizam as trevas e
a luz respectivamente; o antagonismo, o atrito, o confronto entre os opostos. Interessante
ressaltar que em egípcio antigo a palavra irmão e marido significam a mesma
coisa, assim como irmã e esposa, por isso alguns escritores e historiadores
traduziram o casamento de Ausar e Auset como uma união incestuosa.
NEHEB KAU
Significa o provedor das
formas/atributos. Trata-se da serpente primordial, e é representada com duas
cabeças, significando a natureza dual da manifestação na matéria. Significa
também a natureza densa, o corpo físico e a natureza sutil, o duplo etérico KA.
O ciclo de nascimentos e mortes é simbolizado pelo movimento solar de nascente
e poente. Ra, o sol é o neter da vida e Ausar o neter dos mortos. O movimento solar
contínuo de surgimento e ocaso e de vida e morte é representado pela jornada de
Ra em direção à morte quando se torna Ausar, e este por sua vez ascende e ressurge
para voltar a viver como Rá, Assim eles representam o fluxo contínuo da vida
que caminha em direção à morte para mais uma vez renascer. Desse modo, na
mitologia egípcia, vida e morte são inevitáveis e intercambiáveis, assim como
ressurreição e renascimento.
AMON/AMEN/AMUM - O PODER OCULTO
Amen/Amon/Amun significa o oculto. Para a mitologia
egípcia é a força indefinível e subjacente na qual se baseia a criação do
universo.
É a essência, o alento divino que define o universo e seus quadrantes.
É a essência, o alento divino que define o universo e seus quadrantes.
O Conceito de Trindade
Segundo essa tradição cada ser é
único, mas se manifesta como uma força tripla dotada de uma natureza dupla.
Segundo a mitologia, quando Atum cuspiu ou exsudou Shu e Tefnut, logo em
seguida os envolveu em um abraço, e assim o seu Ka, o duplo etérico, penetrou-os
para outra vez tornarem-se Um. Desse modo nasceu a primeira trindade.
O conceito de trindade também se
apresenta como a existência de um ser uno constituído de três princípios, como
é o caso de Amon, Ra e Ptah. Ra é o seu rosto, e Ptah o corpo. Existem outras
tríades, como Ptah – Sekmet – Nefertu, porém, a mais conhecida e louvada delas
todas é a formada por Ausar (Osires) – Auset - (Isis) – e Heru (Horus) o
portador da luz.. A importância da tríade e da triangulação para a civilização
egípcia também pode ser constatada na disposição do espaço nos templos. Neles
existem os santuários triplos onde o poder trino do deus(a) a que o templo é
dedicado se concentra e se expande ao mesmo tempo.
É no templo que o poder divino se
irradia, devido à conexão céu e Terra, a ultrapassagem energética das distâncias
dimensionais. Para os egípcios antigos o triângulo era a representação na
manifestação aferível do Universo. O quadrado simbolizava a concretude e as
quatro potências universais. Essas potências se apresentam como fraca, forte,
gravidade e eletromagnetismo. A cosmologia era estudada em cidades que
ancoravam essas energias e simbolizavam essas fases de organização da criação.
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Tebas |
As cidades principais eram: Heliópolis, Mênfis, Tebas e Hermópolis. São os
pares das forças primevas, os poderes primordiais. Também evidenciam os quatro
elementos, os quatro pontos cardiais, os quadrantes e o aspecto dual da vida
manifestada: luz e trevas, masculino e feminino.
Dentre os quatro elementos, a
água é base e berço, é o elemento que cria de si mesmo os demais elementos.
O símbolo da criação e matéria
diferenciada é denominado “Tet” ou “Djed”. Trata-se de um pilar que traduz a
criação do universo e a constituição do mundo das formas e também a saga
evolucionária da humanidade. Esse pilar é o símbolo sagrado de Ausar-Osíris e
tem sete degraus. Os sete degraus são uma metáfora da evolução do ser
consciente no caminho da auto-realização, e o veículo que o conduz da matéria
ao espírito. O Pilar “Tet” ou “Djed” representa o microcosmo do macrocosmo, e
revela na criação diferenciada a atuação e ressonância constante do som
original, provocado pela explosão da energia condensada de Nun. Esse som é
considerado divino e foi a causa primeira para o surgimento do universo e da
criação.
Gostaria de salientar que desde a
teoria da relatividade defendida por Einstein o mundo científico reconhece a
matéria como uma forma de energia, e que ela se apresenta como energia
condensada. No mundo material podemos ver e tocar as coisas porque as moléculas
vibram em velocidade baixa e constante. Quanto maior a velocidade vibracional
das moléculas, mais sutis e etéreos os elementos se tornam e nossos sentidos
físicos são incapazes de perceber o que vibra e pulsa numa dimensão etérea.
