“Então Ele se deu conta, e disse: Eu sou a criação,
pois Eu a retirei de mim mesmo. Desse modo Ele se tornou a sua criação.
Em verdade, aquele que conhece isso se torna, nessa criação, um criador”.
(Upanishads)
Em verdade, aquele que conhece isso se torna, nessa criação, um criador”.
(Upanishads)
O Hinduísmo
não separa o conhecimento em compartimentos estanques. A filosofia, a mitologia
e a espiritualidade nessa tradição estão integradas. O mito tem grande
importância porque procura uma maneira de apreender a essência das coisas e
fatos. Por isso descreve não apenas uma realidade, mas a percepção humana de
eventos e experiências da realidade. As filosofias da Índia se concentram na
essência da verdade última e fundamental. Consideram o pensamento lógico
inadequado e insuficiente para captar e expressar essa verdade. A
espiritualidade é vivenciada naturalmente, e o sagrado está presente no
cotidiano experimentado pelos adeptos do hinduísmo. Sem dúvida o coração
espiritual do mundo pulsa e vibra nessa tradição milenar que apresenta uma
concepção unificante do sentido da vida, e de estar vivo.
COSMOLOGIA E TEOGONIA
O MITO PRIMAL
No
vazio, infinitas possibilidades navegavam entre o ser e o não ser. Brahman,
Aquele que se expande, e que não tem início nem fim, Aquele que é e que está além
do tempo e do espaço, e de toda compreensão e definição, decide criar.
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Brahma |
Da sua
vontade a energia criadora Brahma desabrocha. Brahma, que estava em estado
latente, adormecido nos infinitos azuis, aguardava o momento de entrar em ação. Ele desperta e tem
inicio a criação e manifestação dos universos, das galáxias e dos mundos.
Quando Brahma desperta, o “OM”, o “Pranava” o som da criação desloca a energia
da qual todas as coisas são manifestações. De seus olhos emana a luz que revela
e do som a forma ao universo, as miríades de galáxias, e sistemas estelares. Assim
nasce o Dia de Brahma, que terá a duração de 311 trilhões de anos.
Quando o universo
atinge o máximo de sua expansão começa a retrair-se e desaparece. O vazio outra
vez espera o momento do nascimento de mais um Dia de Brahma ter início. Isso
acontecerá quando pela vontade de Brahman outro universo nascerá e assim
sucessivamente.
É interessante lembrar que a mitologia hindu já falava de
expansão e retração do universo mais de cinco mil anos atrás. Hoje os
astrônomos e astrofísicos confirmam cientificamente as afirmações feitas pelos
mitos hindus da criação.
A seguir, Brahma, a energia criadora, faz surgir de si
mesmo seu aspecto feminino Saraswati, a deusa da sabedoria, a portadora do
conhecimento e da inspiração. A deusa, que detém em suas mãos os livros
sagrados e a “vina”, um instrumento de cordas que ao serem tangidas libera o
som do “OM”.
Na sequência, Vishnu, a energia mantenedora, surge deitado sobre a
serpente da eternidade navegando no oceano cósmico. Dele surge seu aspecto
feminino Lakshimi, a deusa da beleza, harmonia, criatividade e acolhimento. Ele
dorme e sonha, e o seu sonho se traduz como a manifestação material da vida.
Lakshimi, com amor, massageia seus pés suavemente para que ele não acorde, e
Maya, a ilusão, continue mantendo a realidade material, e a forma de todas as
coisas.
Shiva, a potência transformadora, dança a Tandava, a dança das
possibilidades, da transformação, então entra em ação. Ele é a energia que
movimenta a criação e destruição de tudo que existe. Shiva, assim como Brahma e
Vishnu, também estão no interior de todos os seres, que por sua vez são
partículas infinitesimais do universo e emanações de Brahman, O Indecifrável e
eternamente louvado.
COMENTÁRIO
Platão
disse que a alma é uma círculo e Deus é um ponto no centro do círculo. Seguindo
esse raciocínio, os mitos primais e a teogonia e cosmologia hindus ensinam que
do centro do círculo, Brahman, o ponto, emana sua vontade, e sua vontade se
revela como a criação, a manutenção e a transformação de tudo que existe. É desse
centro que provém a energia que tem como vestimenta sagrada a natureza, e nos
faz humanos e divinos ao mesmo tempo. Somos cocriadores, mantenedores e
transformadores, assim como os três aspectos da Trimurthy. Quando rompemos os
véus da ignorância, tomamos consciência da nossa verdadeira identidade e
origem. A partir daí acontece a conexão com o divino pelo coração, e
descobrimos que a transcendência é o esteio da sobrevivência, e o espírito é o
lustro e o lastro da razão. E assim atingimos a excelência humana, usufruímos
da vida sem empobrecê-la, e servimos a vida com reverência. Desse modo nos
capacitamos para a fusão com o divino, o centro do mistério do nosso ser
profundo.
SHAKTI – A DEUSA
Potência Realizadora
UMA BREVE INTRODUÇÂO
AO HINDUÍSMO
Há cerca de 3000 anos A.C., uma civilização muito adiantada habitava o vale do Rio Indo. Pouco se sabe ainda sobre essa civilização, mas as ruínas de duas
cidades denominadas Mohenjodaro e Harapa atestam que esse povo possuía uma
arquitetura preciosa, excelente traçado urbano, reservatórios de água e sistema
de saneamento básico, armazenagem de grãos sofisticados, e anfiteatros para
reuniões públicas e espetáculos artísticos. O povo que lá vivia era chamado
drávida.
Esculturas e afrescos nas paredes das duas cidades evidenciam que os
drávidas eram muito espiritualizados e que reverenciavam as forças da natureza,
e a Mãe Terra.
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Shiva e Shakti |
O culto a Shiva, o Senhor da Natureza, e a Shakti, a deusa,
assim como à serpente, ao touro e ao elefante era uma característica desse
povo.
Por volta de 1500 A.C .,
povos nômades arianos chegaram ao vale do rio Indo, vindos do nordeste da Ásia.
Os drávidas foram dominados pelos invasores, mas sua cultura e religiosidade
se entrelaçaram. Os arianos trouxeram os Vedas, sua filosofia e mitologia, e os
panteões mitológicos assim como sistemas filosóficos se mesclaram. Dessa
mistura nasceram os fundamentos do hinduísmo.
O hinduísmo é mais do que uma
religião, é também uma filosofia e uma conduta de vida. Não se baseia num único
livro sagrado - e sim em vários, todos de igual relevância - e nos ensinamentos
de vários mestres. Ele representa uma cultura no mais amplo sentido do termo e,
como tal, foi influenciado por outras culturas que para ele convergiram. Dentre
essas culturas e religiões que foram importantes na formação do hinduísmo
moderno destacam-se o jainismo e o islamismo. Não se trata de uma religião
politeísta nem mesmo panteísta como muitos julgam, mas, monista. Baseia-se em
um só Princípio que se revela em múltiplos aspectos, os deuses e deusas.
Potência Realizadora
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Durga, um dos aspectos da Energia Sagrada Feminina |
Para
o hinduísmo o idealizador do mundo, para realizar seu desejo, precisa de um
poder executivo, de uma energia que materialize sua intenção; essa energia é a
Shakti, sua primeira manifestação, seu complemento, nascido de Si mesmo. Sem a
Shakti, a Deusa, não há manifestação da criação. Num mundo cuja essência é energia é implícita
a necessidade de dois polos aparentemente opostos, mas que são complementares.
Já que a matéria não é estável, pois é pura energia organizada no espaço-tempo.
O masculino e o feminino, o poder idealizador e o poder materializador. A deusa
é a força de coesão, a força centrípeta, que organiza a matéria. Ela é o
receptáculo e o sustentáculo de toda a criação manifestada.
COMENTÁRIO
Como
energia que movimenta a vida manifestada, a deusa é una e é múltipla. É por
isso que ela tem muitos nomes e formas, que podem parecer contrários, mas que
são aspectos da unidade na diversidade das expressões de seu poder. A deusa é a
energia primordial em movimento, a shakti, é também a origem dos ciclos do
tempo. O culto à serpente está ligado à shakti-kundalini. A kundalini
(serpente) é a energia adormecida e enrolada no início da coluna vertebral e, quando se desenrola, abre os portais da percepção superior. Por isso Shiva é
sempre representado com serpentes em volta do pescoço braços e cintura, e Kali, um dos aspectos da deusa, em alguns lugares da Índia é representada envolta em
várias serpentes.
OS DEUSES
BRAHMA
Brahma,
a energia criadora do Inominável. É o deus todo impregnado da Divina Essência
de onde tudo flui e para onde tudo retorna. Essa essência, embora seja
invisível, está presente em todas as coisas. Depois de algum tempo, várias lendas
surgiram sobre o nascimento de Brahma como um deus personificado. A mais
conhecida delas narra que Brahma, enquanto energia sem forma, criou as águas e
nela deixou cair um ovo de ouro, chamado Hiranyagarba. Esse ovo de ouro
continha a potencialidade de todas as formas da matéria diferenciada e é a
origem da vida e da natureza, e de tudo que existe. A cosmologia hinduísta se
baseia no chamado "Dias de Vida de Brahma".
Quando ele desperta de seu sono cósmico e abre os olhos, o universo é criado. A noite de Brahma é a retração do universo. Um dia de Brahma é chamado
Kalpa e dura 4.320.000 anos solares. Um ano cósmico equivale a 360 desse dias e
dessas noites. A vida completa de Brahma atinge 100 desses anos...
A
representação de Brahma é um homem com quatro rostos dos quais são visíveis
apenas três já que a outra face está na parte posterior da cabeça. Os rostos representam
os 4 quadrantes do universo. Também tem quatro braços e quatro mãos. Na mão
direita carrega um recipiente com água, simbolizando a água da vida, na mão
direita superior traz um livro que simboliza o conhecimento, os Vedas, Na mão
esquerda superior segura uma flor de lótus, símbolo da pureza espiritual, e a
mão esquerda inferior abençoa ou traz um “japamala” (um tipo de terço) que
simboliza o tempo. É apresentado montado no seu veículo animal, o ganso ou o
cisne, que são símbolos do discernimento. Algumas vezes é mostrado dirigindo
uma carruagem puxada por 7 gansos que representam os sete mundos. O caráter
abstrato do deus Brahma não foi assimilado pela maioria da população e o seu
culto por isso se diluiu no tempo, restando muito poucos templos dedicados a ele.
VISHNU
Uma
das escrituras sagradas do hinduísmo, o Padma Purana diz que o Ser Supremo
desejou manifestar-se e criar o universo e os mundos. Para tal em primeiro
lugar, criou a si mesmo, na forma de Brahma, a partir do seu lado esquerdo. A
seguir criou Vishnu de seu lado direito. Como havia criado, sentiu a necessidade de preservar sua
criação, e para a evolução de Sua obra, do centro do seu corpo fez brotar
Shiwa, o poder responsável pela transformação e renovação constante de tudo que
existe.
Sua vontade de preservar a criação se manifestou com Vishnu
Narayana. O deus Vishnu Narayana surgiu deitado nos anéis do corpo da serpente
Sesha e sonha, e assim preserva a existência navegando pelo oceano cósmico. O
sonho de Vishnu é toda a criação; enquanto sonha, do seu umbigo surge o caule
de uma flor de lótus, Quando a flor se abre, Brahma senta-se no centro dela
para viver seu “kalpa”, o Dia de Brahma. Após esse período, termina o sonho de
Vishnu, a flor de lótus se fecha e o universo se dissolve no vazio. A flor desaparece
para aparecer no próximo sonho de Vishnu e assim sucessivamente.
Vishnu é
representado com pele azul escuro. Possui quatro braços e mãos. Veste-se com
uma calça de seda da cor amarelo ouro e traz o dorso nu adornado por jóias. Na
cabeça carrega uma coroa ricamente cravejada de pedras preciosas. Carrega em
suas mãos uma borduna de ouro, o chakra (roda), um grande búzio e uma flor de
lótus. A borduna simboliza a luta pela vida, o chakra a energia que tudo
permeia e movimenta, o búzio, representa o som primordial que gera as formas da
natureza, e a flor de lótus representa a espiritualidade. No plano superior
Vaikunta é a morada, o domínio particular de Vishnu. Como o Senhor de Vaikunta
ele é chamado Vaikuntanatta, e é representado com quatro cabeças e oito braços,
e simboliza a integração das polaridades, a inteireza. Os avatares são aspectos
do deus Vishnu. Esses seres são raios divinos que assumem forma humana e são
considerados encarnações terrenas de Vishnu. Muitos templos são dedicados a
Vishnu e estão espalhados por toda a Índia.
Comentário
– No hinduísmo temos deuses védicos e deuses purânicos. Os deuses védicos
trazidos pelos arianos se mesclaram aos deuses preexistentes e às crenças do
povo local. Os Puranas são narrativas descritas e condensadas sobre o nascimento,
o complemento feminino, ou seja, a deusa shakti do deus, as funções e grandes
aventuras e feitos épicos dos diversos deuses e heróis. Alguns deuses védicos
foram incluídos nos Puranas, outros se fundiram em um único deus com atributos
mais amplos. Vishnu é um exemplo disso. Nos Vedas ele não é um deus importante,
porém durante o período épico ele foi identificado com Krishna, o herói máximo
do hinduísmo, considerado um deus vivo, e isso redimensionou sua importância.
Shiva significa o bondoso e todo auspicioso. Nas ruínas de Mohenjo-Dharo e Harapa cidades localizadas no vale do rio Indo foram encontradas imagens de 3000 anos representativas daquele que veio a ser Shiva, o Senhor dos Três Mundos. Nas esculturas e relevos encontrados ele tem três cabeças, está sentado na posição de iogue, e tem ao seu redor vários animais. Durante mais de 30 anos Shiva vem sendo adorado e várias narrativas purânicas o enaltecem sob diferentes aspectos. Esse deus provavelmente é o precursor de Shiva.
(OM! Ela é a mais auspiciosa entre todas.
A Causa de todo o sucesso. OH, Gauri de três olhos [a Brilhante], nós te reverenciamos! Oh Narayani! Oh, Divina Mãe!
Desde as épocas mais remotas, a
humanidade busca uma aproximação do divino, um desejo intenso de compreender a
natureza do mundo, a razão de ser da vida e de estar vivo. O culto ao Princípio
Feminino - a Deusa, como fonte da manifestação é dos mais antigos, e o
encontramos na maioria das tradições espirituais do mundo. Para nós ocidentais
a adoração à Virgem Maria e seus diferentes aspectos é um dos pilares da fé
cristã. A Nossa Senhora e Virgem Mãe Divina, que engendrou um homem-deus sem a
intervenção de um agente masculino, é um dos cultos mais importantes da
cristandade. A Deusa que engendra de si mesma o seu fruto é uma constante em
todas as mitologias do mundo. Na mitologia egípcia, Isis engendra Horus, na
hindu Pavarthi engendra Ganesha, na grega, Hera engendra Hefaístos, etc...
São
múltiplos os aspectos de Deus-Mãe. Nas civilizações antigas como a sumeriana, a
grego-romana, egípcia, hindu e celta, e em todo o mediterrâneo proto-histórico,
e pré-helenico encontramos a presença da Deusa como um protótipo único, porém
com diferentes formas e nomes. Na Índia, as pesquisas feitas em Mohenjo-Daro e
em Harapa no vale do rio Indo, encontraram o culto à Grande Deusa - a Mãe Universal e seus diversos aspectos desde mais de seis mil anos.
A deusa para os povos
antigos era reconhecida como soberana nos céus, e na Terra como potência
realizadora, é a Mãe do Mundo, e tem na Natureza sua vestimenta sagrada. Após a
invasão ariana na Índia, a deusa foi subjugada pelos princípios patriarcais dos
invasores. Porém, emergiu novamente e com força pelo tantrismo. Atualmente, o
hinduísmo acredita que nos diferentes aspectos da deusa está a base, o
movimento, a energia. A Shakti, o Princípio Feminino Cósmico, é a energia universal
da materialização e realização. As Shaktis, as deusas, têm o poder de criar,
preservar e transformar, destruir e trazer o novo e inusitado como elemento de
evolução.
A deusa Gayatri é adorada como a Mãe dos Vedas, ou “Veda Mata” e seu
culto é anterior à compilação dos quatro Vedas. No Skanda Purana existe o
seguinte texto: “Nada nos Vedas é superior à Gayatri Devi”. “Nenhuma invocação
é igual à de Gayatri”. Gayatri é, como já disse, a Mãe dos Vedas, mas também é
a Mãe dos próprios deuses, é a Grande Luz da Consciência Cósmica, é o ritmo que
organiza as energias primordiais, o pulsar do coração do universo. No Rig Veda,
a partir do volume III, cântico 62, verso nº 10, encontramos a
história da deusa Gayatri. Ela teria vindo ao planeta Terra na Sathya Yuga ou,
primeira era, que tem duração de 48.000 anos. A era de ouro, quando o Dharma (
Lei cósmica) os valores espirituais e éticos prevalecem devido as energias puras
e sábias propiciadas pela deusa solar. Ainda no cântico 62 ela é descrita:
“A suprema consciência cósmica e transcendental, o poder, a Mãe divina, é
conhecida como Gayatri”. “Ela é a causa primordial de tudo que foi o que é, e o
que será”. Gayatri é a deusa que cria e manifesta os três gunas: Tamas, Rajas e
Satva, inércia, movimento e essência pura. Mãe Gayatri é considerada a mãe de
Brahma, Vishnu e Shiva. Estes simbolizam o poder inerente dos três gunas. As
emanações criadoras, mantenedoras e destruidoras de Brahman – “Aquele que se
expande, o Inominável”.
Em cada um dos Vedas a deusa Gayatri é descrita
diferentemente. Isso porque ela é louvada de formas específicas nas etapas que
marcam o dia que estamos vivendo, e o nascimento do próximo dia. Pela manhã, o
mantra Gayatri evoca vibrações criativas. Ela é o ritmo, o pulsar do coração do
Universo. Ao meio-dia, o mantra desloca energias e vibrações de preservação. O
mantra no entardecer é entoado para fazer vibrar energias regenerativas. E
finalmente o mantra entoado na madrugada, que louva o poder da Deusa como
portadora da Luz.
O Gayatri Mantra :
“OM BHUR BHUVAH SWAHA TAT SAVITUR
VARENYAM BARGO DEVASYA DHIMAHI DHIYO YONAH PRACHODAYAT”.
Tradução direta resumida
e aproximada: “Sagrados são os três planos de existência, físico, astral e
causal, sobre a essência da divina Mãe e de Savitri o poder da infinita luz da
consciência. Que ela ilumine nosso intelecto”.
A maneira de entoar o mantra
varia, mas a intensidade do seu poder é sempre a mesma. O Gayatri Mantra é
considerado o mais poderoso de todos os mantras para os hindus. A Mãe Divina
doadora de vida ilumina a consciência, abrilhanta o intelecto, e desperta a
inteligência do coração nos seus filhos. Glória a Gayatri, Luz que nasce de si
mesma, e cria e recria e materializa a vida nos múltiplos universos. “Na
Gayatrah Paro Devi”, (não existe nenhum deus mais poderoso que Gayatri).
A história da deusa Saraswati pode ser encontrada no Rig
Veda, no Ishavasya Upanishad Matsya Purana, Skanda Purana, Padma Purana, varaha
Purana e outros escritos do mesmo valor. Esses textos ensinam que Saraswati é a
extensão feminina de Brahma e seu nome significa literalmente “a fluente”, ou
seja, aquela que flui, que circula, que brota e se derrama. Saraswati é a
criadora do alfabeto “devanagari”, a linguagem dos deuses. Ela é patrona das 64 artes
e das ciências sagradas, assim como de todo o saber e conhecimento. Ela empresta
seu nome a um dos rios sagrados da Índia, o rio subterrâneo Saraswati, que nasce
no Himalaya e desemboca no Rajastão. Seu nome indica também um dos principais
“nadis” ou canais energéticos existentes nos corpos sutis dos seres vivos. Esse aspecto da Deusa
também é conhecido como Vach, o som sagrado, a voz do conhecimento real, a
sabedoria nascida do fogo divino, a essência da consciência que destrói a
ignorância.
A Deusa Durga, para o Sanathana Dharma, (Eterna Lei) assim
como para o hinduísmo atual, é o Principio Feminino Primordial. A energia
matricial, A Mãe Divina. O aparecimento da Deusa Durga é o aparecimento de
Prakriti – a Natureza, Sua Forma é a Shakti (Energia Feminina Cósmica), a Mãe
do Universo, a Potência Geradora. Todos os organismos existentes no Universo
surgiram da Mãe Divina, e daí Ela ser chamada “Jagadamba (a Mãe do Universo ou
Criação)”.
SHIVA
Shiva significa o bondoso e todo auspicioso. Nas ruínas de Mohenjo-Dharo e Harapa cidades localizadas no vale do rio Indo foram encontradas imagens de 3000 anos representativas daquele que veio a ser Shiva, o Senhor dos Três Mundos. Nas esculturas e relevos encontrados ele tem três cabeças, está sentado na posição de iogue, e tem ao seu redor vários animais. Durante mais de 30 anos Shiva vem sendo adorado e várias narrativas purânicas o enaltecem sob diferentes aspectos. Esse deus provavelmente é o precursor de Shiva.
Os arianos
védicos não têm Shiva em seu panteão de deuses, mas Rudra, um deus védico foi
assimilado no hinduísmo moderno como um aspecto violento de Shiva. O deus
enquanto Rudra é o Senhor das Tempestades, do desencadeamento incontrolável das
forças naturais, e é temido pelos outros deuses e visto como o aspecto irado de
Shiva. O deus apresenta um aspecto benevolente e um aspecto violento. No
Ramayana e no Mahabharata, duas epopéias sagradas do hinduísmo, o deus é o todo
poderoso Senhor dos Himalayas e Pashupathi o Senhor da Natureza que tem nas
mãos o Trishula, a arma mais poderosa do mundo. Essa arma é um tridente que
representa os três mundos, físico, astral e causal assim como os três gunas,
qualidades inerentes a tudo que existe: Tamas, inércia, Rajas movimento, Satwa,
essência pura.
O símbolo de Shiva é o Linga, ou Lingam, que significa falo. O
portador do mistério do principio criador que dá vida a novos seres e que
contém potencialmente toda a herança divina e a memória genética das espécies.
No Shiva Purana, Vidyeshvara Samhita, está escrito: “Shiva disse: Não sou
diferente do falo. O falo é idêntico a mim. Ele aproxima de mim os fiéis,
portanto é preciso venerá-lo. Meus bem amados! Onde há um linga, estou
presente.”
A união de Shiva-Shakti é representada pelo Linga depositado na
“argüia”, o seu receptáculo. A união do Lingan e da Ione é a integração das
polaridades masculina e feminina, o universo e a natureza em eterna
conjunção amorosa. Segundo as escrituras sagradas existem lingans exteriores e
interiores e imateriais, não perceptíveis, porém reconhecíveis por aqueles que
atingiram o conhecimento superior. As vezes o lingan é representado como um obelisco,
um pilar erguido no pátio dos templos dedicados ao deus. Shiva é adorado por
milhões de devotos em inúmeros templos espalhados por todo o território
indiano.
ASPECTOS DE SHIVA
Nataraja (O Senhor da Dança) –
Como Nataraja o deus executa sua dança cósmica denominada Tandava e assim
destrói e recria universos e mundos. Trás em uma das mãos o tambor Damaru que
tem a força de uma ampulheta, simbolizando a criação do espaço tempo, e quando
o deus bate o tambor o OM ressoa em todos os quadrantes do universo criado. Na
mão superior do lado direito ele carrega o fogo da transformação e transmutação
e a mão do braço inferior aponta para o joelho erguido enquanto ele se
equilibra num pé só e dança. Ele reprenta a possibilidade do êxtase da
superação dos limites do intelecto, para o contato com o divino para receber
mensagens de sabedoria. Como Lalatatilakam, ele tem oito ou dezesseis braços. E
tem um dos pés sobre o anão Apasmar, que simpboliza o eu inferior, enquanto o outro se ergue no alto.
Pashupati – O Senhor dos Animais
– O rebanho de Shiva-Rudra compreende todos os seres vivos, inclusive a
humanidade. Entre animais deuses e humanos a diferença está nos papéis que
representam e no nível de consciência. Como Pashupati, Shiva vela pela natureza,
pelos animais e pelos homens. Para tem criou os gênios das florestas, os gnomos,
as sílfides, sátiros, ninfas e devas (anjos). Pashupati chefia esses gênios e
se manifesta através deles no mundo natural. O deus tem como função ensinar aos
homens qual o seu verdadeiro lugar e qual o seu papel na natureza. Ele ensina
que os seres humanos são mais um dentre os elementos de uma totalidade, e que
essa totalidade é a obra de Deus.
Ardhanarishvara – O Divino Hermafrodita
– O Princípio Universal. Representado como homem do lado direito e mulher do
lado esquerdo. O poder de conceber e o poder de realizar, quando estão reunidos
se manifestam no limite entre o manifesto e o não manifesto, esse ponto se
chama “bindu”, é o ponto de partida do espaço tempo. É desse ponto que surge
“nada” o som sagrado que é a substância do universo. Interessante salientar que
o espaço é o princípio feminino e o tempo é o masculino. A divindade é feminina
e masculina. O deus no seu aspecto andrógino simboliza a superação dos opostos.
Sthanu- O Pilar de Sustentação –
Nesse aspecto o deus é representado como a coluna mestra do templo e sua
energia é a coluna mestra que sustenta o caráter dos homens e mulheres que o
adoram.
Mahadeva – O Grande Deus – Nesse
aspecto ele engloba Girisha, O Senhor da Montanha, é Bhava, o rei, Sharva, o
arqueiro, Shambhu o benévolo, Shankara, o todo auspicioso, e todos os outros
sob os quais se expressa.
Iogeshwara – Mahaiogue - nesse aspecto Shiva ensina aos seres do mundo
a religação, o ioga, o caminho do
autoconhecimento, da autorrealização e da comunicação sutil com diferentes
níveis de realidade.
Gajasura-Murti – O Protetor dos
Rituais – Nesse aspecto Shiva é retratado com um pé sobre uma cabeça de
elefante e uma perna erguida. Tem seis braços. Do lado esquerdo carrega o tambor
Damaru e uma flor de lótus no superior esquerdo a mão espalmada voltada para o
lado de fora. Nos braço superior direito um pequeno machado e nos dois
inferiores um “pasha” um laço e uma chama acesa. Protege os rituais oferecidos
ao Lingan.
Bhairava – O Terrível – É
representado de pé acompanhado de um cão. Tem os cabelos eriçados e em chamas. Tem quatro braços nos dois
do lado esquerdo carrega uma naja e um tridente nos da direita o “pash”, o laço
e uma cuia. Esse aspecto é reverenciado por marginais e pelos intocáveis.
Sadashiwa – O Eterno – També é
conhecido como Panchanana, o que tem cinco faces. É retratado com cinco faces e
dez braços. Nesse aspecto ele representa a criação, a preservação, destruição o
mistério e a redenção.
OS DEUSES VÉDICOS
Os
arianos védicos adoravam as forças da natureza e assim teve início o culto
animístico entre eles, isso trouxe a visão da natureza animada e inteligente.
Os fenômenos naturais exerciam enorme influencia na vida exterior e no universo
interior desses povos. Como os fenômenos eram inexplicáveis e assustadores foram
criadas para eles personalidades individuais, características, formas, égides e
domínios para que pudessem ser invocados pelas pessoas como entidades divinas.
E assim os fenômenos naturais assumiram gradualmente formas humanas, frutos da
imaginação coletiva para poder identificar os objetos de sua devoção, louvar e
eventualmente aplacar sua ira. A seguir vamos apresentar alguns dos principais
deuses védicos.
A
TRINDADE VÉDICA - Inicialmente a divina trindade védica se constituía dos
deuses Agni, Indra e Surya. Porém vários mitos da criação se referem a
Projapati, como do deus criador do
universo, do mundo e de todos os deuses. Dyaus era o nome do céu e Prithivi da
Terra e também eram considerados os pais de todos os seres e de todos os deuses.
AGNI
- O fogo sagrado e sacrificial foi
personalizado como Agni, e é considerado como o mensageiro luminoso entre os
homens e os deuses. Suas labaredas levam às intenções, os desejos, as orações e
os sacrifícios dos homens para o céu na esperança de receber graças. Ele é
representado com dois ou sete braços, duas cabeças e três pernas. Das duas
bocas saem chamas como línguas ardentes, e estas lambem a manteiga clarificada
“ghee” oferecida a ele nos rituais. A manteiga clarificada simboliza a
purificação da mente. Nas gravuras e estatuas Agni aparece montado em um
carneiro ou dentro de uma carruagem puxada por cavalos de fogo. Seus atributos
são o machado que abate para recriar, a tocha do fogo transmutador, e a lança
flamejante que indica ciminhos de transformação.
INDRA -
Ele é senhor de todos os elementos naturais, da fertilidade da terra e da
chuva. Seus domínios são os céus. Sempre que a seca avassala a terra e ameaça
as populações com a fome e a sede Indra é invocado para que envie as chuvas
redentoras. Indra o senhor dos exércitos de devas e elementais do ar comanda
inúmeros seres mágicos que produzem sons celestiais e organizam e formam as
nuvens. Estas por sua vez trazem as chuvas que eliminam os danos da estiagem.
Ele é representado montado em um elefante que possui três trombas e quatro
presas. O deus tem quatro braços e seus atributos são a espada que defende do
mal e ceifa para transformar, o arco e
as flechas que indicam a intenção e a determinação, um cetro como símbolo do
seu poder e um “vajra” curador. Interessante ressaltar que no Tibet o “vajra” já
era e é utilizado através dos tempos nos rituais de cura tântrica, trata-se de
um objeto que simboliza a união das polaridades, Indra é retratado algumas
vezes com dois braços apenas e olhos por todo o corpo.
SURYA -
O Deus Sol – É adorado como o criador do universo e aquele que engendrou Yama e
Yami as primeiras criaturas humanas sobre a Terra. Os seres correspondentes a
Adão e Eva na mitologia judaico cristã. Surya
também é conhecido como Savita. Ele percorre os céus sentado em uma
carruagem dourada, puxada por sete cavalos ou por um só cavalo com sete cabeças.
Ele é todo dourado e traz na cabeça uma coroa e atraz dele um resplendor. É
representado com duas mãos, em cada uma delas carrega uma flor de lótus ou
então com quatro braços e mãos, carregando delas uma flor de lótus, um disco
que gira em velocidade (chakra), um búzio e numa delas faz o “abaya mudra”, o
gesto que significa “não tema”. No hinduísmo moderno Surya ocupa uma posição
pouco significativa. Ele está entre os deuses associados aos planetas e
estrelas. Atualmente Surya vem sendo cada vez mais assimilado por Vishnu.
SOMA
– O deus do êxtase. Soma rege a mente humana e produz “amrita” que é o alimento dos deuses.
Ele é filho de Varuna, o senhor dos oceanos que lhe ofereceu o posto de deus da
lua. Os 36.000 deuses se alimentam da “amrita” produzida por Soma durante um
mês, e o fazem para poder conservar sua imortalidade. Isso enfraquece muito o
deus Soma seu corpo diminui aos poucos até que ele definha (as fases da lua).
Então, Surya, o deus Sol aquece os oceanos, e as águas vão até Soma como vapor
hidratante e então as suas forças são restituídas. E assim, ele volta a crescer
e a produzir amrita um processo contínuo. Ele também é conhecido pelo nome de
Chandra. É representado sentado numa flor de lótus sobre uma carruagem prateada
que tem a forma de dois cornos, e é puxada por um antílope. O deus tem dois
braços e com a mão esquerda abençoa enquanto a outra ergue um cetro, símbolo do
seu poder
VARUNA
– Inicialmente era considerado o regente da ordem cósmica. Seu olho único era o
sol e sua respiração os ventos. Reza o mito que depois de uma batalha entre os
deuses os vencedores definiram outra hierarquia e nova ordem de importância e
regência, e a Varuna coube apenas os oceanos, o que não é pouco, pois
corresponde a setenta por cento do planeta Terra. Ele é representado montado
sobre o lombo de um monstro marinho chamado Mekara, metade uma mistura de
peixe, tartaruga e antílope. Tem três ou quatro braços e seus atributos são a
serpente significando a sinuosidade das águas do mar e o laço semelhante ao ANK
egípcio simbolizando a trajetória do homem na busca de si mesmo.
VAYU-
O deus dos ventos, é também chamado Vata, o purificador. Nos hinos védicos ele
é descrito como infinitamente belo. Quando se locomove em sua carruagem celeste
puxada com cem cavalos brancos faz muito ruído e vai limpando a atmosfera e
renovando a vida permitindo que as semente se espalhem e as colheitas seja
abundantes. Vayu tem como atributos dois
estandartes brancos.
YAMA
– O Deus da morte foi em princípio o primeiro mortal. Foi morrendo que ele
encontrou o mundo dos mortos, e desde então é quem guia todos os seres depois
da morte para o seu reino invisível. Yama é também o deus que arbitra a morte,
define dia, hora e maneira de cada ser vivo morrer. Nas ilustrações ele é
representado com a pele verde e as vestes vermelhas. Está montado sobre um búfalo
ou um touro preto, e tem dois braços e duas mãos. Com uma das mãos faz o mudra
da ausência de medo e na outra carrega uma borduna simbolizando a coragem e o destemor.
VISHVAKARMA
- No panteão védico é o criador de todos
os deuses e de todas armas, atributos e veículos usados por eles. Ele criou o
universo e todas as coisas vivas, e por isso, cuida delas e as protege. Ele é o
patrono dos artesãos, dos músicos e de todos os artistas. É representado
sentado num trono e em volta do espaldar do seu assento estão representadas
várias ferramentas e pincéis. Tem quatro braços e quatro mãos numa mão inferior
carrega um livro simbolizando o conhecimento. Na numa outra carrega um jarro
com água simbolizando as águas do oceano primordial, a água da vida Nas mãos
superiores ele sustenta uma flauta simbolizando o som criador e um cetro
símbolo do seu poder.
KUBERA - Nos Vedas ele é citado como o senhor dos
“yakshas” espíritos que guardam os tesouros terrestres. É o guardião dos
Ponteiros do Compasso com o qual foi desenhado o mundo. É o deus da riqueza
material da prosperidade e da abundância. Ele é representado sentado num trono
ricamente decorado, coberto de jóias e trazendo uma coroa cravejada de pedras
preciosas na cabeça.Tem dois braços e duas mãos e seus atributos são um
mangusto, o animal imune ao veneno que simboliza a proteção contra a inveja,
uma borduna, simbolizando a luta pela sobrevivência, uma romã, símbolo de
abundância, um jarro d’água simbolizando a vida e um saco com moedas, a
riqueza.
OS DEUSES PURÂNICOS
Os
Puranas são narrativas sobre determinado deus ou deuses, incluindo seus
complementos femininos, suas Shaktis. Falam também sobre a morada cósmica dos
deuses, os chamados planetas superiores.
Narram
seus ensinamentos, suas encarnações, suas manifestações, seus poderes e feitos,
As narrativas também se referem a outros deuses que por ventura tenham feito
parte das façanhas do deus enfocado. Dos Puranas constam os deuses e deusas
anteriores à invasão ariana, embora o período védico também esteja representado
com deuses de menor representatividade.
AS ENCARNAÇÕES DE VISHNU – OS AVATARES
Segundo
as escrituras sagradas do hinduísmo, sempre que o planeta esteve ou estiver sofrendo
etapas de transformações e ou sofrendo devido a ação das forças negativas e
maléficas, Vishnu encarnou e encarnará na Terra. Essas encarnações são chamadas
avatares. Algumas aconteceram e outras acontecerão em diferentes períodos e
estágios da evolução planetária e humana.
MATSYA – O Homem-Peixe. Esta foi a primeira encarnação de Vishnu. Foi Matsya quem
orientou Manu, o ancestral do gênero humano, na missão de proteger os animais e
a humanidade, e preservá-los por ocasião de um grande dilúvio que inundaria a
Terra. Matsya pediu que Manu construísse um grande barco e nele colocasse
exemplares de animais e humanos. Quando o dilúvio aconteceu, Matsya conduziu o
grande barco e salvou a vida no planeta. Ele é representado metade homem e
metade peixe com quatro braços e mãos que sustentam as égides de Vishnu.
Matsya protagoniza a versão indiana do dilúvio bíblico.
KURMA – O Homem-Tartaruga. Esta foi a segunda encarnação de Vishnu. Nos primórdios,
deuses e seres demoníacos viviam batalhando constantemente, e em dado momento,
os seres demoníacos tornaram-se tão poderosos que os deuses, sentindo que
perderiam a batalha pelo enfraquecimento dos seus poderes, recorreram a Vishnu. O
deus ordenou que os demais deuses batessem o oceano até que ele se
solidificasse, de maneira que “amrita”, o alimento dos deuses, pudesse ser nele
depositado para que os deuses se nutrissem e pudessem vencer a batalha. Para
isso, Vishnu usou o monte Mandara como batedeira, e assumiu a forma de uma
tartaruga cujo casco serviu de base para sustentar a montanha, evitando que ela
soçobrasse. A seguir, Vishnu assume a forma de uma linda mulher cuja beleza
encanta os demônios e a luxúria neles despertada os enfraquece, permitindo
assim que os deuses fortalecidos saíssem vencedores. É representado metade
homem e metade tartaruga, e tem nas mãos a maça símbolo da luta pela
sobrevivência, o livro símbolo do
conhecimento, o búzio do som primordial e o disco girante simbolizando a
energia que move a vida.
VARAHA
- A terceira encarnação de Vishnu tem a
forma de um homem com cabeça de javali. Os mitos anteriores, esse e os demais que
falam sobre as sucessivas encarnações de Vishnu, referem-se aos ciclos de
evolução da vida no planeta. Varaha salva a deusa Prithivi, a Terra, quando ela
foi raptada por um demônio e levada para as profundezas do oceano. O
homem-javali mergulha no oceano, luta com o demônio e sai vencedor. Traz a deusa
de volta e a torna outra vez capaz de abrigar a criação. Ele recria a natureza,
e todas as criaturas vivas, também redesenha continentes e montanhas. Varaha é
representado como um homem de pé com cabeça de javali, e suas grandes presas
sustentam o planeta Terra, ele tem quatro braços e nas mãos carrega os
atributos inerentes a Vishnu.
NARASIMHA-
A quarta encarnação de Vishnu apresenta-se como metade homem e metade leão.
Como vemo,s as formas do deus encarnado vão se tornando mais complexas a cada
ciclo que se cumpre. Conta o mito que um homem chamado Hiranyakashipu desacatou
Vishnu e foi condenado pelo deus a viver sua vida como um demônio. Apavorado, recorreu a Brahma e dele recebeu uma graça. Brahma disse que ele estaria
protegido e que não seria ferido nem morto por nenhum tipo de arma ou animal
nem de dia nem de noite, ao ar livre ou em lugar fechado. Hiranyakashipu
tornou-se tão vaidoso, pretensioso e prepotente que passou a perturbar os
deuses. Vishnu decidiu intervir. Assumiu a forma de um homem com cabeça de leão
(nem animal nem homem), ocultou-se atrás de uma pilastra do palácio onde
morava o demônio Hiranyakashipu e o agarrou na hora do pôr do sol (nem dia nem
noite) exatamente na soleira da porta (nem fora nem dentro) e o matou com suas
afiadas garras (sem armas). Como vemos, ninguém foge dos desígnios e da ação da
divindade.
VAMANA
– A quinta encarnação de Vishnu inicia um ciclo de formas humanas. Conta o mito
que Hiranyakashipu, o demônio, tinha um neto chamado Bali que tornou-se rei.
Como rei ele era terrível, tão poderoso que conseguiu se apoderar dos três
mundos, e banir os deuses das regiões celestiais. O povo rogou pela intervenção
de Vishnu, o deus atendeu às preces e assumiu a forma de um anão. Pediu uma
audiência ao rei, foi recebido e pediu que Bali lhe concedesse um terreno, cuja
medida fosse apenas de três de suas passadas, para que nele pudesse sentar e
meditar. O rei concordou debochando do pedido, então imediatamente o anão se
transformou no gigante Trivikrama. Com uma passada o gigante cercou o céu, com
a segunda, a Terra, e quando o rei viu que com a terceira passada o gigante
cercaria o interior do planeta, rendeu-se. Bali percebeu que tinha sido
derrotado por Vishnu. O deus então lançou-o no vazio para todo o sempre e
assumiu o reinado. Vamana é representado como um anão de pé carregando um
guarda-sol aberto numa das mãos e na outra uma jarro com água.
PARASHURAMA-
É a sexta encarnação de Vishnu, e desta vez como um homem normal. Reza o mito que numa época distante existiam
constantes conflitos entre os brâmanes, os sacerdotes e os xátrias, os guerreiros,
as duas castas mais altas da sociedade hinduísta. Parashurama acabou com essas desavenças.
Por isso, ele é representado vestindo uma pele de tigre como um asceta e
carrega as armas de um guerreiro. Seus cabelos estão penteados como os cabelos
de um sacerdote e no rosto ostenta longas barbas e bigodes, ele carrega numa das
mãos um machado (parashu) e na outra um arco e flechas.