O Tempo e o Espaço
Para os antigos egípcios tempo e
espaço eram inseparáveis e a astronomia era aplicada através da astrologia.
Eles contavam o tempo baseados no número 6 e seus múltiplos. Por exemplo: O dia
se formava em 24 horas (6x4); o mês em 30 (6x5) dias; o ano em 12 (2x6) meses e
o zodíaco contém 12 (2x6) estâncias, eras e signos.
O mais antigo e belo zodíaco já
criado encontra-se no templo de Dendera e é visitado por milhares de pessoas
que buscam um contato com o conhecimento ancestral nele contido. O espaço se
traduz através dos volumes. Para essa tradição o espaço é constituído de seis
direções e essas direções são definidas pela forma geométrica que apresenta
seis lados iguais, o cubo. O cubo é uma figura formada de seis lados iguais, ou
seja, acima e abaixo, anterior e posterior e direita e esquerda. O tempo seria
uma unidade organizadora da vida na matéria e o espaço o ambiente onde as
formas se revelam e interagem.
Harmonia com o Universo
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Templo de Dendera |
Para os egípcios a preservação da
vida estava na harmonia entre os céus e a Terra. Por isso, tornaram-se grandes
observadores astronômicos e grandes astrólogos, por considerarem a astrologia
uma continuidade da astronomia. A história ocidental atribui aos gregos os
conhecimentos astronômicos, porém, na realidade, o crédito é dos egípcios e dos
sumérios.
Pela astrologia egípcia tão bem
retratada em Dendera, no teto do templo dedicado a Hator é possível observar
que os sacerdotes conheciam a influência das eras zodiacais nas diferentes
etapas civilizatórias da Terra. Eles conheciam os ciclos e movimentos solares,
os equinócios. Definiam as eras de acordo com a trajetória do sol pelas casas
zodiacais. Cada era tinha o seu signo regente como característica predominante
e determinava todos os meios de expressão criativa como artes, arquitetura,
artesanato cultos, festivais, etc. Os faraós costumavam adicionar o nome da era
ao seu próprio nome. As eras tinham a
duração de 2000 anos.
AS
ERAS ZODIACAIS
Os
sacerdotes conheciam os movimentos dos ciclos dos equinócios e consideravam o
início das eras de acordo com a entrada do sol nas casas zodiacais. O término
de cada uma delas acontecia quando o sol cumpria o circuito zodiacal. Até o momento
não se tem um registro histórico sobre o assunto, porém algumas evidências
confirmam a influência dos signos zodiacais na denominação e definição das
eras. Alguns
autores consideram a Grande Esfinge de Gizé como uma evidência da Era de Leão.
Outros vêm no culto ao touro Ápis a 4000ª.C, assim como a palavra “mentu”
(touro), agregada aos nomes de faraós como um indicador da era de Touro.Essa
era teria terminada com os faraós Mentuhotep do primeiro ao quinto soberano do
mesmo nome. Em um templo
dedicado a Mentuhotrp. Mentu o touro tem destaque. É curioso observar que nesse
templo o faraó é retratado como um ancião e não no esplendor de sua juventude e
vigor físico como de costume.
Para alguns
historiadores e arqueólogos este seria um sinal do término da Era de Touro. A
Era de Áries (O Carneiro), iniciou-se há 2000 anos A.C , e Mentu, o touro foi
substituído por Amon o carneiro. Isso pode ser observado nas construções dos
templos e esfinges que ladeiam a alameda que conduz à entrada principal do
templo de Karnak em Luxor.
Outro fator
a ser considerado é a adoção dos faraós do nome Amon ou Amen ou ainda Amum ao
seu próprio nome. Exemplos: Amenhotep, Tutankamon, etc. Dentro do templo de
Karnak existe uma parede com desenhos que representam Amon navegando pelo céu
estrelado a bordo de um barco, o que nos remete ao signo de Áries.
DEUSES
E DEUSAS - O
PANTEÃO EGÍPCIO
ATUM – é o
deus nascido de si mesmo e navega pelas águas primordiais. Movido pelo desejo
de ver a si mesmo, Atum decidiu criar os mundos, deuses, seres humanos e tudo o
que existe. Para concretizar seu desejo Atum lança nas águas primordiais um
jato inseminador de vida. Então, o fogo do sêmen de Atum faz as águas ferverem
e a umidade e o vapor criam o meio adequado para que tudo seja criado.