RAMA-
É a sétima encarnação de Vishnu, e o grande herói do épico Ramayana. A saga de
Rama narrada no Ramayana traz ensinamentos filosóficos e éticos e revela de
modo poético a história de deuses, seres demoníacos, homens e homens-macacos e
naves espacias, os Vimanas.. O rapto de Sita, uma encarnação da deusa Lakshimi,
é praticado por Ravana, um “asura” (ser demoníaco), que era o rei do Sri Lanka, e
isso desencadeia uma batalha chefiada por Rama. Nessa batalha ele conta com a
ajuda de seu irmão Lakshmana e de Hanuman, o homem-macaco. Hanuman, ao libertar
Sita do domínio de Ravana, perde a cauda, que se incendeia, e dá um enorme salto, atravessando
o mar de volta para a Índia. Uma alegoria que pode ser interpretada com um salto evolutivo. Rama derrota Ravana e quando de volta à floresta, agradece a
Hanuman por este ter resgatado Sita, dizendo-lhe que como recompensa lhe daria
qualquer coisa que pedisse. Hanuman responde que a maior recompensa seria poder
estar sempre aos pés de Rama, seu senhor. Por esta razão, Hanuman é considerado
o símbolo do devoto perfeito. Rama é o avatar que simboliza o Dharma, a Lei
cósmica em forma humana.
KRISHNA-
A oitava encarnação de Vishnu. Krisna vem à Terra para derrotar o rei demoníaco
Kamsa no reino de Mathura. Krishna nasce do ventre da princesa Devaki, irmã de
Kamsa e tem como pai o príncipe Vasudeva. Kamsa é avisado por um espírito que
do ventre de Devaki nasceria aquele que o mataria e por isso aprisiona a irmã e
o cunhado numa cela por anos e mata os filhos do casal assim que nascem. Quando
nasce Krishna, Vishnu aparece na cela e diz para Vasudeva sair da cela e levar
a criança para Nanda e Iashoda criarem. Vishnu liberta Vasudeva e este
atravessa o rio e entrega o filho a Nanda, o chefe de um clã abastado que acolhe
o menino e o cria como filho. O Bhagavata Purana narra com detalhes toda a vida
de Krishna e seus milagres. Krishna significa pele escura, por isso é representado
com a pele no tom azul escuro. No Mahabharata, a epopéia cósmica do homem sobre
o planeta, está inserida a Bhagavad Gita, A Canção do Senhor que narra a batalha
de Kurukshetra, e os ensinamentos universais de Krishna ao príncipe Arjuna. O príncipe do clã dos Pandavas, diante do avatar guerreiro,
representa a humanidade. Krishna é adorado por milhões de pessoas na Índia e
fora da Índia, e é representado como criança, como adolescente e como adulto. Como
criança chama-se Bala-Krishna; como adolescente Venugopala, o pastor que
apascenta o gado tocando sua flauta chamada Murali; e como adulto é o rei
guerreiro que restaura o Dharma na Terra.
BUDA
– O Buda, o Iluminado, é tido no hinduísmo como a nona encarnação de Vishnu. Diz
o mito que Vishnu assumiu a forma do príncipe Sidharta para pôr fim aos
desmandos dos sacerdotes brâmanes e purificar o hinduísmo das contaminações e
desvios de princípios. Para isso, ele ensinou o caminho do meio e como os seres
humanos podem se livrar da roda de “sansara”, a roda de nascimentos e mortes. É
representado como um homem jovem e esbelto sentado sobre uma flor de lótus, com
o rosto sereno e os olhos semi-abertos, em profunda meditação. Sua vestimenta é
amarela e despojada, e não usa nenhum adorno.
KALKI
- Esta que será a décima encarnação de
Vishnu, ainda não aconteceu. Segundo o Vishnu Purana, na presente era a humanidade
será envolvida por energias trevosas. Os valores morais, éticos e espirituais
serão ignorados, e a Terra conhecerá o desespero e a confusão generalizada.
Então, será o momento de Vishnu voltar a encarnar no planeta. Na ocasião ele
assumirá a forma de Kalki, o avatar. Kalki chegará brilhante com uma estrela, e
trará a restauração do Dharma, dos princípios e valores humanos. Ele restabelecerá
a lei e a justiça para salvar a raça humana e o planeta. Kalki é representado
como um jovem ricamente vestido e adornado montando um cavalo branco e
empunhando uma espada.
MAHADEVI – A GRANDE
DEUSA
A DEUSA E SEUS DIVERSOS ASPECTOS
O
Princípio Feminino Cósmico é identificado como Devi (deusa) e Mahadevi é a
Grande Deusa, a Mãe Divina. A deusa se apresenta sob os vários aspectos da
manifestação do feminino. A potência feminina se revela como fonte e berço de
todas as formas vivas, e por isso traz em si o poder de criação, manutenção e
destruição da vida. A deusa é uma e é múltipla, embora tenha muitos nomes e
formas. A Grande Mãe está presente em todos os seres, é o elo que nos liga à matéria, e ao mesmo tempo é através dela que nos libertamos dos apegos que nos prendem ao mundo.
KALI-
A POTÊNCIA DO TEMPO
É
o aspecto da Devi que representa o princípio de onde tudo surgiu e para onde
tudo retorna. Kali é a deusa que permite a dissolução dos condicionamentos
temporais, ela destrói o medo de viver a vida e da finitude, a morte. Mãe Kali oferece
aos seres humanos, pela sua energia avassaladora, a liberdade de viver a
plenitude do momento presente, e desse modo exercer a coragem, a autoconfiança
e aceitação do poder pessoal. Ela é representada com os mesmos atributos de
Shiva enquanto potência destruidora. É representada em geral destruindo
demônios, que representam as forças maléficas externas, e os defeitos e más
tendências internas de quem a invoca. Kali é invocada também como protetora
contra influências nefastas das ações dos inimigos. Os fiéis costumam entoar
mantras dedicados a Kali pedindo clemência diante das agruras e desafios da
vida, assim como a superação do karma negativo. Ela é representada sempre em
movimento, o corpo azul escuro ou preto adornado por crânios e serpentes, traz numa
das mãos uma foice erguida. Kali é a deusa que rege os ciclos da vida de
nascimentos e mortes.
DURGA
É um dos mais venerados aspectos de Devi. É adorada como incorporação dos
elementos da natureza, elementos estes que, unidos, criam e mantêm as formas de
vida e para onde a vida manifestada retornará. Reza o mito que Durga, no início
do Dia de Brahma, recebeu o dom de ser o elemento ativo, a Shakti do Absoluto
Impessoal, o aspecto feminino da divindade. Ela é chamada a Inacessível, a
Grande Mãe, ela é a primeira emanação feminina de Shiva. Durga é a deusa que
nutre, protege e renova a natureza, os animais e as pessoas. Porém, ela é
principalmente uma deusa guerreira, lutando constantemente para defender a Terra e
a humanidade contra os demônios representados pela ignorância espiritual: egoísmo,
despeito, ira, cobiça, inveja, despotismo, desrespeito, desonestidade e outros
antivalores. Um dos mais importantes festivais devocionais da Índia é dedicado
a Durga; esse festival se chama Navarathri, e tem a duração de nove dias e
noites.
AMBA
Esse aspecto da deusa representa a Mãe do Mundo, e data do período pré-védico.
Ela é representada como uma linda mulher de dorso nu coberto por jóias. Na
cabeça tem uma coroa de pedras preciosas. Ela está sempre sentada em um coxim e tem dois braços e duas mãos. Numa das mãos ela
segura uma flor de lótus e com a outra ampara um bebê, enquanto o amamenta. Amba
é a deusa-nutriz; representa a maternidade como evento divino. Seus fiéis
oram a ela rogando perdão pelos seus erros, pelo aconchego generoso do divino colo
materno e pelo cuidado amoroso.
CHAMUNDI
É o aspecto da deusa que destrói a ignorância espiritual. Ela é a Shakti cuja
energia elimina os maus instintos e os vícios. É representada montada numa
coruja, um símbolo de vigilância, atenção e sabedoria. Algumas gravuras e
estátuas mostram-na com quatro braços e outras com dez braços e mãos. Os seus
atributos incluem uma lança, símbolo de luta e coragem, uma tijela em forma de
crânio, representando a transitoriedade da vida, um escudo, uma espada e um
machado, símbolos de transformação. Chamundi é uma deusa guerreira.
MAHESHWARI
É a deusa que liberta os seus fiéis das
garras da ganância.É parceira de Shiva e
como ele se manifesta como energia transformadora. É representada sentada sobre
o dorso de um touro branco. Tem três olhos abertos simbolizando a visão
transcendental, quatro braços e mãos, e seus atributos são a lança e o “japamala” (um tipo de terço, com 108 contas), a lança significa a batalha contra a ganância e a
cobiça desmedida; o japamala simboliza a devoção e a disciplina mental.
INDRANI
É a deusa que combate a raiva, a ira. É um aspecto da Shakti associado a
Indra. É representada montada sobre um elefante branco e traz na cabeça uma
coroa, tem quatro braços e quatro mãos e nas mãos carrega uma lança, uma seta
em forma de raio simbolizando o domínio sobre a ira, uma flor de lótus, e uma
serpente simbolizando o estado de alerta necessário para não se deixar dominar
pela raiva.
Ma Durga
Kali Devi
Pranam Mantra
OM – SARVA MANGALA
MANGALYE
SHIVE
SARVARTHA SADHIKE
SHARANYE
TRYAMBAKYE GAURI
NARAYANI NAMOSTUTE
SRISHTI STHITI
VINĀSHĀNĀM
SHAKTIBHUTE SANĀTANI
GUNĀSHRAYE GUNĀMAYE
NĀRĀYANI NAMOSTUTE
SHARANĀGATA
DINĀRTA
PARITRĀN
PARĀYANE
SARVASYĀRTI
HARE DEVI
NĀRĀYANI
NAMOSTUTE
KALI KALI MAHAKALI
KALIKE PAP HARINI
DHARMA KAM PRADEDEVI
NARAYANI NAMOSTUTE
KALI KALI MAHAKALI
KALI KE PAP
HARINI
SARVA – VIGNA
HARE DEVI
NARAYANI NAMOSTUTE
JYANTI MANGALA KALI BHADRAKA
KALI KAPALINI
DURGA KSHAMA SHIVA DHATRI SWAHA SWADHA NAMOSTUTE
DURGA KSHAMA SHIVA DHATRI SWAHA SWADHA NAMOSTUTE
JAY TWAM DEVI
CHAMUNDE
JAY BHUTATRI HARINI
JAY SARVA GATE [devi]
KALARATRI
NAMOSTUTE
DURGUE MA
TEKI – JAY
SRIMMAHA KALI
MA TEKI – JAY
(OM! Ela é a mais auspiciosa entre todas.
A Causa de todo o sucesso. OH, Gauri de três olhos [a Brilhante], nós te reverenciamos! Oh Narayani! Oh, Divina Mãe!
Eu me curvo à Eterna
Narayani, a divina manifestação da energia da criação, da preservação, da
destruição. A essência que permeia as três gunas [Inércia, movimento e
essência].
Aquele que sempre tem bons pensamentos para os outros,
que tem uma mente pura, este é sempre abençoado. O Senhor é ao mesmo tempo o
Criador e o Destruidor, assim ao que está pleno de virtude e deseja o bem aos
outros, este é sempre abençoado. Ao que age com compaixão aos outros, este é
sempre abençoado.
Nossa Reverência a Narayani! A Geradora, a Mantenedora e a Destruidora. O centro remoto de toda a
energia, a base da natureza.
Eu te reverencio,
Divina Narayani. Tu que a todo instante cuidas de aliviar os sofrimentos de
todos os seres: dos pobres, dos desesperançados e de todos aqueles que em Ti se
refugiam.
Oh, Grande Mãe Kali, Deusa Suprema, Mãe Graciosa, fonte
da bem-aventurança, nós reverenciamos a
Ti, Divina Mãe do Universo.
Oh, Kali, a de divino nascimento! Oh,
Bhadra kali!
Vitória à destruidora de nossos demônios!
Vitória à salvadora de todos os seres!
Vitoriosa sejas em toda parte.
Oh Mãe, negra como a noite,
Permita que eu me entregue a Ti,
completamente.
DEUSA GAYATRI
A DOADORA DA LUZ - A DEUSA DA VIDA
A DEUSA LAKSHIMI
Na cosmologia hindu, Brahman (Aquele que se expande) é o idealizador do universo, dos mundos e de tudo que
existe. Para realizar seu plano divino, Ele necessita de um poder executivo, uma
energia. Essa energia chama-se shakti, que é, portanto, Sua potência de
manifestação, Seu complemento executor. A Trimurthi (trindade) Brahma, Vishnu,
Shiva, representa a energia criadora, mantenedora e transformadora de Brahman,
Aquele que É, OM TAT SAT. Sem os seus respectivos complementos femininos, esses
aspectos e extensões do Inominável, não são capazes de movimento nem ação. A
shakti representa esse poder de materialização e movimentação. A força de
coesão, a força centrípeta, que permite a organização da matéria manifestada e
a mantém coesa é Vishnu, e seu complemento feminino, sua shakti é a deusa
Lakshimi. A deusa é o receptáculo gerador da Vontade do deus, a potência que
materializa, mantém e unifica a criação. A manifestação física de um mundo cuja
natureza é energia exige dois polos. A substância material é a corrente
energética que une esses dois pólos. A matéria é energia organizada no
espaço-tempo e Vishnu-Lakshimi são os regentes e responsáveis pela dinâmica da vida
manifestada.
A deusa tem muitos aspectos. Como Lakshimi ela é o Princípio Feminino
Sagrado que derrama sobre nós a beleza, a harmonia, a sensibilidade, a
gentileza, o carinho, o acolhimento, a unidade, a superação dos opostos e o
respeito pelas diferenças. Ela é a deusa da abundância e da prosperidade no
sentido amplo da palavra. A deusa Lakshimi promove no coração dos seres humanos
a descoberta do verdadeiro sentido de prosperidade, ela ensina a alegria de
compartilhar, e ensina que prosperar não significa apenas acumular. A deusa nos ensina
que a abundância e a prosperidade têm como fonte o amor, a responsabilidade, o
serviço e a plenitude do ser. Ela mostra que o caminho para a abundância e a felicidade é o exercício consciente dos nossos talentos, do nosso poder pessoal, pela
prática diária dos valores humanos visando a transmutação de defeitos e hábitos
nocivos.
A deusa orienta nossa mente para o Bem, a Beleza e a Verdade, e
fortalece a fé e a confiança na Presença Divina que vibra e brilha em nosso
coração. Mãe Lakshimi promove encontros onde haja desencontros, cria novas
consonâncias onde haja dissonâncias, novas perspectivas onde haja acomodação, entusiasmo
onde haja desânimo, harmonia onde haja tensões, e encantamento onde haja
desencanto. Mãe Lakshimi é o poder ilimitado, inesgotável, que não pode ser
contido, que está em toda parte e nunca deixará de existir. Cantar hinos e
mantras invocando e louvando Seu Nome resulta num jorro de amor e bênçãos de
generosidade, fartura e liberação da estreiteza mental, e da escassez
limitadora tanto material quanto espiritual.
O sânscrito, como todo idioma
sagrado, contém sons harmônicos que ao serem entoados com a pronúncia correta
e no ritmo adequados, acrescidos de amor e devoção, ressoam e reverberam na
frequência energética do aspecto divino que está sendo invocado e louvado. Os
hinos védicos reverberam nas oitavas e dimensões superiores do universo e
estabelecem conexões espirituais sagradas. Que Mãe Lakshimi derrame sobre nós
Seu doce e materno olhar, e nos acolha e proteja com Seu amor infinito concedendo,
saúde, alegria e prosperidade hoje e sempre.
Mantra de Lakshimi:
OM NAMO
MAHALAKSHIMIEY NAMAHAH!
A DEUSA PARVATI
Para
falarmos sobre a Deusa Parvati - cujo nome em sânscrito significa “montanha”, a
Senhora dos picos nevados do Himalaya – temos que nos remeter a Sati, a
primeira shakti de Shiva. Parvati é considerada uma reencarnação de Sati a
filha de Daksha rei e sacerdote ariano que não aceitava Shiva como deus e o
excluiu do grande sacrifício do cavalo. Este era o mais importante de todos os
sacrifícios védicos oferecidos pelos reis aos deuses. Desgostosa e indignada, Sati lança-se no fogo sacrificial e é incinerada. Anos depois ela reencarna
como Parvati, a filha do Senhor do Himalaya, o deus Himavat. O sofrimento de
Shiva foi tamanho pela morte de Sati, que de tanta dor isolou-se tendo
permanecido por muito tempo imerso em profunda e silenciosa meditação. O deus
Kama o desperta e isso o enraivece profundamente, e quando Shiva lança o olhar
fulminante do seu terceiro olho sobre o deus do desejo, este é reduzido a
cinzas. Embora Kama tenha perdido desse modo uma de suas vidas, foi
ressuscitado por Shiva posteriormente por intervenção de Parvati. Depois de
desperto, Shiva, o residente do monte Kailasa, caminha com seu exército de
elementais pelo Himalaya, e é visto por Parvati, que se enamora perdidamente
dele. Para obter o amor de Shiva, Parvati teve de seguir o caminho da
austeridade, da mais restrita disciplina e da virtude absoluta. Após anos de
sacrifício, a deusa consegue que Shiva se case com ela. Durante a cerimônia do
casamento Parvati exigiu que Shiva executasse o “sapta padi”, os sete passos no
sentido norte, acompanhados de sete oblações em prol da felicidade do casal
tanto na dor quanto na alegria. Durante o ritual do matrimônio o casal troca
jóias simbólicas e guirlandas de flores, e dão a volta em torno de um altar
central onde arde o fogo sagrado, o “agni-homa”. Devido a essa exigência da
deusa, na Índia assim se celebram os casamentos, e em março ou abril dependendo
da fase lunar, é celebrado o “Gangaur”, um ritual oferecido visando a felicidade
dos casais. Nessas ocasiões, as mulheres oferecem flores e frutos à deusa e
cantam mantras a ela dedicados.
A deusa Parvati é a protetora dos casamentos,
da família, do amor, da fidelidade, da pureza e da fertilidade. A origem da palavra família “parivar” é
Parvati a deusa da virtude, da disciplina, e aceitação e rendição à divindade.
Ela é a Shakti bondosa, terna e acolhedora que cuida de todos os seus filhos
com infinito e incondicional amor maternal. Ela é quem os protege, inspira e
guia pelos caminhos intrincados da lei do carma. Na sua representação, quer
esteja sozinha ou acompanhada de Shiva, ou de Ganesha (seu filho
autoengendrado, fruto de sua própria substância sem intervenção de Shiva), o
semblante da deusa é sempre sereno, e expressa prazer, alegria, amorosidade e
doçura.
Parvati é
representada com lindas vestes e jóias, de pé ou sentada sobre um lótus aberto,
e pode apresentar dois ou quatro braços com duas ou quatro mãos
respectivamente. Na mão direita porta um japamala símbolo de “tapasia”, ascese
e disciplina. Na mão esquerda porta um espelho, símbolo da busca interior pelo
autoconhecimento, e a ascensão espiritual. Caso seja representada com quatro
braços, a mão direita superior exibe o “abaya mudra” o gesto de proteção,
ausência de medo. A mão esquerda superior exibe o mudra da bondade. Na mão
direita inferior carrega uma lança ou dardo como símbolo da retidão e
disciplina espiritual. Finalmente na mão esquerda inferior exibe um cinzel,
símbolo do burilamento das arestas do temperamento e do caráter.
A DEUSA SARASWATI
Reza um dos mitos que Saraswati e Brahma viveram na Terra no
Himalaya, junto com outras deidades. Depois a deusa se deslocou para o deserto
de Thar em Pushkar, no Rajastão e continuou peregrinando pelas florestas que
existiam antigamente na Índia e hoje estão bastante devastadas. No plano superior, espiritual, sua morada é
Bramhaloka, o planeta de Brahma, um dos mundos celestiais. Seu veículo animal é
um cisne branco (“hansa”). Com ele ela se locomove pelos espaços siderais.
NAVARATHRI – As nove noites de DURGA
FESTIVAL EM
LOUVOR DO PRINCÍPIO FEMININO CÓSMICO
Durga é um dos aspectos femininos do Senhor Shiva. A deusa é a
potência que organiza o caos e define possibilidades. Seu poder manifesta a diversidade
da vida no universo, e a natureza é a sua roupagem externa na manifestação material.
É a força que gera e concretiza a Vontade de Deus Pai como Criador, Mantenedor
e Transformador. A Mãe Divina se apresenta de diferentes formas e tudo que
existe são formas pelas quais a vida se expressa, pulsa e vibra. A Deusa Mãe
Durga também é conhecida por outros nomes como: Parvathi, Kali, Sati, Uma,
Amba, Gauri, Maheshiwari, etc., mas apesar de ter tantos nomes Ela é única na
sua essência, atuação, manifestação, e poder.
Durga é uma Deusa multidimensional cujo poder abrange
muitos mundos, tem muitos nomes, muitas personalidades, aspectos, arquétipos e
ações multifacetadas. Como Mahishasura,
Ela é destruidora do mal; como Sati Ela é fidelidade e renúncia. Por amor,
respeito e solidariedade a Shiva (a energia transformadora), ela tudo enfrenta. Como Sati, por amor solidário a seu esposo divino deixou o seu corpo ser consumido
pelas chamas na pira ardente, porque não suportou ver Shiva, seu amado, ser
destratado durante um ritual onde todos os deuses foram convocados, exceto ele.
Ela enfrenta seu pai Daksha, que promovia o grande sacrifício do cavalo branco, sacrifício
védico restrito aos reis. Daksha derrama sua ira ariana sobre os shivaistas
dravídicos, e a morte de Sati desencadeia a revolta destruidora de Shiva, conforme é narrado no Bagawatam, (escritura sagrada hindu). Essa narrativa nos
ensina que o caminho da deusa é a entrega ilimitada e irrestrita ao divino.
Como Kali, Ela se apresenta negra como a escuridão da noite, é o humos da terra
fértil, e é onipotente, justiceira, guerreira temível, força avassaladora
contra o mal e as iniqüidades dentro e fora de nós. Kali é a potência do
Feminino que elimina demônios internos e externos. Mãe Kali dança
freneticamente nos infinitos azuis e tem como única vestimenta uma guirlanda
feita de caveiras, exemplificando que a vida é movimento cíclico, e que tudo é transitório
e perecível na existência material. Kali expõe a Verdade e destrói falsos
pudores, preconceitos, e padrões impostos pelos falsos valores e desejos que
criam necessidades artificiais. Como Parvati,
Ela é doce e serena, compreensiva, é a potência acolhedora e compassiva, a
fiel, amorosa e inseparável consorte do Senhor Shiva. Pavarti permanece sempre
ao lado esquerdo d’Ele nos picos brancos e congelados do Monte Kailash no Himalaya,
agindo como complemento incondicional do Seu poder. Ela também é Amba (Mãe Protetora),
Jagaddhatri (Sustentadora do Universo), Tara (Estrela Refulgente que guia os
caminhos dos seres humanos em direção a Luz), Ambika (Mãe Carinhosa que perdoa
e indica caminhos e soluções), Annapurna (Doadora de Alimento, Nutriz do corpo
e da alma). Todas são representadas como mulheres belas, ricamente vestidas e
adornadas com jóias em profusão, representando beleza, harmonia, acolhimento,
doçura, fartura, prosperidade e generosidade.
OS TRÊS
PRINCIPAIS ASPECTOS DA SHAKTI
A Deusa Mãe Durga representa o poder de ação do Ser
Supremo (O Poder Cósmico) que destrói enganos, revela a verdade, inspira a
espiritualidade, estabelece a ética e preserva a moralidade. Ela permeia a
retidão de propósitos na criação. Seu poder faz com que todos os reinos da
natureza cumpram seu dharma, a função para a qual foram criados.
A deusa
liberta de karmas (ações) negativos, os frutos da ignorância espiritual, todos aqueles
que se propõem honestamente a superar seus defeitos, erros e limitações. Durga também é considerada a expressão máxima
da Mãe Divina. Protege a humanidade do
mal, da miséria e das doenças, destruindo energias negativas (forças maléficas)
como egoísmo, orgulho, ciúmes, intolerância, inveja, mentira, ódio, preconceitos,
dissimulação, manipulações, disputa e outras manifestações inferiores do ego
personalidade.
A adoração à Deusa Durga
é muito popular entre os hindus. A Divina Mãe é um dos principais pilares de
sustentação da fé hinduísta.
Existem muitos templos dedicados à adoração da
Deusa Durga e a todos os demais aspectos da Divina Mãe, inclusive Bharata, a
Mãe Índia, cujo templo está Benares, e é venerada como terra sagrada, morada
de homens-deuses.
EM SUMA:
Lakshmi é também um dos mais adorados aspectos da Mãe Divina,
é a expressão da beleza, da doçura, da harmonia, da criatividade, enfim, do
esplendor do feminino. É a Mãe protetora e fiel consorte de Vishnu, a energia
mantenedora da vida. Lakshimi é a provedora da harmonia no lar e na vida, da
beleza, física e espiritual, saúde e prosperidade, promove abundância de
realizações materiais e espirituais, é a responsável pela manutenção do sonho
de Vishinu, a Maya que resulta na manifestação concreta da vida no planeta.
Enquanto Vishnu dorme e sonha ela acaricia seus pés para que ele não desperte
do seu sonho e não aconteça a destruição da criação. É representada como uma
linda mulher coberta de jóias, sentada ou de pé sob um lótus aberto; ricamente
vestida de vermelho e dourado, e vertendo moedas de ouro pelas mãos. Ganesha, o
discernimento, a inteligência cósmica, a Força que elimina os obstáculos
internos e externos está sempre com Ela. Saraswati ou Vach é o Verbo, o Som
criador. É a consorte de Brahma e o aspecto da Shakti (O Princípio Feminino
Cósmico) que elimina a ignorância e concede brilho a inteligência, aprimora a
intuição, e é a patrona das artes e da ciência, promove sabedoria, é a senhora
do conhecimento intelectual e espiritual. Saraswati é o aspecto da Shakti, (energia
feminina), que concede revelações. É representada como uma linda mulher,
vestida de branco e dourado, adornada com jóias, e sentada num cisne branco,
está sempre tocando a “vina”, um instrumento de cordas que emite o som do OM, o
Som Primordial, o Pranava, aquele que é eternamente louvado e renovado. Cada um
desses aspectos da Deusa é adorado durante o festival a ela dedicado por três
dias totalizando nove noites, NAVARATHRI. O décimo dia é o Dia da Vitória. O
dia de Ação de Graças e glorificação ao poder da Divina Mãe.
Nas Suas estátuas e imagens impressas em gravuras, a
Deusa Durga é representada simbolicamente como uma belíssima mulher, adornada
com jóias magníficas e vestida com roupas de seda vermelhas e bordadas de
dourado, resplandecendo de beleza e emanando poder. Ela possui dezoito braços carregando vários
objetos nas mãos. (Para cada objeto que Ela carrega nas mãos existe um
significado simbólico específico, que enfatiza seus poderes). Nas suas
representações, Durga carrega as égides de Shiva, evidenciando ser sua extensão
feminina. A cor vermelha simboliza ação, e as roupas vermelhas significam que
Ela está sempre em movimento destruindo as forças do mal, e protegendo a
natureza e a humanidade de dores e sofrimentos causados pela influência da ignorância
que contamina a alma e resulta em atuações malignas. Mãe Durga é iluminada e reluzente como a Lua,
monta o leão ou o tigre, seu veículo animal, (significando domínio sobre o ego
inferior e as emoções instintivas, poderosas e selvagens). Carrega em suas mãos várias armas,
significando Sua prontidão de guerreira para destruir o mal a qualquer momento,
e possui o brilho intenso do fogo divino destruidor e transformador. Mãe Durga
tem o poder de mostrar onde a divindade interna se oculta e propiciar o
encontro da alma com sua origem cósmico-estelar.
MANTRA DE DURGA:
Jay Durga Jay Jay!Jay Lakshimi Jay! Jay Sarasvati! Jay
Parvati! (Vitoria à Divina Mãe!)
PERIODO ÉPICO
HERÓIS E SEMIDEUSES
Com
o decorrer do tempo os povos indo-arianos que eram nômades foram se
sedentarizando. Eles se fixaram no norte da Índia e começaram a construir cidades. Foi quando as
diferentes culturas locais começaram a se misturar com os arianos. Os conceitos
de Brahman e do Atman, como o Princípio Todo Imanente, e a essência divina presente
em toda a criação se expandiu. As Upanishads divulgaram a doutrina do vedanta,
a filosofia monista denominada “adwaita” defendida pelo filosofo e asceta
Shankaracharya, a visão não-dualista da existência. Nesse período também apareceram
os conceitos de carma, reencarnação e autorrealização.
No extremo norte da
Índia, atual Nepal, o príncipe Sidharta Gautama vivia sua experiência de
autoconhecimento. Experimentando os extremos descobre o caminho do meio, na
busca da libertação da contínua roda de “sansara”, o ciclo de nascimentos e
mortes. Sua busca resulta no Budismo. Os ensinamentos do Buda influenciaram o
desenvolvimento do Hinduísmo.
Nos séculos seguintes, dois grandes poemas épicos
foram escritos, o Ramayana e o Mahabharata, essas escrituras narram fatos
históricos, apresentam pensamentos filosóficos, retratam a organização das
castas sociais vigente na época, as leis, os rituais mágicos e ensinamentos
espirituais. As duas escrituras trazem relatos épicos e heróicos sobre reis, suas
esposas, seus filhos, seus clãs; e descrevem as batalhas travadas entre os que defendiam
o Dharma, a Lei Cósmica Eterna, e aqueles que afastados do Dharma, pretendiam
dominar o planeta. Os heróis nessas narrativas têm sempre a ajuda de deuses, e
são também desafiados por esses deuses, que por sua vez lhes confiam tarefas extraordinárias
como maneira de transmitir seus ensinamentos. Alguns heróis por sua bravura e
pureza de espírito tornaram-se semideuses. Nesses dois poemas épicos, historia,
filosofia, mitologia e espiritualidade se interligam e apresentam uma
integração do conhecimento sem paralelo na literatura mundial.
O MAHABHARATA
O Mahabharata
(A Grande Bharata, antigo nome da Índia), foi escrita pelo sábio Vyasa, e narra
as aventuras do clã dos Kurus. Seus protagonistas são duas facções que entram
em desacordo devido a diferenças de valores e princípios. Os Kurus se dividiram
e entraram em guerra. De
um lado os Pandavas, filhos de Pandu, que defendiam o Dharma, e de outro os
Kauravas, os filhos de Dritarashtha, que visavam não apenas o trono, mas, o
domínio do mundo, e por isso eram contrários ao Dharma. Nessa ocasião, Vishnu
assume pela oitava vez a forma humana, Krishna avatar. Sob sua orientação e proteção a batalha de
Kurukshetra (o campo dos kurus) é vencida pelos Pandavas. O mais velho dos
Pandavas, chamado Yushistira, é então coroado rei do mundo por Krishna, tendo
como missão fazer o Dharma vigorar na Terra.
A Bagavad Gita (A Canção do
Senhor) está inserida no grande épico. Trata-se do diálogo entre o príncipe
Arjuna, um dos cinco Pandavas, com Krishna na véspera da batalha. O príncipe inquieto
e cheio de dúvidas tem uma crise de consciência e titubeia diante da iminência
da batalha. Krishna então dialoga com ele, dando-lhe lições de valores morais,
éticos e espirituais, valores estes que são os fundamentos do hinduísmo moderno.
O príncipe, induzido por Krishna, mergulha no seu interior, e depois de profunda
auto-análise emerge renascido de si mesmo disposto a batalhar pelo Dharma. A
Bagavad Gita é a mais conhecida das escrituras sagradas da Índia. É considerada, juntamente com o Tao Te King de Lao Tzé e o Sermão da Montanha de Jesus um dos mais belos textos produzidos pela humanidade.
OS PANDAVAS
Os Pandavas são heróis e
semideuses do hinduísmo. Yushthira, Bhima, Arjuna, Nakula e Sahadeva são os cinco
filhos de Pandu e da Rainha Kunti. Como o rei era estéril eles foram concebidos
através de mantras entoados por Kunti. A rainha quando jovem recebeu de um
“rishi”, um sábio capaz de falar com os deuses, o dom de invocar através de
sons mântricos a presença de qualquer um dos deuses. Seus filhos foram frutos
dos sons sagrados por ela emitidos, o poder desses mantras permitiu que
houvesse a conjunção de Kunti com a energia do deus por ela invocado.
OS SEMIDEUSES NO MAHABHARATA
Yudishthira –
O filho do Dharma.
Bhima- Filho de Vayu. O deus
dos ventos.
Arjuna – Filho de Indra, o
deus das hostes celestiais, o maior de todos os semideuses.
Nakula e Sahadeva são filhos
de Madri, a segunda esposa de Pandu, e nascem também de um mantra que Kunti
entoa a pedido da amiga.
São os gêmeos vindos da
constelação do mesmo nome.
Bishma – O maior de todos os
guerreiros que por seu caráter e pureza de espírito obteve dos deuses a graça
de escolher o dia, a hora e a maneira de morrer, tendo sido assistido e
conduzido por Krishna durante sua passagem para a dimensão superior.
Existem
templos a eles dedicados, o mais antigo e também o mais belo se encontra na
cidade de Mahabalipuram. Uma cidade onde a maioria dos moradores são
escultores, pintores e tecelões por isso é conhecida como a cidade dos
artistas.
O RAMAYANA
Historicamente
o Ramayana narra a trajetória do povo ariano à medida que se desenvolvia e se
tornava uma nação bem organizada, bem armada com exércitos e estrategistas
militares competentes que conquistavam feudos e povoados expandindo-se na
direção do o sul da Índia. Do ponto de vista mítico, é uma história de heroísmo,
retidão, fidelidade, obediência, renúncia e solidariedade. É também uma
história de amor devotado.
Vishnu decide pela sétima vez assumir forma humana,
e para isso escolhe nascer como Rama, filho de Dasharatha, o rei de Ayodia. O
rei queria que seu filho muito amado fosse o regente, mas, uma de suas esposas
conspirou e conseguiu que o rei banisse Rama do reino, e exigiu que o rei desse
a regência ao filho dela. Rama parte para o exílio com Sita sua esposa, e um
meio-irmão chamado Lakshmana. Na floresta um “rishi” se encarrega de ensinar
aos jovens a sabedoria eterna, o Sanathana Dharma, e as estratégias e
obrigações que um rei e guerreiro precisava
conhecer. Certo dia o rei demoníaco Ravana, da ilha de Lanka (Sri Lanka) que
tinha poderes mágicos, e grande conhecimento intelectual, mas não tinha caráter
nem pureza de espírito, viu Sita, e a desejou para si imediatamente. Para obter
a satisfação do seu desejo concebeu um plano e a raptou. Ravana levou Sita
consigo para o Sri Lanka. Rama e Lkshmana quando voltaram da caça perceberam o
ocorrido e foram ao encalço de Ravana. No caminho encontraram Sugriva, o rei
dos macacos, e este quando soube do ocorrido pede a seu filho Hanuman que
chefie o exercito de macacos, e ajude
Rama a libertar sua esposa Sita. Rama usa seu poder divino e desloca milagrosamente
muitas pedras de uma pedreira, e pede aos macacos que construam uma ponte feita
de pedras flutuantes. A ponte flutuante ligava o continente a ilha de Lanka,
onde travou-se uma batalha terrível entre Ravana, e Rama, Lakshmana e os
exércitos de macacos comandados por Hanuman, e o exército de gigantes
demoníacos do rei de Lanka. No Ramayana as batalhas aéreas travadas pelos
heróis dentro de naves espaciais chamadas Vimanas impressionam por narrarem a
atuação de veículos aéreos e da utilização de armas chamadas “astras” que são
descritas como foguetes de enorme poder destrutivo. Sob o ponto de vista
espiritual, Rama é a fonte dos valores humanos e espirituais, e Ravana, o
exemplo do poder destruidor de um intelecto sem ética e de poderes mágicos sem
pureza de intenções. Como Ravana não vivia valores éticos e espirituais, não
conhecia limites para seus desejos e terminou como vitima de sua própria
ignorância espiritual, sua cobiça, inveja e luxúria desmedidas.
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Lakshmana, Rama, Sita e Hanuman |
Hanuman é um
semideus muito adorado em toda a Índia, simboliza o homem dotado de natureza,
animal, humana e divina.
Ele representa a supremacia do humano sobre a natureza
animal e do espírito sobre a matéria pela entrega do corpo e da mente a serviço
da vida e da divindade. Lakshmana representa a solidariedade fraterna e o amor
incondicional, e também a fé e a confiança nos desígnios divinos. Sita é a entrega
e a fidelidade amorosa, e sendo Rama o avatar, e ela uma encarnação da deusa, e
a deusa uma expressão da Mãe Terra, o resgate de Sita é o resgate do planeta.
Quando Hanuman dá o salto saindo de Lanka de volta à Índia carregando Sita nos
braços e se humaniza perdendo a cauda, vemos a representação do salto quântico,
o salto de qualidade concedido na ocasião por Rama, o avatar, a toda a
humanidade.
Segundo
a mitologia hindu, o universo nasce da vontade de Brahman e se desenvolve em
ciclos que obedecem a determinados ritmos. O universo é criado, expande-se, é destruído
e recriado de acordo com esses ciclos. Um dia da vida de Brahma, a expressão da
criatividade de Brahman, tem a duração de 4.320.000.000 de anos terrenos, mais esse
mesmo tempo para a noite, multiplicado por 30 (o número de dias de cada mês),
multiplicado por 12 (os meses do ano) e multiplicado por 100 anos. As divisões
das unidades de tempo dos homens são diferentes das unidades dos deuses. Um dia
divino corresponde a 360 dias humanos tendo como base o círculo de 360 graus.
Cada grau corresponde a um dia e o ciclo completo da Terra em torno do sol é um
dia divino. Um ano divino é igual a 360 anos terrenos.
CICLO CÓSMICO
IDADE
DO UNIVERSO E DIVISÕES DO TEMPO
É
fascinante imaginar que faz mais de três mil anos que esse povo se valeu da
matemática para conceber um começo e um fim para o universo. Mais fascinante
ainda é ver que a mesma matemática permitiu que físicos quânticos teóricos
criassem a teoria das cordas e especulassem baseados nela sobre a possibilidade da existência dos multiversos.
Caso essa teoria se confirme, seria tão importante quanto o foi a teoria de
Copérnico. A alegoria mitológica hindu sobre o nascimento do universo vem, pouco a pouco, tornando-se uma realidade científica. A idéia do universo
autoconsciente, da sua expansão inflacionária e dissolução para o surgimento
de outro ou outros universos concomitantes e paralelos, hoje desenvolvida pela
física quântica, aproxima-se muito do mito hindu da criação. A ciência e a
espiritualidade estabelecem um diálogo revolucionário e criativo, e a física
das possibilidades, que defende o primado da consciência, oferece-nos a
abertura de portais de percepção mais abrangentes e descobertas
transformadoras..
KALPAS - São os ciclos do tempo. Cada ciclo de tempo de 4.320.000.000 de anos
terrenos é igual a um dia da vida cíclica de Brahma e é chamado Kalpa.
Terminado um Kalpa, o universo é destruído. Essa destruição chama-se Pralaya, é
quando Brahma absorve de volta para si toda a sua criação e os universos e os mundos
voltam à sua origem. A passagem de tempo entre os consecutivos Pralayas, a existência
de um universo e um Kalpa são constituídos de Manvantaras. Cada Kalpa tem 14
manvantaras e cada manvantara é regido por um Manu. É denominado Manu um ser
iluminado que é escolhido pela divindade para reger um manvantara. Cabe a ele
criar uma ordem, justiça, princípios, ética, valores e normas de conduta. Esse
mesmo Manu reencarna a cada início de um novo manvantara. O Código de Manu, assim como o Código de Hamurabi, o rei sumeriano, são conhecidos como os mais
antigos compêndios de normas morais e éticas.
YUGAS
– Existem as eras, “yugas”, que compõem as dimensões menores da Grande Era – A
Mahayuga. As “yugas” são quatro e são denominadas: Sathya, Treta, Duapara e
Kali.
SATHYA
YUGA – É chamada a era de ouro. Nessa era vigora a prática do Dharma e a
humanidade vive em perfeita harmonia com os princípios e desígnios divinos. A
Sathya Yuga compreende 4.800 anos divinos, ou seja, 1.728.000 anos terrenos.
Nessa era existe a prevalência da verdade (Sathya em sânscrito), e a procriação
acontece apenas pela energia emitida pela da intenção de criar um novo ser
humano.
TRETA
YUGA – É chamada a era de prata. A prática do Dharma diminui cerca de 25%, e a procriação
se faz pelo toque, o contato físico. Nessa era Vishnu assumiu a forma humana
como o avatar Rama para salvar o planeta e a parte dhármica da humanidade..
DUAPARA
YUGA – É chamada a era de bronze. Nessa era o Dharma diminui 50% em relação à
Treta Yuga. Sua duração é de 2.400 anos divinos, ou seja, 864 mil anos
terrenos. A procriação se dá através de intercursos carnais. Na Duapara Yuga que
antecedeu a atual Kali Yuga, Krishna avatar nasce para ajudar a Terra, separar
os bons dos maus, e reconduzir a humanidade pelo caminho do Dharma. Quando
Krishna morreu teve início a Kali Yuga.