ATOM - o
átomo primordial, a origem dos universos, o deus que desloca a energia acumulada
e latente nas trevas e destas manifesta a Luz.
AMON/AMUM/AMEN
– o oculto, o poder divino que é e está oculto. Cabe aos seres conscientes
encontrar sua face. É representado pelo carneiro ou um homem com a cabeça
adornada com uma coroa dupla, referentes ao reino humano e o reino divino.
RÁ – é o
deus sol, a fonte da vida. A estrela que ao explodir num generoso ato de amor,
cria um sistema estelar, e esparge seus elementos químicos que constituem e
mantêm sua criação celestial e garantem a manifestação da diversidade na
natureza e a vida humana sobre o planeta Terra.
AMONET – o
aspecto feminino de Amon; o feminino cósmico, a Grande Mãe.
MUT – o
firmamento, esposa de Amon. Sua generosidade e acolhimento permitem o espaço
para manifestação das estrelas, constelações, e planetas.
KONSHU – é o
deus da Lua, o senhor do tempo, das emoções e do conhecimento oculto. Konshu
regula o crescimento das marés e das plantações e gestações.
MAAT – é a
deusa do destino e da justiça. No Amenti (onde as almas são julgadas depois que
deixam o corpo físico), Maat, diante de Osiris(Ausar), julga a evolução das
almas. Uma enorme balança pesa a evolução intelectual e a evolução amorosa, a
inteligência do coração. Num dos pratos da balança ela colocava os atos e no
outro o coração do falecido(a). Maat, então depositava em um dos pratos uma
pena de avestruz. Se ambos os pratos permanecessem em equilíbrio, a alma iria
para a morada dos seres luminosos, e dependendo das suas qualidades
intelectuais, éticas e espirituais, reencarnaria ou não. Os maus e indignos da
condição humana tinham o coração devorado por Ammut, e a seguir sua alma seria
diluída e deixaria de existir como energia consciente.
AMMUT – a
deusa dos infernos. Tinha como função devorar o coração dos malvados e indignos
e puni-los pelo desrespeito à vida e ao sagrado. Dependendo da gravidade da
falta ou faltas cometidas, a alma seria destruída ou aguardaria no fogo da purificação
uma nova oportunidade para reencarnar.
TOTH – o
deus que era o escriba dos deuses, o Senhor da alquimia e do conhecimento
espiritual; o deus da sabedoria oculta, da magia, da palavra e do
autoconhecimento. O livro de Toth continha as lâminas de ouro com os desenhos
dos 22 arcanos e símbolos que permitiam ao consulente obter revelações.
SECHTAT – era
a deusa da sabedoria científica; senhora da astronomia, matemática, medicina, ótica,
engenharia, geometria e proporções sagradas.
MADSET - a
deusa do discernimento, arbitra as questões e causas, e julga o que é legal ou
seja, que está de acordo com a lei, e o que é justo, estabelecendo a diferença
entre eles. É a deusa que rege a lucidez, o equilíbrio emocional e a
flexibilidade do intelecto.
HATOR – deusa
da beleza, da fertilidade, do amor, das artes e da prosperidade. Hator era a
esposa espiritual do faraó e cabia a ela escolher o sucessor do faraó. Ela
escolhia quem seria o postulante mais capaz e portanto, merecedor do trono.
Ainda que o herdeiro natural fosse o primogênito, eram feitos rituais secretos
para invocar Hator e receber dela a aprovação ou reprovação. A esposa humana, a
rainha, fazia oferendas a Hator pedindo que seu casamento fosse fértil, e que o
amor estivesse sempre presente na relação do casal. Os jovens oravam e
ofertavam no templo da deusa pedindo que ela enviasse um homem ou uma mulher
que pudesse ser o seu companheiro ou companheira ideal.
GEB – filho
de Shu e Tefnut. Era o deus que aprisionava os espíritos maus nas profundezas
da Terra. Ele não permitia que os maus espíritos contaminassem a atmosfera.
NUIT – esposa
de Geb Nuit, é a deusa das 11 dimensões celestes. Ela conduz os espíritos merecedores
de remissão, depois de serem julgados por Maat e Osiris, para as dimensões e
esferas celestes que lhes correspondem.
ÍSIS – A
GRANDE MÃE – deusa do amor incondicional, da generosidade, perseverança e abundância,
irmã e esposa de Osíris. A deusa regente de Sírius, a estrela alfa da
constelação do Cão. Sempre que no céu se desenhava a configuração estelar onde
Sírius resplandecia com todo o seu esplendor, a população comemorava, porque Ísis
estaria derramando suas bênçãos sobre o Egito. Era o prenúncio das cheias no rio
Nilo; as águas inundariam as margens arroteando a terra, e resultando no húmus
que serviria de berço para as semeaduras, plantações e consequentes colheitas. Ísis,
a deusa mãe, lá dos céus anunciava para os seus filhos a renovação da vida.
OSÍRIS – o
deus faraó, irmão e marido de Ísis. Ele era quando encarnado o deus-homem que
promovia a prosperidade, harmonia e justiça na Terra quando reinou sobre o
Egito. Depois de morto, tornou-se o deus que venceu os limites da morte, e por
isso no Amenti é ele quem julga e define o destino das almas dos mortos.
SETH – Irmão
de Osíris e esposo de Neftis. Representa a sombra, o lado obscuro da condição
humana. A ele foi dada a tarefa de governar os desertos, as regiões hostis. Seth
é o deus das tempestades, da violência, da inveja, do ciúme e de todos os antivalores
humanos. É irmão de Osiris e ensina que não há Luz sem Sombra. Seth simboliza o
desafio humano diante dos próprios defeitos e maus hábitos. Seth é o arquétipo
que demonstra a importância da coragem de encarar e dialogar com a sombra, caso
contrário não pode existir transformação.
NEFTIS – a
deusa dos desertos, a deusa da morte. Irmã e esposa de Seth, nunca aceitou seu
casamento, pois não amava Seth e sim Osíris. Conta o mito que certa vez, usando
seus poderes, metamorfoseou-se em Ísis e seduziu Osíris. Copulou com ele e
dessa relação nasceu Anúbis. Por isso tornou-se a rainha dos desertos, da noite
e dos céus profundos. Ela é representada como uma linda mulher, muito sedutora
e envolvente. Neftis representa também a lascívia, os impulsos sensuais que
para serem satisfeitos iludem a mente de quem é tomado por eles, assim como do
objeto do seu desejo.
Os sete pedaços do corpo de
Osíris representam os sete chakras, ou centros de força que compõem o corpo sutil.
Osíris redivivo insemina Ísis, que dá à luz Hórus, o deus enviado como portador
da luz dourada da constelação de Órion. Hórus, como todo deus solar, destrói as
trevas, representadas por Seth, o usurpador, que é degredado para as terras
áridas do deserto, e assume o trono do seu pai. Osíris representa o espírito
imortal, que não pode ser fragmentado nem destruído. Ísis é o amor que não
conhece obstáculos, vence a morte, e tem o poder de gerar milagres. Hórus é o
poder da vida tão grande que vence a morte, e renasce dela; é a energia que
proporciona percepções diferenciadas e intuições luminosas que conferem
revelações. Hórus representa a metáfora de um nível expandido de autoconsciência.
Seth e Osíris representam a dualidade na existência humana, matéria e espírito.
Os dois irmãos em luta também representam a ignorância e a sabedoria, a sombra
e a luz que todos nós temos na nossa interioridade. Este mito ensina que o amor
tudo cria, inspira e transforma. O amor desencadeia a força transformadora
capaz de recolher fragmentos de idéias e sentimentos para reuni-los e criar
novas concepções.
PTAH – É a potência cósmica que
dá forma à Criação. Ele é o patrono dos ourives, dos artesãos e dos
comerciantes. Como Ptah é o divino ferreiro que forja as formas, foi escolhido
o patrono dos ferreiros no Egito (em Mênfis especialmente). Os 4 elementos da
criação estão presentes na atividade dos ferreiros: o fogo, o ar pelo movimento
dos foles para manter o fogo ardendo; a água, para apagar o fogo; a terra,
representada como elemento pelo ferro, o mineral do qual é feita a bigorna.
Devido a capacidade de manipular os elementos, e também de controlar e criar as
formas na forja, a arte dos ferreiros era muito admirada.
ANUBIS – O guardião e condutor
das almas é também o senhor das mumificações. Filho de Osíris e Neftis, ou
seja, da deusa da morte e do deus da ressurreição, é o neteru (deus) que conduz
as almas durante a passagem do estado físico para o estado etéreo. Acompanha o
desligamento do corpo físico, auxiliando as almas, durante o trajeto pela
crosta terrestre e travessia de portais, a se defenderem dos espíritos inimigos
que surjam no trajeto. É importante salientar que os deuses representados como
animais ou homens com cabeça de animal carregam um profundo simbolismo. Quando
o deus era representado como animal significava que sua função e atributo
principal eram louvados como energia e valor. Caso fossem representados como
homens ou mulheres com cabeça de animal, essa função e qualidade do animal na
natureza eram valores atribuídos ao ser humano. Anúbis às vezes é representado
como um chacal sentado sobre as quatro patas, com a cabeça erguida e olhando para
o infinito; noutras como um homem com cabeça de chacal, tendo nas mãos um cetro
e um “ank”, a cruz ansata, o símbolo do homem.