KALI
YUGA – é chamada a idade do ferro. A
prática do Dharma cai para cerca de 25% a menos do que na Duapara Yuga,
persiste apenas um terço do Dharma. A duração da Kali Yuga é de 1.200 anos
divinos, o que corresponde a 432.000 anos terrenos. Essa era se caracteriza
pela irreverência, decadência dos valores humanos e espirituais, pela falta de
caráter das pessoas, desonestidade e falta de espírito público, e o desrespeito às leis nas sociedades. O mundo nessa era é governado por lideranças corruptas
e os conflitos entre os povos são constantes. O abandono de crianças e idosos e a degradação das mulheres acontece assim como a desagregação das famílias. Nas
relações humanas a traição é comum. Nessa era, os 25% de praticantes do Dharma,
homens e mulheres que buscam o aprimoramento do caráter, e a elevação
espiritual, colocam-se a serviço dos semelhantes e oram pedindo aos deuses que
intervenham para suavizar o sofrimento da humanidade e do planeta.
OUTROS DEUSES E DEIVINDADES POPULARES
No
panteão hindu existe uma infinidade de deuses, deusas e animais divinizados. Isto
acontece porque a população procura nesses arquétipos expressar diferentes
maneiras de sentir uma maior intimidade com o sagrado. Alguns desses deuses
protegem e determinam a saúde, o casamento e o êxito nas atividades produtivas
de uma comunidade. Outros são adorados como fonte de sabedoria, patronos
locais, etc. Esses aspectos do divino são muito importantes para os pastores e
trabalhadores rurais. Templos dedicados a esses deuses se espalham por todo o
interior da Índia. Os templos são referencias de identidade cultural e
espiritual das aldeias que se estruturam com base na agricultura.
SERES E OBJETOS SAGRADOS NASCIDOS DO SAMUDRA MANTHAN
SAMUDRA
MANTHAN – O ato de agitar o oceano primordial, para a extração do alimento dos
deuses - a amrita, equivalente à ambrosia da mitologia grega. Nessa ocasião
surgem vários seres sagrados. Shiva, para livrar a Terra e a humanidade do efeito
daninho da ação dos demônios que impediam a evolução da humanidade e do planeta,
ingere o veneno da ignorância.
AIRAWAT
– É considerado o rei dos elefantes. Esse elefante branco com três trombas que
simbolizam o seu poder nos três mundos (a superfície, o subsolo e o céu), é o
veículo animal do deus védico Indra. No panteão védico, Indra é considerado o
rei de Amaravati, o Paraíso Celeste.
SURABHI
– a vaca divinizada, conhecida também como Kamadhenu - a vaca celestial
provedora da abundância. Diz o mito que Brahma, quando criou os Vedas, ensinou
que os versos deveriam ser recitados e cantados pelos brahmanis, os sacerdotes,
e disse também que Kamadehnu cederia o seu leite para dele ser extraída a
manteiga clarificada, “ghee”. Essa manteiga líquida e dourada banha as imagens
e também é lançada no fogo sacrificial durante as cerimônias de adoração. A
vaca é sagrada para os hindus com o nome de Gaumata – a vaca mãe.
VARUNI
– a deusa que rege as plantações de uvas é também a conhecida como a deusa do
vinho.
PARIJAAT
– a árvore celestial. A árvore da vida e do conhecimento que se enraíza nos
céus. Idrani, a deusa consorte de Indra, transplantou-a em Amaravati. O
Paraíso.
RAMBHA
– É uma das apsaras, as dançarinas celestiais. As apsaras são bailarinas
celestiais que com sua dança movimentam as emoções e transmutam as energias
desarmônicas em harmônicas.
CHANDRA
– A meia-lua que adorna os cabelos de Shiva. Essa é a forma da lua que é mais
auspiciosa para a disciplina da mente.
KASTURBHA
– É conhecida e venerada como a pedra preciosa dotada de todos os poderes. Essa
pedra sagrada reluz pendurada em um cordão de ouro enfeitando o torso nu de
Krishna. Ela realiza desejos e provê felicidade.
PANCHJANYA
– A grande concha (shankh) que Vishnu carrega em uma de suas mãos. Quando um
herói ou deus sopra essa concha é um chamamento para o exercício do Dharma, a
Lei Cósmica Eterna. O som que vibra, reverbera se expande e aglutina moléculas
como criador das múltiplas formas de vida.
SARANGA
– O arco sagrado de Vishnu. Simboliza o poder e a força da vontade que impulsiona
e encaminha a intenção. A intenção atingirá o seu alvo quando for correta e
meritória, e por isso destinada ao êxito.
KAUMODAKI
– a clava (gada), de Vishnu, simboliza o poder da sagrada disposição de lutar pela
preservação da vida, do equilíbrio da natureza, e da eterna batalha pelo Dharma
a vencer as iniqüidades.
OUTROS
DEUSES POPULARES DE REGÊNCIA ESPECÍFICA
DHANVANTARI
– O criador da medicina Ayurveda, a ciência médica indiana ancestral. Ele é
chamado o médico dos deuses. Rege a saúde física, mental-emocional e
espiritual. É representado de pé com quatro braços e carrega em uma de suas
mãos uma vasilha com todos os medicamentos para todas as curas e na outra um
pote de amrita, o alimento dos imortais.
CHANDRAGUPT
- Ele é o guardião dos registros akáshicos. Onde estão registradas as ações que
resultam no carma positivo ou negativo de toda a humanidade. Ele determina, de
acordo com a qualidade desses registros, a dimensão para onde o espírito de
cada indivíduo se dirigirá após a morte.
BRASHPATI
– É o Logos, o regente divino do planeta Júpiter. É venerado como o conselheiro
dos deuses e o mais sábio dentre os Logos planetários.
ANNAPURNA
DEVI – Essa deusa é um aspecto de Parvati. Ela se apresenta como nutriz, e
provedora de alimentos. Interessante salientar que nos templos a ela dedicados,
o altar tem além da estatua dela, as estátuas de Shiva e de Parvati. Ela é a
encarnação de Parvati que escolheu servir a Shiva plenamente. O deus ficou tão
encantado com a atitude de entrega da deusa, que a abraçou fortemente contra o
próprio corpo. Nesse abraço os seus corpos se fundiram, e assim, dessa junção
perfeita, surgiu Ardhanarishvara, a representação do masculino e do feminino em
conjunção e complementaridade.
GANGA
– É a deusa que assumiu a forma do rio Ganges, o rio mais sagrado para os
hindus. Reza o mito que certa vez Vishnu transpirou e Brahma recolheu esse suor
e com ele preencheu seu Kamandal, o vaso que carrega em uma de suas mãos, e que
simboliza a água da vida. Essa água foi derramada por Brahma sobre a Terra para
fertilizá-la. Outro mito conta que a deusa Ganga assumiu a forma de um rio e desejou
derramar-se desde as regiões celestes sobre o planeta, e para evitar o desastre
que o impacto de suas águas causariam à Mãe Terra, Shiva acolheu a deusa em
seus cabelos e assim o rio, ou seja, a deusa, escorreu suavemente pela
cabeleira do deus, evitando que a Terra e a humanidade fossem danificadas.
JAGANNATHA
– Jagannatha significa o Senhor do Universo. É um aspecto de Krishna adorado em
toda a Índia, especialmente em Puri (Orissa). Um dos mitos sobre Jagannatha
conta que um rei chamado Indradyuman era muito devoto de Vishnu e rezava sempre
pedindo ao deus por sua salvação. Numa ocasião, Vishnu se apresentou ao rei e mandou
que ele criasse uma estátua de Jagannatha, orientando como deveria ser feita e
que dentro dela colocasse os restos mortais de Krishna, restos estes que tinham
sido recolhidos e guardados dentro de uma caixa por devotos, depois que Krishna
deixou o corpo físico. Vishnu, para facilitar a tarefa do rei, pediu a
Vishwakarma, o arquiteto dos deuses, que fizesse uma imagem de Jagannatha.
Vishwakarma aceitou a incumbência e pediu que enquanto estivesse fazendo a
imagem não queria ser perturbado de forma nenhuma por qualquer pessoa. O rei
ficou ardendo de curiosidade e dias depois foi dar uma espiada no trabalho do
arquiteto celestial. Quando Vishwakarma percebeu o intruso, irritou-se demais e
abandonou o trabalho. Este ficou incompleto, pois faltavam ainda as mãos e os
pés da estátua. Desesperado e envergonhado, o rei orou a Brahma, pedindo que o
ajudasse. Brahma respondeu que o rei poderia sossegar seu coração, pois
futuramente essa imagem seria muito adorada e celebrada, e que ele, o próprio Brahma,
assumiria forma humana, e viria celebrar os rituais de consagração. Disse
também que as imagens de Jagannatha e de seu irmão Balarama e sua irmã Subhadra
deveriam ser adoradas juntas e a cada 12 anos precisavam ser queimadas e
construídas novas imagens. As figuras têm enormes olhos e bocas e são
expressões artísticas características da região de Orissa. O festival do senhor
Jagannatha é um dos mais importantes da Índia e acontece a cada 12 anos.
Durante as festividades as figuras pintadas na madeira, ou em tecido, são
retiradas do templo, banhadas no Ganges e levadas em procissão. Em seguida são
queimadas e substituídas por novas imagens.
SESHA
NAGA – É a deusa serpente que flutua no oceano primordial e que oferece seu
corpo anelado para que Vishnu nele se deite, durma e sonhe o sonho da criação, e
desse modo a vida manifestada continue existindo. A deusa serpente também é
chamada Ananta Naga e é indestrutível. Quando o universo é reabsorvido durante
o Pralaya só ela permanece. A deusa Ananta- Sesha aguarda então o momento do
surgimento de um novo universo, para mais uma vez se colocar a serviço de
Vishnu. Ela é testemunha eterna dos ciclos de criação, manutenção e destruição
dos universos.
Existem
inúmeros outros, porém estes são os mais populares.
CONCEITOS CRENÇAS E
RITUAIS
O GURU – O Mestre
No hinduísmo o guru, o mestre, desempenha um papel de
máxima importância. Ele é o educador do corpo físico da mente, do intelecto e o
espírito dos seus discípulos. O guru conduz o discípulo ao autoconhecimento
ensinando práticas como meditação, alimentação saudável, “muna”, abstinência de
falar, autodisciplina emocional, a auto-indagação e auto-análise. Os cantos
devocionais, bhajans, mantras sagrados, abrem portais de percepções sutis e
fortalecem a fé e a devoção. O guru propicia a descoberta e prática dos valores
humanos e espirituais, e principalmente orienta seus discípulos nos estudos das
escrituras sagradas. O guru prepara seus discípulos para serem servidores amorosos
e competentes dos seus semelhantes, da vida e do divino.
O mestre atua como um grande espelho onde os
discípulos se refletem. Durante o processo de aprendizagem o discípulo descobre
seus defeitos e virtudes, torna-se mais lúcido e verdadeiro, e desse modo se
capacita para transmutar defeitos e aprimorar virtudes e talentos. O verdadeiro
guru é aquele que pratica o que prega, é um mestre cujas palavras e ações inspiram
mentes e corações. Seus ensinamentos visam dotar seus discípulos de autoconsciência.
O verdadeiro guru promove no seu discípulo não a dependência, mas a autonomia. Para
os adeptos do hinduísmo, servir ao guru, entregar-se aos seus ensinamentos e ao
seu serviço, servindo a humanidade, é o primeiro passo no caminho para atingir
a libertação da ignorância, livrar-se da ilusão, Maya, e obter a elevação
espiritual.
SANTOS-GURUS E
PERSONALIDADES SAGRADAS
KABIR (1440 – 1519 D.C.)
Foi um grande poeta e
considerado um santo. Nasceu em Kashi (Varanasi) sua poesia mística e seus
ensinamentos pacifistas foram instrumento de luta contra a hipocrisia e a
segregação religiosa. Kabir procurou eliminar a rivalidade religiosa entre
hindus e muçulmanos. Sua origem é nebulosa. Reza o mito que ele foi encontrado
flutuando num lago próximo de Kashi, tendo uma flor de lotos como berço. Um
casal de muçulmanos o encontrou e o adotou como filho. Deram-lhe o nome de
Kabir, que significa “grande” (ou grandioso em árabe). Desde a infância o
menino demonstrava inteligência prodigiosa e sabedoria, por isso os pais o
levaram até um guru hindu chamado Ramananda. Kabir tornou-se um poeta e um
mestre muito respeitado. Foi amado tanto por hindus quanto por muçulmanos e até
hoje é venerado por ambos. Ele pregava a unidade entre os homens e não aceitava
a divisão da sociedade em castas; pregava também a unidade religiosa pela fé e
reverência às diferentes escolhas humanas. Por essa razão, os hindus e
muçulmanos ortodoxos o caluniavam e tentavam desacreditá-lo na sociedade. Kabir
também era contrário a rituais e formalidades religiosas, considerando essas
praticas desnecessárias. Ele acreditava e ensinava a crença e a devoção
voltadas para o deus único e sem forma, a Nirguna Bhakti. Sua poesia criticava
o comportamento sectário dos mullahs, sacerdotes muçulmanos, e também dos
pundits, sacerdotes hindus.
MAHAVIRA (599 – 467 A .C.)
O príncipe Vardhman, nascido em Bihar, aos 30 anos
abandonou o reino e renunciou às coisas mundanas, inclusive às próprias vestes.
Depois de treze anos de vida ascética tornou-se um grande líder espiritual. O
príncipe é reconhecido pelos adeptos como o vigésimo quarto “tirthandar”,
mestre sagrado do jainismo. A partir daí passa a ser conhecido como Mahavira,
Grande Herói. O Jainismo é uma filosofia e religião muito antiga que prega a
não violência de maneira extremada. Seus adeptos andam despidos por
considerarem a nudez uma expressão de renúncia e santidade. Alguns usam máscara,
tapando o nariz e a boca para não inalar eventualmente algum inseto. Procuram não
ferir ou matar nenhum ser vivo na natureza. Essa filosofia teve influência
sobre o hinduísmo, principalmente no conceito da alimentação vegetariana. No
jainismo a meta é a liberação total das tentações mundanas e viver sem deixar
rastros.
MEERA BAI (1499-1546 D.C.)
Ela é uma personalidade
sagrada para os hindus, é considerada uma encarnação de Radha, a gopi, pastora,
que venerava Krishna (Radha é representada nas gravuras e estátuas como uma extensão
feminina de Krishna). Meera Bai desde criança adorava Krishna. Quando atingiu a
idade de casar-se sua família escolheu para ela um jovem chamado Rana. Tanto o
marido como os sogros não aceitavam a imensa devoção que ela nutria por Krishna,
e muito a fizeram sofrer. Eles chegaram a espalhar boatos maldosos ferindo sua
honestidade e debochando de sua devoção. O marido, por ciúme, tentou matá-la
várias vezes. Miraculosamente ela foi salva da morte todas as vezes, pela
intervenção de Krishna. Conta-se que numa ocasião colocaram uma serpente
venenosa para picar seus pés e matá-la envenenada. Krishna transformou a
serpente em uma guirlanda de flores e a salvou. Quando seu marido morreu
prematuramente, ela se recusou a ficar com os sogros e seguir sofrendo. Meera
Bai foi então para Brindavan, uma cidade sagrada onde Krishna passou sua
infância. Lá, ela deu continuidade aos seus cantos e poemas devocionais. Estabeleceu-se
depois em Mathura, cidade onde nasceu
Krishna, e por isso considerada sagrada. Tornou-se famosa por suas orações e
cantos devocionais, orações e cantos que continuam sendo muito populares até os
dias de hoje.
NANAK (1469-1539 D.C.)
Foi o fundador do Sikhismo.
Era poeta e divulgava em seus poemas mensagens de paz e unidade entre os
homens. Costumava cantar cantos e mantras e com eles atraía adeptos. Esses
cantos estão reunidos em um livro intitulado Adi Granth, um dos livros sagrados
para os sikhs. Suas canções eram cantadas por toda a comunidade onde vivia. Algumas
são indicadas para ser cantadas pela manhã – são intituladas Japi Ji ,e
descrevem as várias etapas no caminho espiritual até o ser humano atingir a
salvação. Outras são indicadas para ser cantadas a noite e chamam-se Sohila.
Nanak inventou uma simplificação do sânscrito denominada Gurmukhi. Ele reuniu
hinos e cantos devocionais compostos por diversos gurus, sikhs, hindus e
muçulmanos, num compêndio intitulado Adi Grnath. Nanak era um místico e um
pacifista, foi o primeiro guru do sikhismo. Sua popularidae era muito grande e
devido a isso hindus e mongóis muçulmanos se voltaram contra ele. Ele foi feito
prisioneiro e sofreu torturas até morrer. Depois de sua morte outros gurus o sucederam,
mas foi Guru Arjuna, o quinto guru, quem fez do sikhismo uma religião. O décimo
guru, Govinda Singh, fez do sikhismo uma militância política e foi quem deu
início à tradição do uso do “kesh”(cabelos e barbas longos) ter sempre consigo
o “kanghi” (um pente), a “kirpan” ( uma faca curva) e o “karha” ( um bracelete
de aço). Ele decretou que todos os homens portariam o mesmo sobrenome Singh, e
todas as mulheres teriam como sobrenome Kaur. Com isso pretendia eliminar o
sistema social baseado em castas.
RAMAKRISHNA PARAMAHANSA (1836-1886 D.C.)
Numa época de predominância
inglesa, espalhou-se pela Índia uma onda cultural pró-ocidente, e entre os
hindus crescia muito o número de conversões religiosas. O domínio inglês
depreciava a milenar cultura indiana e humilhava e excluía socialmente os
indianos. Ramakrishna foi um baluarte do hinduísmo, um santo que restaurou no
coração dos hindus a dignidade, e também o amor e o respeito por sua própria
cultura e pelas tradições filosóficas e religiosas da Índia. Era um místico que
apresentava fenômenos paranormais, e um santo erudito extraordinário, isto sem
nunca ter freqüentado nenhuma escola. Ele era devoto da Mãe Divina, e na
infância cuidava do templo dedicado a Kali- um aspecto da divina Mãe. Certo dia
teve uma visão da deusa, e a partir daí tornou-se um asceta e um sábio
conhecedor de todas as escrituras sagradas. Foi o guru de Vivekananda, um
grande mestre e filósofo indiano, escolhido pelo mestre para ser o continuador
de sua obra. Existem Missões Kamakrishna espalhadas por todo o mundo.
SAI BABA DE SHIRDI (1838-1918 D.C.)
Nasceu numa aldeia chamada Parthi,
era filho de um casal brahmane, Ganga Bhavaria e Devagiri Yamma. Conta-se que
certa vez, quando era ainda uma criança, ele abriu a boca, e sua mãe e as
pessoas que estavam presentes viram no céu da boca do menino a imagem de Shiva.
A partir de então as pessoas passaram a venerá-lo. Tornou-se pregador muito
jovem. Conhecia as escrituras sagradas do hinduísmo e ensinava a igualdade na
diversidade de raças e religiões. Isso enfureceu especialmente os adeptos
ortodoxos do hinduísmo e do islamismo que viviam no lugar. Sua mãe, temerosa
das conseqüências desse acirramento religioso, levou o filho para um orfanato
que ficava numa aldeia próxima. A instituição era dirigida por um sábio
muçulmano, e assim o menino conheceu em profundidade também o Alcorão. Depois
de algum tempo, já rapaz, ele seguiu para Shirdi. Em Shirdi viveu no início,
sob uma árvore frondosa, lá permanecendo em meditação por um tempo, e logo
depois se mudou para uma mesquita abandonada chamada Dwarakamai. Ele
personificava por suas palavras e ações a perfeição espiritual. Sua bondade,
sabedoria, compaixão e pureza espiritual foi motivo de reverência e adoração dos
moradores locais que passaram a chamá-lo Sai (santo) Baba (pai).Tinha poderes
extraordinários, curava as pessoas de enfermidades físicas e espirituais com um
simples olhar. Na mesquita onde vivia mantinha sempre um fogo aceso, e todos
que o procuravam recebiam um pouco das cinzas como uma benção. Para os seus
devotos, Sai Baba de Shirdi foi uma encarnação de Shiva. Sai Baba de Shirdi
realizou inúmeros milagres quando vivo e afirmou para alguns devotos que ia
desencarnar em breve, mas que voltaria oito anos depois no seio de uma família
muito religiosa e viveria numa aldeia no sul da Índia. Ele continua sendo
venerado por milhares de devotos espalhados pela Índia e pelo mundo afora.
SWAMI DAYANANDA (1824-1883
D.C.)
Nasceu numa família rica de
brâmanes em Morvi, no Gujurat, e seus pais lhe deram o nome de Mool Shankar.
Quando atingiu a idade de casar, rebelou-se, não aceitou a imposição da família
e fugiu. Foi quando conheceu e foi acolhido por um guru, cujo nome não tem
registro histórico, e este mudou o seu nome para Shuddha Chaitanya. Mais tarde,
aos 24 anos, ele encontrou outro guru de nome Swami Poornandada Saraswati, que
foi seu mestre e o nomeou Swami Dayananda Saraswati.
Foi em Mathura, porém, que
ele conheceu mais profundamente os Vedas, através do guru Swami Vrijananda.