SEKMET – A deusa com cabeça de
leoa. É uma deusa solar que protege os guerreiros durante as batalhas em território
inimigo. Ela é também a deusa que desperta a coragem, a autoconfiança e a
capacidade de ousar. Ela guiava a cabeça e o braço do faraó e seus guerreiros
em suas batalhas. Sekmet também auxiliava os seres humanos a vencer suas
batalhas interiores, seus conflitos. Ela é a deusa que rege os instintos
humanos e por isso as oferendas a ela oferecidas visavam capacitar o devoto de
discernimento para o uso adequado dos sentidos e a obtenção do apaziguamento
dos impulsos e desejos insaciáveis.
BAST – A deusa em forma de gato.
Segundo a mitologia egípcia, o gato manifesta em si mesmo os nove mundos. Sua
visão noturna, o brilho dos seus olhos na escuridão fazia com que as pessoas
o(a) associassem à Lua. Bast é a deusa da flexibilidade, da disciplina sobre as
emoções e também da ludicidade. A deusa Bast é ainda um símbolo de leveza,
alegria e adaptabilidade.
KHEPRI – O escaravelho é na
mitologia egípcia o símbolo da capacidade transformadora do sol. Khepri
significa “Aquele que cria”. O escaravelho não nasce de uma fêmea, ele é
hermafrodita. Quando o macho decide reproduzir, colhe com as patas um pouco de
estrume de vaca e faz uma bola, girando do leste para o oeste; ali ele deposita
os ovos fecundados. É um símbolo de Ra, porque o sol nasce no leste e se põe no
oeste. Muitas vezes Khepri é retratado dentro de uma barca solar como um
escaravelho que tem em suas mãos o disco luminoso do sol. Ra também é
representado como um homem com cabeça de escaravelho.
SOBEK – O deus-crocodilo – símbolo
de poder da concentração, paciência, determinação e senso de oportunidade. O
crocodilo define seu propósito, espera a presa com paciência e permanece
submerso nas águas deixando apenas os olhos de fora. Assim devemos imitar essas
qualidades: escolher uma prioridade, concentrarmo-nos nela e esperar com
paciência e determinação, além de – principalmente - desenvolver o senso de
oportunidade para sentir o momento adequado com precisão.
TAURET – a deusa-hipopótamo. No
panteão egípcio, Tauret é a protetora das mulheres grávidas, dos partos e dos
recém-nascidos. O hipopótamo fêmea enfrenta o macho e não teme seja a ameaça
que for, para defender sua cria. Essa deusa também protege contra pesadelos
quando a mente está imersa no rio do sono, indefesa e a mercê do desconhecido
universo subconsciente..
APOPHIS – É a serpente da
dualidade. Como Uadite, ela é benévola e adorna a coroa que o faraó ostenta na
cabeça. Apophis ofusca o a luz e o brilho de Ra, provocando o eclipse solar.
HÓRUS – É o deus da vida que
venceu a morte. Ele venceu a morte porque foi gerado pelo sêmen de Osíris mesmo
depois deste ter sido morto por Seth. O olho de Hórus é associado ao terceiro
olho de Shiva, a glândula pineal, o olho que tudo vê.
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Observe, na imagem, a clara relação entre o símbolo de Hórus e a glândula pineal. |
A MORTE DE OSÍRIS, A
VITÓRIA DE ÍSIS
E A CONCEPÇÃO DE HÓRUS
E A CONCEPÇÃO DE HÓRUS
Osíris foi um faraó deificado. Um
ser vindo das estrelas que chegou à Terra junto com seus irmãos Ísis, Seth e
Neftis. Osíris assume o trono numa época de grande beligerância no Egito. Ísis
e Osíris se casam e ensinam ao povo valores e o poder da transcendência, bem
como a arte da convivência pacífica, e estabelecem a civilização do
conhecimento. Espalham ordem, beleza e prosperidade e instruem o povo das
terras egípcias desde o Delta do Nilo, Alto Egito até Tebas. Osíris resolve
viajar para levar a civilização para os povos de terras mais distantes e para
tal leva um grupo de sacerdotes que eram os detentores de todo o conhecimento
científico, filosófico, mágico e espiritual, além de vários artistas. Por onde
quer que o faraó passasse deixava um rastro de transformações benéficas.
Algumas comunidades não aceitavam os ensinamentos de Osíris e acreditavam na
violência e na disputa como caminho (esse pensamento era alimentado por Seth:
Osíris e Seth, a ação oscilante do bem e do mal nos seres humanos e suas
escolhas e posicionamentos no mundo).
Quando Osirís voltou para o palácio, Seth
preparou uma festa em sua homenagem. Depois do banquete, Seth reúne os
convidados e anuncia que preparou um presente epecial para um deles; dizendo isto,
pede que os serviçais tragam um sarcófago que estaria cheio de pedras
preciosas, e aquele que coubesse dentro dele seria dono do tesouro. Todos
tentaram caber no sarcófago, mas ou eram maiores ou menores que ele. Osíris,
sem desconfiar da armadilha criada pela ambição do irmão, entra no sarcófago.
Seth havia mandado fazer o esquife nas medidas do irmão. Feliz, Osíris exclama:
“O tesouro é meu, o sarcófago foi feito para mim!” Seth respondeu: “De fato ele
é seu e nele você será morto”. Dito isto, fechou a tampa e ordenou que o
matassem e cortassem o corpo em sete pedaços. Ordenou depois que pregassem a
tampa e a lacrassem com chumbo derretido. A seguir, mandou que lançassem o
sarcófago nas águas do Nilo. O sarcófago foi flutuando até que encalhou em uma
enorme tamargueira. A árvore abriu seu tronco e o envolveu com seus galhos
frondosos, encondendo-o completamente. Seth, com a morte de Osíris, assume o
trono, e tem início no Egito uma era de guerras e desarmonia. Ísis, desesperada
e inconformada, inicia a busca para encontrar o corpo do marido. Depois de anos
de peregrinação, ela finalmente encontra a tamargueira que abrigava o sarcófago
de Osíris. As terras onde a tamargueira estava pertenciam ao Rei Malcander e à
rainha Astarte; estes, em troca das bênçãos de Ísis (a rainha vinda da estrela
Sírius), permitiram que o esquife fosse resgatado. Ísis, com a ajuda de Anúbis,
conseguiu fazer os rituais fúnebres necessários, e após isso feito, ambos
seguem viagem para resgatar os sete pedaços do corpo do faraó morto. A deusa
consegue encontrar seis pedaços, faltando o pênis. Ísis utilizou seus poderes
regeneradores e executou um ritual mágico, e assim conseguiu recompor a
integridade do corpo do marido e trazê-lo de volta à vida.
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Seth |
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Ísis e Hórus |
A EXPRESSÃO DUALÍSTICA DA
CRIAÇÃO
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Deusa Maat |
Para os egípcios, o que mantém o mundo integrado é o
equilíbrio dos diferentes aspectos do mesmo princípio fundamental, o Divino. A
natureza dualística da manifestação é equilibrada pela complementaridade.
Masculino e feminino, verdadeiro e falso, luz e escuridão, negativo e positivo,
certo e errado e bem e mal. Para eles a vida era regida desde o cosmos, e o caos,
a matéria não diferenciada, tornou-se ordem e equilíbrio pela intervenção da
deusa Maat. A criação, por sua vez, é contínua, múltipla e em expansão, e o
ciclo da existência da alma é perpétuo. A existência da alma imortal e a
reencarnação eram vistas como um constante fluxo de vida onde cada morte traz
em si uma nova vida e cada vida abriga em si mesma a própria morte. Assim como
Ra (o sol) nasce, morre e ressurge para o ciclo de um novo dia, os seres
humanos percorrem o mesmo moto perpétuo. O neter Ra é o doador e o mantenedor
da vida física, e quando esta termina, Osíris, que reina sobre os mortos, acolhe
a alma liberta da forma física e a prepara para a integração consciente com o
todo ou para a reencarnação em busca de maior aprimoramento. O ser humano é
também divino, e para fazer jus à sua origem cósmica, deve saber discernir e
conciliar a razão e o espírito.
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Thot |
Para a filosofia dos antigos egípcios, os seres
humanos pensam com o coração e movimentam a energia transformadora e o poder de
realização pela língua, ou seja, pela palavra. O papel do ser humano encarnado
era unificar o mundo terreno com o mundo espiritual. A coroa que o faraó
ostentava e que foi reconhecida como expressão do seu reinado e poder sobre as
terras do alto e do baixo Egito, era principalmente o símbolo da união
consciente das “duas terras”: a vida mundana e a vida espiritual.