Mergulhou nos estudos da filosofia vedanta e se tornou um erudito muito
respeitado. Swami Dayananda Saraswati foi um reformista e fundou um movimento
denominado Arya Samaj. Foi um conhecedor profundo do sânscrito e das escrituras
sagradas do hinduísmo. Criticou veementemente a sociedade excludente formada
pelo sistema de castas. Criou vários ashrams que são centros de excelência no
estudo da filosofia védica.
Vaastu Shastra – São princípios orientadores da arquitetura védica que visam a otimização e o equilíbrio dos cinco elementos: terra, água, fogo, ar e éter,
SRI VIVEKANANDA (1863-1902)
O menino Narendranath Datta
nasceu numa família abastada e erudita. Estudou em bons colégios e sua formação
familiar se dividia entre a racionalidade paterna e a religiosidade materna.
Cresceu avesso a assuntos religiosos até que, na faculdade, um colega o levou
para conhecer Sri Ramakrishna. Depois de assistir durante algum tempo as
palestras do mestre, pediu ao mestre que lhe propiciasse uma experiência
espiritual transformadora. O mestre atendeu ao seu pedido e colocou a mão em
seu chakra cardíaco. O jovem Narendra mergulhou numa epifania transcendental,
uma vivência mística profunda, e dela renasceu Vivekananda (a bem-aventurança
do discernimento), nome que o mestre lhe deu. Ramakrishna o escolheu para ser o
continuador de sua obra. Após a morte do seu guru, Vivekanada tornou-se um
monge itinerante, pregando por toda a Índia. Extraordinário conferencista e filósofo,
levou para o ocidente a Filosofia Vedanta (não dualismo). Permaneceu dois anos
nos Estados Unidos ministrando cursos em universidades e dando palestras. Deu
confêrencias pela Europa toda e levou seus ensinamentos também ao Japão. Fundou
a missão Ramakrishna e esta se espalhou por vários países do mundo. Deixou uma
vasta obra literária contendo ensinamentos filosóficos extraordinários
identificados pela marca do seu luminoso discernimento. Morreu enquanto
meditava e foi cremado na margem do Ganges, como o fora anteriormente seu
grande guru.
RAMANA MAHARISHI (1879-1950)
Nasceu na aldeia de
Tiruchuzhi, no sul da Índia, e recebeu dos pais o nome de Ventakaraman. Sua
família era de poucos recursos e quando o menino tinha 12 anos o seu pai
faleceu. A mãe então mudou-se com os filhos para a casa de uns parentes em Madura. Ele foi um
adolescente religioso e aos 16 anos teve uma experiência mística que mudou sua
vida estruturalmente. Depois disso, saiu de casa e se dirigiu ao Monte
Arunachala, no Himalaya. Segundo a mitologia hindu, este foi o local onde Shiva
apareceu para os devotos sob a forma de uma gigantesca e chamejante coluna de luz. O jovem construiu
um ashram ao pé do monte Arunachala, e logo multidões acorriam até ele para
ouvir seus ensinamentos. Dotado de imensa sabedoria e doçura, ele ensinou o
Caminho do Autoconhecimento e o Caminho da Renúncia através da auto-indagação
“vichara”: a pergunta “Quem sou eu?” Ramana Maharishi é considerado um dos mais
sábios inspirados e importantes mestres já existentes na Índia. Ele deixou como
legado a abertura para a autorrealização acessível a todos os seres que buscam
verdadeiramente o conhecimento, independentemente da profissão e das condições
de sua vida na sociedade. Antes dele a autorrealização era restrita aos monges
reclusos ou andarilhos renunciantes.
Ao sentir que ia morrer,
deitou-se, respirou profundamente e reteve a respiração. Foi quando seus
devotos perceberam que havia morrido. Ele deixou discípulos espalhados pelo
mundo inteiro.
SRI AUROBINDO (1872-1950)
Nasceu em Calcutá e recebeu
de seus pais o nome de Aurobindo Akroyd Ghosh. Foi criado na Índia e sempre
demonstrou muito interesse pelos estudos. Viajou para a Inglaterra onde concluiu
seus estudos e tornou-se um intelectual reconhecido pelo seu talento e erudição:
falava vários idiomas e era profundo conhecedor de filosofia oriental e
ocidental. Era escritor, poeta e iogue. Voltou à Índia porque sentiu
necessidade de encontrar suas raízes e conhecer melhor a sabedoria ancestral do
seu país. Trabalhou para entidades governamentais na área de educação e foi um
grande educador. Teve importante participação no movimento nacionalista e
revolucionário que resultou na independência da Índia do jugo inglês. Como
militante político, foi preso e durante sua estadia na prisão aprofundou seu
conhecimento das filosofias hindus e desenvolveu sua própria visão de mundo e
compreensão do que era o verdadeiro progresso humano, social e evolução
espiritual. Nesse período teve varias experiências transcendentais que mudaram
as estruturas de sua consciência. Quando foi solto, desistiu da militância
política e dirigiu-se ao sul da Índia para dedicar-se à sua missão espiritual.
Seus aforismos e suas frases se notabilizaram pela sabedoria e profundidade.
Seu pensamento integrador de raças, credos e gêneros inspirou seus seguidores,
que criaram uma comunidade ecológica e espiritual chamada Auroville, na
localidade de Pondicherry. Após sua morte, Auroville permanece como o testemunho
da realização de um sonho de convivência humana pacifica, criativa e
espiritualista.
SWAMI SIVANANDA SARASWATI (1887-1963)
Nasceu numa família brâmane; seu
pai era oficial do exército, ao tempo em que exercia as funções de sacerdote, o
que é raro acontecer. Um só homem nascido em uma casta de sacerdotes exercia
função da casta dos kshatryas, os guerreiros, governantes defensores do Dharma.
Foi um menino religioso e muito interessado em saber como curar os males
físicos. Esse interesse o levou a estudar medicina. Quando estava fazendo
estágio em um grande hospital, devido ao falecimento do pai, teve que
interromper a sua formação. Para se manter e pagar a complementação dos seus
estudos, criou um jornal sobre medicina chamado Ambrosia, onde ele era o
redator, o editor, o articulista e o diretor. Apesar de ser um jornal pequeno,
a qualidade das matérias era muito boa, e logo o jornal ficou famoso no meio
médico. Logo a seguir, o jovem médico foi contratado para dirigir um hospital
na Malásia Britânica. Especializou-se em oftalmologia e voltou à Índia. Era um
pesquisador profundo da importância da mente e sua ligação e comprometimento com
as doenças físicas.
Muito interessado em
filosofia e espiritualidade, além de pesquisador de novas metodologias médicas,
ele passa a utilizar ervas raras colhidas na região do Himalaia e com elas
criar medicamentos. Atendia às populações carentes graciosamente e era adorado
pelas pessoas da comunidade onde vivia. Escolheu como missão curar corpos e
mentes e conduzir as pessoas para o despertar da espiritualidade. Desenvolveu
várias técnicas de meditação, tornou-se swami e escreveu inúmeros livros sobre ioga
e filosofia. Brama Vidya – O Conhecimento de Deus – é o primeiro de uma série.
Swami Sivananda é adorado por milhares de devotos em todo o mundo em especial
os por adeptos da Hata Yoga.
SATHYA SAI BABA (1926-2011)
Nasceu na aldeia de
Puttaparthi, no sul da Índia, e seus pais deram-lhe o nome de Satyanarayana
Raju. Um fato inusitado ocorreu quando o recém-nascido foi colocado, como é
costume na tradição hindu, sobre um pedaço de tecido feito de linho para
filtrar as energias que o contaminaram na descida de dimensões superiores. Sob
o tecido alguma coisa se movia. A mãe levantou o pano para verificar do que se
tratava e, para sua surpresa, apareceu uma naja, que logo inflou seu pescoço e
posicionou-se para proteger a criança. Isso é um sinal muito auspicioso para os
hindus, simbolizando que aquela criança é especial.
Contam os seu biógrafos que,
da mesma maneira que surgiu, a serpente desapareceu. Outro fenômeno raro foi o
fato de que os instrumentos utilizados durante as cerimônias de canto
devocionais praticadas pela família começaram a soar. O menino apresentava
inúmeros fenômenos físicos e na escola os professores se surpreendiam coma
esses fenômeno e com a sabedoria do menino Sathyanarayana. Aos 14 anos entrou
num estado de transe e quando despertou disse aos pais que mantivessem a casa e
os corações limpos e que ele iria embora, porque seus devotos o aguardavam.
Junto com os aldeões ele
construiu um ashram que logo abrigou inúmeras pessoas que vinham ouvir os
ensinamentos do jovem mestre. Numa ocasião declarou que era a reencarnação de
Sai Baba de Shirdi, e logo devotos do santo de Shirdi acorreram para ver e
ouvir dele se realmente se tratava da reencarnação do mestre amado. Ao chegar eles
viveram experiências que comprovaram ser verdadeira a afirmação e tornaram-se
devotos seguidores de Sathya Sai.
A fama do jovem guru correu
pela Índia e fora dela. Com o passar do tempo, Sathya Sai, com a ajuda de
devotos criou um ashram imenso, uma cidade intermuros, para onde acorrem
pessoas de todas as raças, religiões, níveis econômicos e culturais, em busca
dos seus ensinamentos. Os fenômenos de materializações de objetos, jóias, e as curas
físicas, mentais e espirituais que se sucederam e a multidão de visitantes de
devotos cresceu progressivamente. Em deteminada ocasião, durante um discurso,
ele afirmou que era um avatar (encarnação divina) e que sua avataridade se
manifestou primeiro como Shirdi Sai, e que depois dessa vida voltaria passados
8 anos, quando assumiria a forma e a personalidade de Prema Sai.
Sua mensagem é universal e
não privilegia nenhuma religião ou filosofia, tendo a unidade na diversidade
como eixo.
Sathya Sai Baba criou uma
obra educacional extraordinária que compreende desde escolas para o ensino
fundamental até uma universidade. São instituições modelares que oferecem
ensino de excelência. O ensino se baseia nos princípios fundamentais da
consciência humana e tem como meta o despertar,
a conscientização e a prática dos valores humanos. É uma metodologia que
contempla as dimensões físicas, intelectuais e espirituais do educando. O
ensino é gratuito e reconhecido pelo governo indiano como de grande qualidade.
Construiu hospitais com
tecnologia de ponta que oferecem atendimento gratuito na aldeia onde viveu, e
também em Brindavan, uma aldeia próxima a cidade de Bangalore onde existe outro
ashram, e mais um complexo educacional. Essa metodologia é hoje adotada por
muitos países e existem escolas Sai espalhadas por todas as partes do mundo. Seus
milhões de devotos o adoram e continuam a afluir até a aldeia para homenagear
sua memória e manter viva a chama de sua mensagem. Sathya Sai Baba foi, sem dúvida,
a liderança espiritual mais importante da Índia nos últimos tempos.
Inúmeros gurus - mestres ,
santos e personalidades sagradas são reverenciados na Índia, porém os aqui mencionados se
notabilizaram sobre maneira.
CONCEITOS
Atma-
É o Eu transcendental. É o substrato onipresente da substância de todos os
seres e de todas as coisas criadas. É o permanente e imutável na impermanência e
mutabilidade da manifestação material da vida.
Maya
– É a energia responsável por todas as formas fenomênicas, e estas são
enganosas e ilusórias. É a grande ilusão universal que nos leva a crer no
material e fugaz como real e permanente. Os véus de Maya sustentam a ignorância
espiritual e ocultam a verdade do Eu. Maya nos leva à identificação com o eu
transitório, o eu-personalidade, e nos torna embriados por nós mesmos.
Svastika
– É o símbolo da cura cósmica em movimento. É a Terra girando em torno do seu
eixo em comunhão com o cosmos. Simboliza também a evolução do planeta e da
humanidade e os pontos cardeais. É desenhada no chão ou em quadros e paredes
para garantir harmonia e felicidade, principalmente durante cerimônias e
rituais. O deus Ganesh é simbolizado graficamente pela svastika.
Vaastu Shastra – São princípios orientadores da arquitetura védica que visam a otimização e o equilíbrio dos cinco elementos: terra, água, fogo, ar e éter,
e das quatro direções. Os elementos determinam
o magnetismo bioelétrico dos ambientes assim como o funcionamento harmônico dos
organismos humanos e animais. Os cômodos da casa são dedicados às deidades que
regem o horóscopo do proprietário e posicionam a ventilação, a luz, as portas e
janelas. Esse sistema foi criado pelos sábios védicos para propiciar mais
saúde, paz, e prosperidade nas residências e no local de trabalho.
Aadar Bhav – Na tradição hindu o respeito aos mais velhos é muito importante. E “aadar bhav” representa o ato de ajoelhar-se para tocar os pés de professores, avós, pais, e demais pessoas idosas da família. É um gesto que denota respeito e humildade diante daqueles que, por terem vivido mais, devem ser reverenciados por suas experiências e conseqüente conhecimento adquirido. O professor é tão reverenciado quanto pai, mãe e avós.
Aadar Bhav – Na tradição hindu o respeito aos mais velhos é muito importante. E “aadar bhav” representa o ato de ajoelhar-se para tocar os pés de professores, avós, pais, e demais pessoas idosas da família. É um gesto que denota respeito e humildade diante daqueles que, por terem vivido mais, devem ser reverenciados por suas experiências e conseqüente conhecimento adquirido. O professor é tão reverenciado quanto pai, mãe e avós.
Padmanaskar – É o ato de
ajoelhar-se e reverentemente tocar os pés ou as fímbrias da túnica de um mestre,
ou o sári de uma mestra.
Brahma Mahurt – é o nome dado aos
momentos que antecedem o amanhecer. É considerada a melhor hora para despertar
e iniciar as atividades ritualísticas do dia. A higiene pessoal cuidadosa, as abluções
ou se possível os banhos rituais no Ganges e a meditação. Isso é indicado para
que as pessoas possam entrar em sintonia com a energia cósmica de renovação da
vida. É indicado para que as pessoas possam usufruir o máximo possível dos benefícios
da luz do sol antes de comer e ir trabalhar. As abluções e a higiene corporal cuidadosa
foram colocadas como normas pelos “rishis” para obrigar a população a ter
cuidados corporais, manter a saúde e evitar doenças.
Karma – Dentro da filosofia
reencarnacionista, é o conceito de causa e efeito. Karma significa movimento,
portanto, mutabilidade. Não se trata de vaticínio ou punição. Trazemos na vida
atual “vasanas” sementes de karmas negativos e positivos. Elas são o resultado de
ações praticadas em nascimentos anteriores. O karmas negativos precisam ser resgatados
e os positivos são facilitadores no processo evolutivo em andamento na atual
encarnação. Existe o karma pessoal, o karma familiar, o karma do país, do
continente e do planeta. Para o hinduísmo karma não é castigo, é conseqüência,
e é também uma lei que evidencia a misericórdia divina. É uma lei
misericordiosa porque permite ao ser humano corrigir erros, aprimorar seu
caráter e evoluir espiritualmente e assim evoluir do karma para o dharma. A
meta é atingir “moksha”, a libertação de “sansara” o ciclo de nascimentos e
mortes,
Sanatana Dharma – É o verdadeiro
nome da fé hindu. A Eterna Lei. Interessante ressaltar que essa Lei (Dharma)
não se restringe aos que têm fé. Todos os seres estão enraizados nela, condicionados
por ela e por ela orientados. Nesse conceito se baseia a crença na igualdade
dentro da diversidade e o fato de o hinduísmo considerar o mundo e a vida sagrados:
a Terra é o planeta mãe e a humanidade uma só família.
O Som Sagrado – Para o hinduísmo
todos os ritmos nascem do “damaru” – o tambor que Shiva ostenta às vezes amarrado
ao Trishula, seu tridente, ou então o segura em uma de suas mãos, quando é
representado como Nataraja, o rei da dança. O “OM” e todos os demais sons, audíveis
ou não, emanam da “vina”, tangida pelos dedos da deusa Saraswati. Por esta
razão, as cerimônias de adoração (“puja”) utilizam os “bhajans” (cantos devocionais).
Esses cantos são ritmados e melódicos e atuam como orações e louvores. Nas
escrituras sagradas hindus a música divina ressoa no universo e se compõe do
som dos planetas e demais astros. A música das esferas é tocada pelos
“gandarvas”, os músicos celestiais.
Teerth Yatra – É a denominação da
peregrinação periódica que deve ser feita aos lugares sagrados. Teerth quer
dizer “lugar às margens de um rio”, e esses locais sagrados ficam, por isso, às
margens de rios sagrados, especialmente do Ganges. Hari Dwar, por exemplo, é
uma cidade sagrada às margens do Ganges que costuma atrair milhares de
peregrinos, assim como Varanasi e Rishikeshi. Os mestres e os sábios indicam as
peregrinações como forma de autoconhecimento e desenvolvimento espiritual. Os
antigos rishis viam nas peregrinações um modo de manter a população do país unida
pela fé e pela sua cultura. Os pontos de reunião para os rituais e atos
devocionais nos templos e por ocasião de Kumbha (grande congregação) localizam-se
em pontos estratégicos, e o roteiro obriga o peregrino a atravessar regiões
desconhecidas, lidar com o inesperado e pedir ajuda e conhecer novos costumes. O
peregrino, além de internamente trabalhar seus pensamentos e emoções, desse
modo tem oportunidade de confraternizar e solidarizar-se com as pessoas que
encontra pelo caminho.
Kumbha Mela – É a congregação de
milhões de sacerdotes, sadhus (homens santos renunciantes e itinerantes) e acontece
a cada 12 anos. Ocorre em momentos cósmicos específicos para reverenciar e
comungar com a energia emitida sobre o planeta Terra por determinada
configuração astral e alinhamento planetário.
Tilak – É uma marca que o
sacerdote coloca na testa do devoto. A marca é feita com um pó vermelho chamado
“roli” e água e nessa marca vermelha o sacerdote coloca alguns grãos de arroz.
O pó vermelho simboliza o sangue e o arroz o sêmen, o esperma fecundador. É um
símbolo de regeneração da vitalidade física e de fecundidade para homens e
mulheres.
Suhaag – É a denominação dada à
felicidade feminina no casamento. Significa que a esposa ama seu marido e que
ele está vivo. Ela demonstra isso usando o “sindoor”, um ponto feito com pó
vermelho no meio da risca que divide o seu cabelo ao meio. Pode ser também o
“bindi” um ponto vermelho no meio da testa. Este bindi também pode ser usado
como adorno feito de pedras os adesivos tanto pelas casadas quanto pelas solteiras.
A esposa feliz também deve usar adereços nos cabelos, braceletes nos pulsos e
anéis nos dedos dos pés. Se quiser pode ostentar o “mangala sutra”, o colar que
recebeu do marido por ocasião da cerimônia do casamento.
Japamala – É uma espécie de rosário
feito de cristal de rocha e outras pedras, madeira de sândalo, ou contas de
rudraksha, uma semente dedicada a Shiva. Esse tipo de rosário é usado no
pescoço, no pulso ou no tornozelo. O japamala é usado para oração e também como
um recurso facilitador da concentração durante as meditações. O devoto, para utilizá-lo,
deve segurá-lo entre os dedos, indicador e polegar e, à medida que recita um
mantra, deve rolar a conta massageando as terminações nervosas localizadas nas
pontas dos dedos. Isso auxilia o relaxamento físico e o esvaziamento da mente. O
rosário é feito de 108 contas porque essa é a soma que resulta no número 9, que
por sua vez é o numero da manifestação da divindade. É o número que se
relaciona com as 27 constelações do zodíaco védico, onde cada constelação se
compõe de 4 fases. Ou seja, 27x4 = 108, e isso significa a convergência energética
de todo o espaço sideral.
PLANTAS SAGRADAS
Todas as tradições religiosas
oriundas de civilizações fundamentalmente enraizadas na agricultura sacralizam
plantas e raízes. O hinduísmo não foge à regra. A seguir vamos nomear algumas
das principais plantas sagradas dessa tradição.
Tulasi – É adorada como uma
representação vegetal de Krishna. Corresponde ao manjericão, e pode ser
encontrada plantada em canteiros ou em vasos, na entrada de residências de
devotos de Krishna, ou em frente aos templos a ele dedicados. Existe uma lenda
que diz que o Tulasi é uma manifestação devocional de Radha, a pastora que segundo
o hinduísmo, é exemplo da mais perfeita adoração e entrega devocional a
Krishna.
Bilva – Árvore cujo fruto é uma
manifestação vegetal de Shiva.
Neem – Nos galhos dessa árvore majestosa
os devotos colocam fitas coloridas amarradas com nós; essas fitas carregam o
fervor da sua fé e contêm os seus pedidos escritos. Os devotos, dessa maneira, rogam
e esperam que Shiva atenda seus desejos. E quando os desejos são atendidos, eles
depositam ex-votos aos pés do tronco da árvore sagrada.
Rudraksha – é uma semente sagrada
que, segundo o mito, ajuda o devoto a entrar em meditação profunda e conseguir sintonia
energética com Shiva.