O PODER DA TRÍADE
O triângulo era sagrado para os sacerdotes e filósofos
do Egito antigo, por ser a manifestação do universo. A tríade é uma expressão física
e também metafísica. Eles consideravam que cada unidade na verdade tinha uma
natureza dupla e um poder triplo. Na mitologia é dito que Atum é nascido de si
mesmo: depois de ter criado Shu e Tefnut de sua própria substância, abraçou-os
fortemente junto ao peito e então o seu “Ka” (a sua essência), penetrou os dois
neteru recém criados e que são os ancestrais de todos os demais neteru; desse
modo, Atum tornou-se Um novamente. Ou seja, demonstra que o três é dois e é um.
As tríades, os triângulos e trindades eram sagrados
e não havia diferenças funcionais entre o triângulo como forma geométrica, as
trindades divinas e as tríades musicais. O triângulo era a forma geométrica que
representava a natureza do Universo. Nos templos egípcios o santuário é triplo,
dedicado a três neteru que expressam o poder da trindade.
A IMPORTÂNCIA DO QUADRADO –
A NATUREZA DIFERENCIADA
O número quatro representava a natureza diferenciada
e também a estabilidade, a solidez, a concretude. Para a cosmogonia egípcia, o
número quatro existia potencialmente antes de o universo ser criado, e se
manifestou como os quatro poderes primordiais: fragilidade, intensidade, gravidade
e eletromagnetismo.
O quatro é o número dos elementos que constituem e
formam tudo que existe e é dotado de forma no planeta. São quatro os pontos
cardiais, os quadrantes do universo e as estações do ano. Quatro eram os
centros de ensino cosmológico: Heliópolis, Mênfis, Tebas e Hermópolis, e cada
um deles simbolizava as etapas do desenvolvimento da gênese. Nas pirâmides
podemos notar a forma triangular erigida sobre uma base quadrada.
O PODER DOS NÚMEROS
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Papiro de Thind |
Para os egípcios os números possuíam um poder
cósmico. A maneira de escrever os números procurava revelar as funções
energéticas de cada um deles. Existe um papiro chamado Papiro de Rhind, datado
de 1848 A.C. que demonstra claramente que o sistema numérico do Egito Antigo era
a base para o conhecimento de tudo. O método de calcular estava relacionado com
os processos e ciclos da natureza e tinha correlação metafísica, já que cada número
correspondia a uma específica força cósmica. Pitágoras, tempos depois, trouxe
para o ocidente o ensinamento do poder dos números e o conceito hindu e egípcio
do número como vibração e ressonância energética.
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Papiro de Leiden |
Outro documento, o Papiro de Leiden, afirma que os
números eram símbolos e constituíam o fundamento energético das formas. Este
papiro é formado por 27 estrofes que são numeradas de 1 a 9, de 10 a 90, de 10 em 10 e de 100
em 100.
Para os egípcios antigos os números possuíam vida e
interagiam entre si. No sistema numérico egípcio, o número 1 é a essência de
todos os demais números e simboliza o universo como energia perfeita. O número
cinco era considerado o número do homem e era escrito como dois traços sobre
três ou então como uma estrela de cinco pontas; é o número que incorpora as
polaridades. O seis é o número que configura volume, tempo e espaço. O tempo
era contado com base no seis e seus múltiplos. O sete representava a união da
matéria com o espírito, o três e o quatro juntos; e a pirâmide concretiza isso
na forma do triângulo sobre o quadrado, o três o quatro unidos. O 7 é o número
de Osíris. O oito é a oitava sonora e simboliza o início de um novo ciclo
sempre que outro se finda. Para eles, as oitavas demonstram a continuidade da
criação. O sete finaliza e o oito inicia novos ciclos. O oito é o número de
Thot, o neter do conhecimento-sabedoria, a chave para desvendar os mistérios do
universo, da vida e da morte. O número 9 representa os nove neteru (deuses) e
os nove mundos. Portanto, traz em si todos os aspectos e extensões do poder de
Ra. Atum é o Um.
OS FESTIVAIS –
CELEBRAÇÕES DE RENOVAÇÃO
Os
festivais egípcios tinham como função celebrar a renovação cíclica das
configurações cósmicas e sua influência nos ritmos e rumos da vida na Terra. Os
festivais também propiciavam a renovação de propósitos mundanos e espirituais. O
calendário obedecia às formações e conjunções planetárias e indicava as datas propícias
para cada celebração. Os festivais aconteciam quando os poderes cósmicos
atuavam mais fortemente sobre a Terra e renovavam a vida através da energia dos
neteru (deuses). Uma grande parte do ano - 162 dias - eram dedicados aos
festivais.