Jasmim – É a planta cuja flor
emite um aroma inebriante que desperta níveis espirituais adormecidos. Os
devotos do guru Sathya Sai Baba afirmam ser o odor que indica a presença do
mestre. Sathya Sai Baba, certa ocasião, teria tocado com as mãos um lenço
oferecido por uma pessoa, e ao seu toque o lenço teria ficado inundado do aroma
de jasmim.
Flor-de-Lótus – Mais do que uma
planta sagrada, a flor-de-lótus é um símbolo de espiritualidade na Índia e no
Egito e em todo o extremo oriente. O lótus na mitologia hindu está presente,
pois nasce no umbigo de Narayana-Vishnu e seu caule se desenvolve como um
cordão umbilical para desabrochar numa flor aberta onde Brahma surge e desperta
para mais um Pralaya, um ciclo de criação e manifestação. O lótus tem algumas
características muito importantes para a mitologia hindu. A flor nasce no lodo,
simbolizando a ignorância espiritual, eleva-se e floresce sempre direcionada
para a luz, simbolizando a verdade do espírito. Suas pétalas não retêm nada,
nem mesmo a água da chuva, simbolizando o desapego. A flor em botão tem a forma
de um coração. Quando o botão desabrocha, suas pétalas se abrem plenamente para
se alimentar da luz do sol. Quando a flor fenece, suas pétalas murcham, mas não
se desprendem de imediato; só acontece o desprendimento quando a semente surge
para garantir um novo ciclo de existência. Isso simboliza o processo de
desprendimento da matéria e a reencarnação. Portanto, assim como a flor-de-lótus,
o ser humano nasce potencialmente amor. O botão desabrocha para se nutrir de
luz (o conhecimento espiritual), depois fenece, morre e se desprende para
renascer novamente. Interessante salientar que a semente da flor-de-lótus pode
viver sem água até 5.000 anos e ao ser umedecida volta a germinar.
Bangue – No Atharva Veda, texto
datado de 1400 anos a.C, encontram-se textos sobre esta erva. Também chamada
ganja, é utilizada por devotos de Shiva e sacerdotes como uma erva facilitadora
na busca da obtenção de uma conexão espiritual mais profunda com a energia de
Shiva. Essa erva é mascada ou inalada pelos usuários.
VARNA - O SISTEMA DE CASTAS
Reza a mitologia e alguns textos
sagrados que as hierarquias que formaram o povo de Bharata (antigo nome da
Índia) eram provenientes da Terra, da Lua e do Sol e de outros estrelas. Os
dirigentes e reis teriam descendência terrena, lunar e estelar. O sistema de
castas foi criado para diferenciar a origem de cada dinastia e garantir a
pureza essencial das raças nas sucessivas gerações. No Dharma Shastra, o Código de Manu, o
iniciador da raça e seu principal legislador, estão descritas as seguintes
classes sociais que segundo ele garantiriam uma sociedade justa e harmônica,
baseada nos talentos e capacidades de servir de cada grupo de indivíduos:
Brâmanes – nascidos da boca de
Paramatma, do corpo do divino. Eles seriam dotados de qualidades para conhecer
e transmitir a palavra da divindade, ensinar as escrituras, oficiar rituais e
demais atividades espirituais.
Kshatryas – nascidos dos braços
de Paramatma para defender o Dharma, a Lei Cósmica Eterna. Dotados de qualidade
para governar, administrar e garantir a ordem. Os reis e guerreiros.
Vaishyas – nascidos das coxas de
Paramatma, para gerar prosperidade social e prover as necessidades básicas da
população. São dotados de qualidades para comercializar a produção de
mercadorias e demais atividades relativas ao comercio.
Shudras – nascidos dos pés de
Paramatma, são destinados e qualificados para plantar a terra, cumprir tarefas
rurais como pastoreio, pesca e todo tipo de atividade laboral no campo e na
cidade.
Tempos depois surgiram os párias,
dálites ou intocáveis. A origem dessa casta seria a desobediência ao “bhang”– o
conjunto de normas e atribuições das suas respectivas castas. Foram banidos
devido à violação das normas, e por isso são considerados impuros e espúrios.
Eles cuidam da limpeza de dejetos humanos e animais, lixo, e de crematórios.
Portanto, não se trata de uma casta ditada por Manu, mas dentro da sociedade
hindu. Mahatma Gandhi durante a sua campanha pela libertação da Índia do jugo
inglês, insurgiu-se veementemente contra essa idéia separatista e desumana da
sociedade. Para exemplificar a defesa dos párias ele visitava seus guetos e fazia
o serviço a eles atribuídos, como limpeza de latrinas de banheiros públicos e
outras mais. Atualmente, o governo indiano estabeleceu uma lei que visa abolir
essa segregação social, tornando-a ilegal e passível de punição por
encarceramento.
SANSKARAS
SACRAMENTOS E RITUAIS
HINDUS
Os sacramentos e rituais no
hinduísmo têm a função de conectar o indivíduo ao universo através do sagrado.
Despertar a consciência para a importância da encarnação como etapa a ser
cumprida na evolução do espírito. A valorização do aqui e agora como soma do
passado e alicerce do futuro. Desse modo, existem rituais para atrair a graça
divina, a harmonia e a prosperidade para a pessoa, a família, a sociedade, o país
e o planeta. Esses rituais são rituais de passagem oficiados por sacerdotes e
existem hinos e cânticos sagrados destinados a cada um deles. Existem 16
sanskaras, os quais o adepto da tradição hindu deverá realizar desde o
nascimento até a morte. Existem também rituais que são realizados antes do
nascimento do bebê para santificar o feto e garantir que a mãe tenha uma
gestação saudável e alegre. Esses rituais visam também afastar influências
espirituais negativas tanto para a mãe quanto para o feto. Para o hinduísmo o
feto interage com a mãe e com o mundo exterior, sente e ouve tudo o que a mãe
sente e ouve e tem memória. Portanto, a criança não é uma tela em branco; ela
traz em si sua história planetária e trajetória cósmica.
RITUAIS DA INFÂNCIA
Jatkarma – Um pouco antes do cordão umbilical ser cortado é oficiado
esse ritual. O pai coloca nos lábios do filho um pouco de mel para que ele (a)
possa ter uma vida doce e prazerosa. Nessa ocasião, orações são feitas pedindo
que o bebê tenha uma vida saudável, útil e longa e que sua encarnação seja
proveitosa.
Namkaran – Nessa
tradição, o nome do bebê só é dito no 12º dia depois do nascimento. Este ritual
acontece para dar a criança um nome que lhe traga vibrações auspiciosas.
Nishkarman – Este ritual acontece quatro meses depois que o bebê
nasceu. É a celebração da primeira saída de casa da criança. É o seu primeiro
contato com a sociedade, com a comunidade do lugar onde reside. Esse ritual é
uma proteção contra negatividades.
Annaprasan – Celebra a primeira vez que a criança ingere um
alimento sólido, aos seis meses de vida. Para o hinduísmo os alimentos definem
a saúde, qualidade dos pensamentos e das emoções. Por isso, antes de ingerir
qualquer alimento, o hindu ora, oferecendo-o à divindade, para que seja
eliminada toda e qualquer energia negativa que porventura tenha sido passada
para o alimento por quem o tenha feito.
Chudakaran – É o ritual do primeiro corte de cabelo e acontece
entre os 3 e os 5 anos de idade.
Karnvedh – É um ritual de embelezamento. O cuidado pessoal, a
higiene corporal e conexão com a beleza são muito importantes no hinduísmo. A
conexão com a beleza gera uma visão de mundo baseada nas possibilidades onde as
dificuldades são resolvidas com fé e criatividade. Este ritual acontece quando
a criança fura as orelhas e recebe o primeiro brinco. Em geral os brincos são
colocados nas meninas embora alguns meninos também adotem esse adorno.
SANSKARAS PARA A
EDUCAÇÃO
Vidyarambha – Vidya significa conhecimento, e este ritual é feito
quando tem início a alfabetização. A criança aprende a importância do
conhecimento formal e do conhecimento espiritual. Ocorre aos 7 anos de idade.
Upnayan – É a apresentação e introdução do jovem ou da jovem na
sociedade. Neste ritual o sacerdote e os pais transmitem ao jovem os valores,
preceitos, atribuições e diretrizes correspondentes à casta a qual pertence. Na
passagem para a adolescência o menino recebe o “janeu”, um cordão considerado
sagrado que lhe cinge a cintura demarcando a passagem de criança para
adolescente.
Vedarambha – É quando o jovem inicia seus estudos sobre a
literatura védica e as várias filosofias do hinduísmo. Esse estudo em geral
acontece na casa de um sacerdote ou no ashram pertencente a um determinado
guru.
Keshant – É o ritual correspondente ao primeiro barbear do jovem.
Nos tempos antigos e algumas famílias ainda hoje, nessa ocasião presenteiam o
guru com uma vaca para garantir o fornecimento de leite para o mestre. E o
fazem como símbolo de gratidão e reverência.
Samavartan – Este ritual marca o final dos estudos formais e
espirituais do jovem. Se ele os cumpriu num ashram é o momento da saída do
eremitério e da volta para a casa paterna. Este sanskar é fundamental e marca a
entrada na vida adulta. Sem passar por ele o jovem não pode se casar.
Vivah – É o ritual de preparação para o casamento, quando são
transmitidos os princípios que devem reger a conduta do marido ou da esposa, e
as atribuições familiares e sociais de acordo com cada casta. Geralmente
acontece quando o rapaz adquire independência econômica e quando a moça e sua
família decidem que é chegada a hora de contratar o casamento, já que nessa
tradição os pais escolhem os cônjuges.
Antyeshti – É o ritual feito pelos familiares e parente mais
íntimos quando morre um membro da família. Esse ritual consta de orações que
visam facilitar o desligamento do espírito do corpo físico com o mínimo de
sofrimento e o encaminhamento para uma dimensão de aprendizado superior.
FESTIVAIS E CELEBRAÇÕES
Os
festivais sagrados e as celebrações populares do hinduísmo obedecem ao
calendário lunar e por isso as datas não são fixas. O sistema baseado no ciclo
lunar chama-se Panchang. As datas variam também de acordo com determinadas
conjunções astrais consideradas compatíveis e auspiciosas para o bom termo da
celebração. Esses festivais existem desde tempos muito antigos e têm cunho
espiritual e atuam como oportunidades de congraçamento popular. Os festivais
populares e os dedicados aos deuses propiciam o fortalecimento social e
cultural, e a união do povo em torno da espiritualidade. Têm a função de relembrar aos indianos a
importância da prática dos valores humanos e espirituais, a vivência da unidade
na diversidade e a reverência pelo sagrado em todas as suas manifestações. É o
reconhecimento do poder transcendente e sua influência viva e atuante no cotidiano,
a cada instante redesenhando o destino humano. Os festivais são elementos
unificadores da cultura ancestral da Índia, assim como ressaltam princípios
norteadores, valores e propósitos
fundamentais que estruturam a sociedade indiana.
O
CALENDÁRIO HINDU E O CALENDÁRIO GREGORIANO
O
calendário Hindu surgiu 57 anos antes do início da Era Cristã. É um calendário
Lunar.
Do
mesmo modo que o calendário Gregoriano, o calendário Hindu se constitui de 12
meses. Tem início a partir de “Samvatsar Parva”, o primeiro dia da Lua
crescente de “Chair” – mês que corresponde a março-abril no calendário
gregoriano.
MESES
Chair
- Março-Abril
Baisakh
– Abril - Maio
Jyesth
– Maio – Junho
Ashadh
– Junho - Julho
Shrava
(Sawan) – Julho - Agosto
Bhadrapad
(Bahadon)- Agosto – Setembro
Ashvin
- Setembro - Outubro
Kartik
– Outubro - Novembro
Marg
Sheersh – Novembro - Dezembro
Paush
– Dezembro - Janeiro
Magh
– Janeiro - Fevereiro
Phalgun
– Fevereito – Março
Todos
os dias são chamados “tith” e cada um tem seu significado sagrado. Os “tith” se
baseiam no movimento da Terra em relação ao Sol e à Lua. Por isso não têm
exatamente 24 horas, ou seja, um deles pode corresponder a dois dias
consecutivos e, desse modo, criar um descompasso com o calendário Gregoriano.
As quinzenas lunares são importantes e chamam-se “parksh”. A quinzena em que a
lua é brilhante denomina-se Poornima. A semana de 7 não existia no hinduísmo
ancestral, somente a quinzena.
DIAS DA SEMANA
Sonvaar
(dedicado a Shiva) – Segunda-feira
Mangalvaar
(devotado a Hanuman) – Terça-feira
Budhvaar
(devotado a Vishnu) – Quarta-feira
Brahspativar
(devotado a Ganesha) – Quinta-feira
Shukravaar
(devotado a Shiva-Shakti, a deusa) – Sexta-feira
Shanivaar
(devotado à deusa no aspecto de Shani)
Ravivaar
(devotado a Surya- o deus Sol) Domingo
DIFERENÇAS ENTRE OS CALENDÁRIOS SOLAR E LUNAR
O calendário
solar Gregoriano tem 365 dias e o lunar 354 nos meses de ciclo lunar. Existe,
devido a isso, o acréscimo de um mês após cada 30 meses lunares. No calendário
Gregoriano a transição do Sol cai sempre no 20º ou 21º dia do mês. Já no calendário
lunar denominado Vikram Samvata em homenagem ao rei Vikramaditya, a transição
solar acontece por volta do 14º ou 15º dia do mês (ou seja, do mês do calendário
Gregoriano).
PRINCIPAIS FESTIVAIS
PONGAL
– é um festival muito importante para as populações rurais. Celebra-se a
colheita e homeageia-se a Terra, Surya o deus do Sol, e Indra, o deus das
chuvas. O festival dura 4 dias, simbolizando as 4 estações do ano e os 4 pontos
cardiais. Além dos cantos e danças dedicados aos deuses, a população das aldeias
costuma desenhar mandalas na calçada de suas casas. Essas mandalas são formadas
com grãos, semente, raízes, frutos e flores, e no centro dessas mandalas eles
colocam esterco. É uma mandala de agradecimento à Terra pelos seus produtos que
garantem a subsistência; o esterco, nesse caso, simboliza a contribuição para a
abundância da colheita e complementação do ciclo de alimentação, nutrição e
dejetos.
MAKAR
SANKRANTI – É um festival para celebrar a vida e louvar os deuses para ser
merecedor de ir para um bom lugar após a morte. As orações são dedicadas especialmente
ao deus Surya, o Senhor do Sol, fonte de toda a vida. Os banhos rituais
acontecem nos rios das aldeias e também no rio Ganges, pelo povo habitante das
cidades banhadas pelo Rio sagrado.
MAHA
SHIVARATRHRI – A Grande Noite de Shiva. Um dos mais importantes festivais
religiosos da Índia. Os devotos passam a noite em vigília cantando hinos para
Shiva e Shakti, e também cantos devocionais,“bhajans”. É uma noite sagrada
dedicada à energia transformadora da divindade. Os fiéis costumam jejuar e
entrar em introspecção visando superar defeitos e maus hábitos físicos e
mentais.
HOLI
- Acontece para celebrar a abundância
das colheitas. Não se trata de um festival religioso, mas de uma celebração da
vida e da alegria de estar vivo. A confraternização entre as pessoas das comunidades, quer sejam rurais quer sejam
urbanas, é muito intensa. Elas demonstram alegria e descontração, jogando pó
colorido uns nos outros e dançando.
BHAIDOJ
– É um festival que se comemora duas vezes durante o ano. Nessas datas as
esposas vão visitar os seus pais para os reencontrar e confraternizar com seus
familiares e amigos mais íntimos. Na tradição hinduísta, depois que a mulher se
casa vai morar com a família do marido.
RAMA
NAVAMI – É a celebração do dia em que o avatar Rama nasceu. A celebração é
feita através da visitação aos templos dedicados a Rama onde a cerimônia de bhajans
acontece em louvor dessa deidade.
NIRAJALA
EKADASH – Acontece a cada 15 dias; no 11º dia da lua crescente, e no 11º dia da
lua minguante. Durante esse festival as pessoas jejuam e procuram ajudar ao
próximo mais intensamente, doando alimentos, roupas e objetos. Esse festival
celebra a fé em ação através da caridade e a solidariedade.
GURU
POORNIMA – É o festival dedicado ao guru, o mestre. É uma homenagem ao sábio
Viasa, que escreveu o Mahabharata, um dos principais Puranas. Os devotos
homenageiam Viasa na pessoa dos seus mestres espirituais, seus pais, avós e
professores.
SINDHARA
– É o festival das noras. Nessa data a família do marido homenageia a família
da nora enviando flores, doces e outras iguarias para os pais da esposa do seu
filho. É uma forma de agradecer à família da nora pela educação por eles dada a
filha, e reiterar os laços familiares que os une. O motivo principal da
celebração é explicitar o carinho e o apreço que sentem pelas noras.
RAKSHA
BANDHAN – É o festival que celebra o amor entre os irmãos. Nessa ocasião irmãos
e irmãs se abraçam e declaram solenemente o afeto que sentem uns pelos outros.
Eles se visitam, caso morem fora da casa paterna, e se presenteiam mutuamente.
As irmãs colocam uma fita de seda vermelha no pulso dos irmãos homens, num
gesto de carinho e agradecimento. Esse gesto significa a certeza que têm de que
os irmãos homens sempre as protegerão.
JANAM
ASHTAMI – Celebração do nascimento de Krishna. Nas residências, templos e
ashrams a celebração é feita com cantos devocionais dedicados ao avatar
Krishna.
GANESH
CHARTURTHI – Toda a Índia comemora intensamente o festival de Ganesha, porém a
maior festa acontece em
Maharahtra. Uma multidão de devotos sai às ruas cantando louvores
para o deus-elefante. Uma grande estátua de Ganesha, confeccionada em papel
maché, pintada e ricamente adornada com flores, é colocada em um andor e
carregada nos ombros de devotos. O deus é venerado, as pessoas fazem orações e
pedidos de graças e ao final se encaminham para o mar ou o rio Ganges e neles
imergem a estátua. Simboliza que o deus da sabedoria retorna para o oceano de
deleite, as águas primordiais do mundo superior.
NAVARATHRI
– Durante 9 dias e 9 noites a deusa Durga é venerada através de ininterruptos
cantos devocionais e hinos védicos a ela dedicados. Uma grande fogueira
quadrada, simbolizando as 4 direções é acesa no centro do templo ou dos ashrams,
e os sacerdotes lançam nesse fogo sacrificial “ghee” (manteiga clarificada),
enquanto entoam hinos sagrados. A manteiga clarificada, esse líquido dourado, simboliza
a pureza da mente. Durga é louvada nessa ocasião como a Shakti que cria novas
ordens: a potência que elimina os demônios interiores e exteriores, ou seja,
nossos maus pensamentos, maus hábitos e defeitos, e remove os obstáculos que
impedem a realização dos nossos propósitos.
DIWALI
– É conhecido como o festival das luzes. E inaugura o Ano Novo indiano. A deusa
Lakshmi é louvada nesse festival como a divina portadora da luz, da harmonia na
família, na sociedade e no planeta. Fogos de artifício espocam em profusão,
lamparinas são acesas nas residências e nas lojas e estabelecimentos
comerciais. As luzes são a manifestação da alegria, gratidão e adoração à deusa
Lakshmi. A deusa da beleza, do amor e da prosperidade derrama nessa ocasião suas
bênçãos planeta e toda a criação. Comemora-se também nessa ocasião a vitoria de
Rama sobre Ravana e sua volta triunfal a Ayodhya depois do exílio. É a vitória
da luz sobre as trevas e do Dharma, a Lei e a Ordem sobre o adharma, a
iniqüidade.
DASARA
– É um festival dedicado à deusa Durga. Nessa ocasião os devotos se
confraternizam e fazem doações de alimentos e roupas aos necessitados. Para o
hinduísmo a Mãe Divina, durante este festival, acolhe no seu coração os seus
devotos, protege, ampara e orienta os seus filhos no caminho do bem, da justiça
e do amor incondicional. É o festival da generosidade e do amor incondicional.
ONAM
– É celebrado em toda a Índia, porém em especial em Kerala. É a volta da
alegria, prosperidade e justiça simbolizadas pelo retorno do rei Maha Bali, que
uma vez ao ano volta para visitar sua terra. O Rei Maha Bali é venerado como
provedor de fartura e justiça e reinou no período dourado da civilização
indiana na região de Kerala, no sul da Índia. Durante Onam comemora-se também o
advento de Vamana, um avatar de Vishnu. Essa celebração dura 10 dias. As
cidades e aldeias ficam engalanadas, diversos enfeites adornam as portas das
casas, guirlandas e mandalas, e as ruas ficam forradas com tapetes de flores.
LITERATURA SAGRADA
A
literatura espiritual hindu é considerada a mais vasta, rica e profunda do
mundo, pela quantidade de volumes, pela preciosidade filosófica e diversidade
de expressão. Ela é classificada como revelada (Shruti) e narrada e memorizada
(Smriti). As reveladas são os Vedas, e as Upanishads são os comentários
filosóficos sobre os ensinamentos dos Vedas.
Os
Vedas são quatro: Rig Veda, Sama Veda, Yajur Veda e Atharva Veda. Cada um deles
contém um conjunto de textos que foram elaborados em diferentes épocas e contêm
ensinamentos sobre a visão integrada do conhecimento humano: as artes, o
autoconhecimento, a manutenção da saúde e a cura e os hinos e rituais mágicos
para estabelecer a conexão do universo com o planeta, e dos deuses com os seres
humanos.
TEXTOS VÉDICOS
Samhitas
– São os textos védicos mais antigos. Neles encontram-se hinos e cânticos dedicados
aos deuses védicos, fórmulas mágicas e invocações sagradas.
Brahmanas
– Nesses textos estão instruções sobre o comportamento dos sacerdotes. O estudo
das escrituras e os valores a serem vivenciados para que o sacerdote pratique o
que prega. Contém também as orientações sobre as práticas sacerdotais,
obrigações e lições de como organizar e oficiar os rituais.
Aranyakas
– Esses textos foram reunidos por “rishis” –meditadores renunciantes que se
retiraram para a floresta – e por isso são chamados “textos das florestas”.
Eram ensinados em segredo, longe da população de cidades e aldeias, e
transmitidos a um grupo seleto de iniciados. Esses textos ensinam, entre outras
coisas, que os deuses vivem e pulsam na interioridade dos seres humanos; que
nossa essência é divina e que nos cabe, através de práticas espirituais,
estudos e reflexões, atingir a experiência e a conscientização do divino em nós
e em tudo que existe.
Upanishads
– São textos filosóficos de grande profundidade que versam sobre o Absoluto, a
origem do universo e da vida, a essência do ser humano e a razão da existência.
Sutras
– São tratados de sabedoria que versam sobre o conhecimento humano de modo
geral. Contêm orientações sobre linguística, astronomia, astrologia, ética,
moral, arquitetura, geometria, medicina, leis sociais etc
TEXTOS ÉPICOS
O Mahabharata
- É considerado o maior épico já escrito
em toda a literatura universal. Foi escrito há 2 mil anos, em 90.000 versos, e
é oito vezes mais longo que a Ilíada e a Odisséia de Homero reunidas. Foi
terminado e formatado entre os séculos IV a.C e IV d.C. Narra a epopéia cósmica
do homem sobre o planeta Terra. A batalha de Kurukshetra travada entre dois
clãs arianos, os Pandavas e os Kauravas é o placo para os ensinamentos de
Krishna que resultaram na Bhagavad Gita – A Canção do Senhor.
O
Ramayana – Foi escrito pelo poeta Valmiki em 24 mil versos que formam os sete
capítulos da obra. Foi escrito no século III a.C. Narra a epopéia do rei e
avatar Rama.O Ramayana enfatiza a conduta do príncipe herdeiro do reino de
Ayodia como exemplo de retidão. O épico é objeto de várias interpretações. O
texto inquieta os estudiosos por suas narrativas simbólicas referentes à
evolução humana e as descrições das batalhas onde naves espaciais chamadas “vimanas”,
assim como armas cuja descrição se assemelham a mísseis, são utilizadas pelo exército
de Rama e de Ravana, rei de Lanka.
PURANAS
São
textos que contêm ensinamentos mitológicos, orientações de práticas
espirituais, narrativas sobre a genealogia dos deuses, seus feitos e
ensinamentos. Narram os fatos sob uma ótica mágica sem preocupação histórica.
Existem 22 puranas considerados principais e 22 considerados secundários.
Existem os puranas dedicados ao panteão védico e outros aos deuses dravídicos,
e também aos diversos aspectos da deusa e às encarnações de Vishnu. O sábio
Narada é contemplado com um purana, assim como Shiva, o Lingan, e Garuda, o
homem-pássaro. O purana mais importante é o “Shrimad Bhagavatam”. Narra mitos,
lendas e alegorias históricas sobre a ocupação ariana e os confrontos com as
etnias autóctones, suas crenças e costumes. Nos dias atuais, nas casas de
famílias indianas religiosas, este livro é exposto e reverenciado em lugar de
destaque. Um costume semelhante ao cristão, pois em algumas residências, quer
católicas quer protestantes, a Bíblia também é exposta e reverenciada.
TANTRAS
Os
textos tântricos se dividem em Shivaistas e Vaishnavas ou Vishnuistas. Indicam
métodos meditativos para o desenvolvimento de “sidhis” – poderes paranormais.
Estes textos contêm também ensinamentos éticos e esotéricos. As práticas
indicadas visam, através de posturas corporais, de fórmulas mágicas e também da
sexualidade, atingir níveis mentais superiores e expansão de consciência. A
deusa, em especial Kali ,
o aspecto oculto do feminino cósmico, a senhora do tempo e dos mais profundos
mistérios, é adorada entre os adeptos do tantrismo. Os povos dravidianos que
habitavam o sul da Índia tinham rituais de adoração à deusa e ritos sexuais
desde a pré-historia. Esses ritos visavam a conjunção amorosa do masculino e do
feminino, a superação dos opostos e a comunhão com a energia universal.
Importante lembrar que a palavra ritual advém de “Rita”, palavra do sânscrito
que significa, dança, movimento e criação de nova ordem. Daí a importância dos
rituais como facilitadores de transformações para a criação de novas ordens e
realidades.
AS UPANISHADS
Existe
divergência entre os estudiosos da literatura védica quanto ao número de
Upanishads, porém a maioria admite que inicialmente eram 108, levando-se em
conta todas as compilações desde tempos muito antigos. Porém, Shankarasharya, o
grande sábio e reformulador do hinduísmo, criador do pensamento adwaita do não
dualismo, selecionou 11 dentre todas as Upanishads, e se deteve nelas.
Shankaracharya se aprofundou no estudo e elaborou comentários sobre essas 11,
embora em seus ensinamentos inclua citações de outras Upanishads. As 11 eleitas
pelo grande sábio e criador da filosofia vedanta são:
ISHA
KENA
KATHA
PRASNA
MUDAKA
MADUKYA
TAITTIRYIA
CHANDOGYA
BRHADARANYAKA
SVETASVATARA
KENA
KATHA
PRASNA
MUDAKA
MADUKYA
TAITTIRYIA
CHANDOGYA
BRHADARANYAKA
SVETASVATARA
Estes
textos são o substrato da filosofia vedanta e certamente devem ser os
escolhidos por todos aqueles que pretendam conhecer em profundidade o
pensamento védico.
Parabéns! Adorei o conteúdo e as imagens! Nunca tinha visto um site de mitologia com essa profundidade e riqueza de informações. Vou seguir e consultar sempre que preciso.
ResponderExcluirDaniel Matos
Estou adorando seguir esse bolg de mitologia, o conteúdo é maravilhoso e a formatação com imagens linda!
ResponderExcluirConceição
O universo mitologico é mesmo fascinand! Esse blog estava fazendo falta...
ResponderExcluirParabens
Vera
Eu não conhecia nada sobre mitologia hindu e estou adorando seguir o blog e me inteirar dessa cultura milenar.
ResponderExcluirParabens!
Antoieta
Muitos Parabéns!!! Até agora uma das melhores pesquisas que já conheci na net sobre este assunto!!! Um Bem-Haja deste lado do Atlantico para outra alma-unicornio da Unipaz...
ResponderExcluirAntónio Prata
Tive sorte em encontrar este seu blog. Queria breves informações em virtude de uma viagem próxima, mas descobri que nada pode ser breve nesse assunto tão complexo e poético.
ResponderExcluirObrigada.
Neide Kertzman
Extraordinário este site, parabéns.
ResponderExcluirGostaria de saber porque algumas entidades hindus tem a cor da pele azul, obrigada.
ResponderExcluirGostaria de saber por que existem deuses com várias faces? E há faces de jovens, velhos, azulados, animais etc.
ResponderExcluirQue lindo seu blog!
ResponderExcluirQue lindo seu blog!
ResponderExcluirMuito bom o blog! Bem detalhado e com imagens bem bonitas! Gosto muito da cultura indiana, meu sonho é conhecer a Índia, quem sabe um dia não consigo, né? Legal mesmo!
ResponderExcluirgostei muito principalmente da seriedade e respeito como é tratada a cultura hindu,e como vc passa esse conhecimento sem praticar o achismo mas mostrando ele ao mundo simplesmente sem inteferir,parabens que os deuses derramen suas bençãos sobre vc,reverencias
ResponderExcluirExcelente trabalho, obrigado por compartilhar
ResponderExcluirAcabei de conhecer sue blog querida Marilu Martinelli. Adorei! Está maravilhosa como sempre com todos os suas escritas, textos. É um bélissimo blog com muita informação com muita simplicidade e explicação de facil compreenção para quem não conhece nada e e interessado em conhecer sobre Hinduism ou cultura Indiana. Meus Parabens querida!!
ResponderExcluirPrezada Marilu Martinelli.
ResponderExcluirValioso o seu trabalho. Porém me atrevo a observar que no item SANTOS-GURUS E PERSONALIDADES SAGRADAS foi atribuída foto que não corresponde ao fundador da Arya Samaj. A foto ali exposta é de SWAMI DAYANANDA , nascido no sul da Índia em 1953 e que alcançou o mahasamadhi em 23 de setembro de 2015.
Prezada Marilu.
ExcluirMinha observação poderá ser confirmada no site www.swamidayananda.org
Respeitosamente ja.pepe@yahoo.com.br
Namaste.
Prezada Marilu
ExcluirCORRIGINDO: Swamy Dayananda com referido nas mensagens anteriores nasceu em 1930.
Obrigado por compartilhar seu conhecimento. Maravilhoso blog... Parabéns!
ResponderExcluirOS DEUSES DA NOVA ERA E JESUS CRISTO - O DEUS VIVO
ResponderExcluirhttps://www.youtube.com/watch?v=qfK5MY_cR1E
.
.
.
__________
A VOZ DE SATANÁS NA YOGA,
E A INFLUÊNCIA DO HINDUÍSMO PAGÃO NO OCIDENTE.
http://pt.slideshare.net/JUNIOROMNI30...
.
** Ao redor do mundo, MILHARES DE PESSOAS, entregando-se a "NOVAS EXPERIÊNCIAS ESPIRITUAIS", já morreram, e outras foram parar num "MANICÔMIO"; pois elas ficaram "LOUCAS DE VERDADE", quando tentaram manipular forças espirituais.
http://www.ebah.com.br/content/ABAAAg....
Algumas pessoas cometeram o suicídio, e muitas mulheres foram estupradas por seus guias e mestres. Na busca pela "iluminação", muitas sessões de YOGA e MEDITAÇÃO acabam em "EMBRIAGUEZ", "CONSUMO DE DROGAS ALUCINÓGENAS", e também, "ORGIAS SEXUAIS", lideradas por gurus; homens que se dizem "iluminados".
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Muitos psiquiatras já relataram que tais pessoas buscavam desenvolver a famosa energia "KUNDALINI", que no hinduísmo, é a energia da "SERPENTE" que está enrolada na base da espinha dorsal, porém está adormecida.
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Tais sessões de YOGA, serviriam para que as pessoas desenvolvessem o "PRANA", que é a energia vital universal que permeia o cosmo.
Satanás, O PAI DA MENTIRA, usando "GURUS" que se dizem "iluminados", está enganando milhões de pessoas ao redor do mundo, com a famosa prática da YOGA. E na verdade, tal prática exige o ESVAZIAMENTO DA MENTE, para abrir "CAMINHO" à novas experiências.
QUAIS SERIAM ESTAS EXPERIÊNCIAS?
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- A POSSESSÃO MALIGNA?
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- A ENTRADA DE DEMÔNIOS NA MENTE?
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- A INFLUÊNCIA SATÂNICA, LEVANDO A PESSOA "DELIRAR", IMAGINANDO ESTAR EM OUTRA DIMENSÃO?
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Na verdade... SIM !!!
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ResponderExcluirA chamada "ENERGIA DA SERPENTE" = "FORÇA KUNDALINI", ensina que o ser humano tem uma "COBRA" enrolada na base da espinha dorsal. E esta "COBRA" está adormecida. Mas, para "DESPERTAR A COBRA", para que ela possa subir por toda a espinha, é necessário a ENTREGA TOTAL, MAS COM MUITO CUIDADO; porque dizem, a "ENERGIA DA SERPENTE É PERIGOSA E PODE MATAR".
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VEJAM SE DEUS ESTÁ NISSO!
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Onde está escrito na Bíblia Sagrada que o ESPÍRITO SANTO na vida do cristão pode levá-lo à destruição? Ou à morte, caso a pessoa não saiba como controlá-LO. ???
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Disse Jesus:
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__"APRENDEI DE MIM, PORQUE SOU MANSO E HUMILDE DE CORAÇÃO" .
- Mateus 11:29
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O ESPÍRITO SANTO É O PRÓPRIO SENHOR JESUS. Porque Ele mesmo disse:
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___"EU VOS ENVIAREI O CONSOLADOR. EU NÃO VOS DEIXAREI ÓRFÃOS, MAS VOLTAREI PARA VÓS..." - João 14:17-18
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JESUS AFIRMA QUE ELE MESMO É O ESPÍRITO SANTO, E NÃO UMA "SERPENTE".
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(...o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque Ele vive convosco e estará dentro de vós. Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós...)
- João 14:17-18.
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O livro do Apocalipse chama a "SERPENTE" de DIABO, DRAGÃO, e SATANÁS!
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"E foi precipitado o grande dragão, A ANTIGA SERPENTE, chamada O DIABO, e SATANÁS, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e OS SEUS ANJOS FORAM LANÇADOS COM ELE..." - Apocalipse 12:9.
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Como pódemos ver, SATANÁS está por trás da "NOVA ERA". Ele está enganando e iludindo as pessoas com a YOGA e as práticas místicas do hinduísmo, também de outras falsas religiões que compõem o MOVIMENTO NOVA ERA.
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Que o Senhor Jesus - A VERDADEIRA LUZ DO MUNDO, O VERDADEIRO ILUMINADO -, possa abrir os seus olhos e te livrar das artimanhas de Satanás através da propaganda da NOVA ERA, diariamente em nossos dias. No rádio, TV, novelas, filmes, desenhos, músicas, revistas, internet, livros, CDs, DVDs, etc...
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O BOMBARDEIO DE SATANÁS É FORTE NA MÍDIA!
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Mas os cristãos precisam ESTUDAR E PESQUISAR atentamente, para estar diante de Deus... "COMO OBREIRO APROVADO QUE MANEJA BEM A PALAVRA DA VERDADE" - 2 Timóteo 2:15
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(e o DIABO, que os enganava, FOI LANÇADO NO LAGO DE FOGO E ENXOFRE, onde estão a Besta e o Falso profeta, e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre...) - Apocalipse 20:10
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Que Jesus Cristo salve a você e toda sua família!
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.* JUNIOR OMNI - 2015
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Meu caro Junior OMNI, Você já viu algum Hindu insultar outras religiões? Provavelmente a resposta é não. Porque respeitamos todas as crenças sem distinção. Eu poderia elaborar um testo aqui com as diversas loucuras que muitos crentes já cometeram em nome de sua fé, resultado de fanatismo em diferentes religiões. Mas, não é da minha índole pregar o certo ou errado, uma vez que respeito a fé de cada um. Para evitar esse tipo de comportamento, evite visitar as paginas com filosofias de crenças a qual você não acredita. O respeito a fé alheia é o principio da sua. Deus não escolhe religião. E o seu amor estende as mãos para todos os filhos. Somos todos irmãos uns dos outros em humanidade. Muita luz na sua vida. Namastê 🕉️
ExcluirElaine,
ExcluirRespeito... e a Eterna Lei (dharma).
Quero expressar minha gratidão pelo seu trabalho! Lindo!
Quais os traços e vestígios identificados por ALAIN DANIÉLOU no Jesus mítico ...que remontam ao Xivaísmo.
ResponderExcluirQuem tiver literatura a respeito queira por favor, enviar para:
consultorcomercial@gmail.com
Grato
Oiced Mocam
PS:
Parabéns pelo Blog!
Ganhei um casal de hindus.
ResponderExcluirMas não encontro o sgnidicado deles.
Ela segura como um pote redondo coas 2 mãos.
Ele esta sentado com os braços cruzado e nao segura nada.
Por favor me ajude.
Olá Marilu muito obrigada por compartilhar o seu conhecimento conosco. Te mandei uma mensagem no face por favor você poderia dar uma olhada. Muito obrigada. Bjs Cristine
ResponderExcluirMuito bom o seu blog. Profundo. Parabéns e obrigada.
ResponderExcluirO seu blog é muito completo ! Parabéns pelo zelo e pela qualidade, será muito útil para meus estudos universitários , obrigada
ResponderExcluirMuito obrigado pela vasta informação!
ResponderExcluirENCONTRE A CURA DA ALMA NOS VEDAS ELIMINANDO O PRECONCEITO QUE E A MATRIX DA IGNORANCIA, FALO DOS VEDAS (CIENCIA DA ALMA)... AS RELIGIOES MUNDANAS SAO O ATRASO DA HUMANIDADE ENQUANTO QUE A CIENCIA DOS VEDAS A SALVAÇAO DA HUMANIDADE. SOMA.SOMA.SOMA.TRINDADE SUPREMA RIG VEDA NONO MANDALA... LEIA O LIVRO AYAHUASCA GLIMPSE 2012 FROM GOITHYJA...
ResponderExcluirO DIVINO E ABENÇOADO VEDAS ... FROM VEDA VYASA
ExcluirGostaria que fosse construído um desenho ilustrativo mostrando o ciclo universal, mostrando o período de repouso (caos ou escuridão), depois o surgimento do ponto ou início da contração, culminando com a grande explosão, iniciando o período de expansão
ResponderExcluirque por fim inicia novamente o período de repouso1
Muito bom
ResponderExcluirMelhor e mais completo texto da internet. Sem achismo e bem direto (apesar do tema complexo rs)
Trabalho primoroso! Parabéns! Abração
ResponderExcluirAdorei bem explicado mesmo!!
ResponderExcluirBhagwan Shree Rajneesh - ficou conhecido como um mestre iluminado de nossa época pelo nome de Osho (oceânico). Nasceu na Índia em 1931.
ResponderExcluirEle se transformou no guru oriental mais popular do mundo na primeira metade dos anos 1980, superando em popularidade os então aclamados líderes de outros Novos Movimentos Religiosos, tais como Swami Prabhupada (líder dos Hare Krishnas), Maharishi Mahesh Yogi (fundador da Meditação Transcendental), Guru Maharaj (da Missão Luz Divina), Reverendo Moon (da Igreja da Unificação) e Sathya Sai Baba que morreu em 24 de abril de 2011 era considerado a encarnação de Deus.
SATHYA SAI BABA
Ele (Sai Baba) fez fama pelos seus supostos poderes de cura, inclusive de pacientes terminais. Morreu no hospital por falência múltipla dos órgãos. Esse deus mágico, ilusionista indiano tinha mais de seis milhões de seguidores. “O Deus na terra” não conseguiu curar a si próprio.
O motivo pelo qual SATHIA SAI BABA conseguiu se tornar um dos mais bem sucedido e famoso guru da Índia, além das propositais afirmações de ser Deus e aquele que corresponderia à 'segunda vinda de Cristo' etc, foi que com milhões e milhões doados por devotos ricaços e até mesmo muitos governantes, ele levou água potável, comida, abrigo e inúmeros serviços a muita gente que antes vivia na total miséria, construiu escolas, universidades e até um super hospital de especialidades (incluindo até modernos transplantes etc) com atendidmento totalmente gratuito, como todas as obras de Sai Baba, sempre oferecendo serviço totalmente gratuito. Devido a essas fantásticas obras, ele conqusitou a admiração das pessoas, que costumam dizer que mesmo que ele tenha sido um criminoso, pelo menos teria feito muita coisa pelos pobres da Índia e do mundo como ninguém antes ousou fazer.
Morreu biliardário. Os aposentos a onde morava que estavam trancados o que lá foi encontrado deixou decepcionado muitos seguidores: pilhas de ouro, prata e dinheiro, além de diamantes Uma fortuna que tinha sido doada para ser usada na caridade. Mas, vamos falar de outro guru. OSHO"!!!
Elaine, boa tarde. Sou professor de Cosmologia Egípcia e estou elaborando um estudo de aproximação das culturas de regiões orientais, como China, Japão, Índia e Egito. Gostaria de sua autorização para utilizar seu texto ou parte dele nos meus estudos. Mantendo seus créditos originais é claro. Se possível entre em contato.
ResponderExcluirestou atrás de informações sobre asura quem souber por favor me avisa
ResponderExcluirBlog maravilhoso! Muito obrigada por seu trabalho! Tenho uma pergunta: você sabe onde posso conseguir uma imagem ou gravura de Parvati segurando o espelho na mão esquerda, conforme você descreveu em seu texto? Agradeço de coração!
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