O
antigo calendário egípcio se baseava no chamado ano sótico, ou seja, um ano
fixo que tinha como base o surgimento helíaco da estrela Sírius – a estrela
Alpha da constelação Cão Maior. Várias divindades eram louvadas nesses
festivais e escolhidas como regentes durante essas celebrações cíclicas. A
população participava ativamente das festividades que mobilizavam o país
inteiro em torno do sagrado e transcendental. A civilização egípcia mantinha
uma relação orgânica com o universo, e os festivais renovavam a lembrança de
que céu e Terra estão em eterna conjunção.
OS TRÊS CICLOS
O
ciclo solar define as estações e as etapas da vida; o ciclo lunar rege a
fertilidade, os humores glandulares, os períodos biológicos, as marés e as
semeaduras e colheitas. O ciclo semanal é regido pelos 7 planetas móveis e está
relacionado aos 7 sons harmônicos da escala diatônica criada pelos egípcios
antigos. Eles acreditavam que cada planeta tinha um tom e uma vibração
particular e emitia um som específico.
Festival de Auset
- Ísis e Ausar – Osíris
Reza o mito que depois que a
alma de Osíris ascendeu para dimensões superiores, Ísis derramou uma lágrima no
rio Nilo e chorou 40 dias seguidos, e assim teve início o ciclo de cheias que
inundam e fertilizam as terras do vale do Nilo. As águas do Nilo sobem à medida
que o Ka de Osíris se eleva até o Amenti. Ísis trazia a semente de Osíris
plantada no seu útero, e os camponeses acreditavam que era o momento auspicioso
para semear a terra, e assim como Ísis gestava Hórus, as terras gestariam os
grãos para a nova colheita. Eles associavam o plantio à morte e ressurreição de
Osíris. Na semeadura a semente enterrada morre e depois germina, ou seja, a
vida ressurge da morte. Cinquenta dias depois de derramada a primeira lágrima
de Ísis no leito do Nilo, Osíris renasce como o deus Hórus.
Festival do Novo Ano
O
ano novo celebrava também o rejuvenescimento do faraó para que ele tivesse vida
longa. Nesse festival uma grande efígie de Osíris era colocada numa barca
ornamentada e lançada no rio acompanhada em procissão por 34 imagens de
divindades colocadas em 34 barcos iluminados por 365 velas acesas. As velas representavam
os dias no ano que se iniciava. Desse modo o povo saudava o faraó, os deuses e
o ciclo solar.
Cada
deus e deusa do panteão egípcio tinha seu festival. Nessas ocasiões o povo e a
realeza, assim como a classe sacerdotal, celebrava em conjunto o aspecto divino
encarnado na forma dos deuses e os valores por eles representados.
Segundo
historiadores como Heródoto, por exemplo, os povos do Antigo Egito foram os
primeiros a defender o conceito da existência da alma e da reencarnação. O
coração era tido como a morada da consciência, por isto era o único órgão que
permanecia no corpo, na mumificação; os demais órgãos eram retirados e
colocados nos vasos funerários chamados "canopos”.
A VIDA APÓS A MORTE
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Sarcófago |
Depois
que o Ka se desprendia do corpo físico, era conduzido por Anúbis até a presença
de Osíris para a avaliação da qualidade do seu desempenho na Terra. Durante o
caminho, Anúbis protegia a alma contra a ira dos espíritos de seus desafetos.
Após o julgamento, a alma era encaminhada para diferentes dimensões, onde deveria
cumprir novos requisitos para poder ser digna de ascender para dimensões
superiores. Ao chegar ao mundo espiritual, a alma recebia assistência para
adaptar-se à nova realidade. A alma ressuscitada, depois de atingir um nível
mais alto de consciência, poderia ou não reencarnar; caso não reencarnasse, faria
parte das forças cósmicas que têm ação consciente e constante no eterno curso
de existência do Universo.
Maravilhoso! Graças, graças, graças, Om Sai Ram!!!
ResponderExcluirMuito esclarecedor, e cativante, obrivado!
ResponderExcluirObjetivo e obrigada
ResponderExcluirMuito bom
ResponderExcluirAlgueA poderia enviar os desenhos dos quatro eleeeleme da natureza para fazer um tatuagem..
Obrigado
Boa tarde. Agradeceria se pudesse me ajudar... O que sabe sobre Heka?
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