MITOLOGIA
IORUBÁ
UM
ENCONTRO COM A ALMA DA MÃE-ÁFRICA
Atualmente na África as
religiões tribais têm perdido terreno para o cristianismo e principalmente para
o islamismo. O cristianismo é praticado no sul da África e na parte
setentrional do continente. Ao sul do deserto do Saara o predomínio é do
islamismo, religião que está em crescente expansão, abrangendo vários países
africanos. Para encontrar a alma da Mãe-África temos que buscar as raízes
ancestrais da relação dos diferentes povos que a habitam com o sagrado e
transcendente. A Mãe-África abriga no seu seio muitos mitos e deuses, assim
como diferentes povos e costumes. O culto sagrado dos nagôs (iorubás), dentre
os outros povos que aportaram nas Américas, foi o que mais se sobressaiu pela
beleza ritualística e riqueza simbólica do seu panteão mítico. Foi a tradição
espiritual que permaneceu mais preservada desde a diáspora africana até o novo
mundo rumo ao infame trabalho escravo. O culto aos orixás, deuses iorubás,
nasceu na Nigéria, Daomé e Togo. Nas Antilhas, Cuba e no Brasil este culto
permanece vivo e apesar do sincretismo e dos preconceitos raciais, sociais e
religiosos, conseguiu sobrepujar sanções e opressões institucionais pela força
mágica e mística da tradição.
O termo iorubá aplica-se a um
grupo étnico e linguístico de milhões de indivíduos, e denomina hoje um povo, um
idioma, uma cultura e uma nação. Eles têm unidade lingüística, de valores e
crenças, além da identidade cultural e uma origem comum, a cidade de Ifé. Iorubá
é a denominação de uma nação, grande país unificado que compreende cinco
regiões: Oyó, Egbwa, Ibarupa, Ijebu e Ijexá. Embora hoje em dia o culto aos
orixás tenha certa uniformidade devido aos amálgamas progressivos com outras
crenças e ritos vindos de diferentes pontos do território africano; entre os
nagôs-iorubás na África não existe um panteão hierarquizado e único. Existem
variações locais, onde certos orixás, que ocupam posição dominante numa região,
podem ser menos importantes numa outra ou mesmo ignorados, porém coexistem
pacificamente sem disputas religiosas.
Os Orixás no Brasil
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Navio negreiro |
Os
navios negreiros trouxeram, cruzando o oceano Atlântico durante mais de 350
anos, um enorme contingente de cativos negros para servir como mão-de-obra a
ser utilizada nos canaviais, cafezais, plantações de fumo etc. Com os escravos
vieram também a sua cultura, seus valores, hábitos alimentares e
comportamentais de modo geral, sua religião, cosmologia e mitologia. Sem sombra
de dúvida a mão-de-obra africana constituiu o embrião da economia brasileira, e
como a tradição africana orienta que os deuses de uma terra estrangeira devem
ser louvados, as primeiras etnias “bantu” e “angola” assimilaram a pajelança
indígena. Os índios foram vistos por eles como os donos da terra onde aportaram
e a reverência à Mãe-Terra e ao sagrado era um traço comum a ambas as culturas.
Os africanos influenciaram profundamente a formação da nossa cultura; criaram
novos costumes, introduziram na cozinha brasileira as verduras, diversos
cereais e legumes, e os pratos que são consagrados aos orixás hoje fazem parte
da culinária nacional. Eles adoçaram também o idioma amaciando a linguagem com
suas expressões idiomáticas: “dengo”, “banzo”, “kalundú”, “cafuné”, “xamego”,“quindim”,
“xodó”, somente para citar algumas, e os diminutivos carinhosos e criativos
como “pipi”, “cocô” , “nhônhô”, “nhanhá”, “neném”, “ioiô”, “Iaiá”, e outros
tantos. Eles também enriqueceram as nossas artes e folguedos populares, e
contribuíram com a medicina natural para curas físicas e espirituais devido ao conhecimento
mágico ancestral sobre as ervas e raízes medicinais.
O
culto aos orixás era proibido para os negros e temido pelos brancos e a
religião católica dominante, que aceitava o tráfico escravagista e tentava
converter os negros cativos ao cristianismo para “salvar” suas almas das
“trevas”. Batizavam os escravos e davam-lhes nomes cristãos, embora impedissem
que eles frequentassem as igrejas, quando convertidos. Esses escravos
convertidos, ao conquistar a alforria, construíam suas próprias igrejas para
poder adorar Jesus e os santos. Os navios negreiros costumavam ter nomes de
santos como Nossa Senhora da Conceição, Santo Antônio, São José, Sant’Ana e
outros. São José, segundo Pierre Verger, recebeu por volta de 1757 a posição de
“protetor particular dos homens de negócios que se dedicam ao tráfico de negros
na Costa da Mina” (Os Orixás, pág 24). Por incrível que pareça, os traficantes
de escravos tinham a consciência tranquila e fé na proteção divina para sua
atividade abominável, e como se não bastasse, acreditavam ser dignos de
recompensas divinas e materiais, por isso chegaram a solicitar em 1808 benesses
ao rei de Portugal, devido aos esforços dispensados nesse tipo de atividade. A
ganância e arrogância os conduziram à irreverência, à impiedade e à degradação,
o que contribuiu para a visão simplista, utilitarista e distorcida do sagrado,
que é a base da civilização iorubá.
O
Sincretismo
Os
escravos despistavam os seus senhores para poder praticar seus rituais de
adoração aos orixás, “voduns” ou aos seus “inkissi”, como os bantus e angolas, outras
etnias importantes entre os escravos denominam seus deuses. Utilizavam os nomes
dos santos católicos nas louvações, mas na verdade evocavam seus orixás de
devoção. Não se sabe exatamente quando esse sincretismo se estabeleceu, porém
há indícios de que os iorubás procuraram encontrar identidade de atributos dos
diferentes orixás com os atributos dos santos cristãos. Os santos católicos,
dessa maneira, se tornavam mais compreensíveis para os escravos convertidos, e
os demais, fieis à sua tradição original, viam nesse estratagema uma
possibilidade de efetivamente dissimular suas verdadeiras crenças e praticá-las
em segurança. A
adoração aos orixás permitia que a identidade essencial e cultural do escravo
fosse preservada. Embora o indivíduo fosse tratado como propriedade do seu
senhor, sem vontade própria, como “yaô” (iniciado), durante os rituais, quando
incorporava seu orixá, ele era o veículo escolhido para que um deus se
expressasse. Incorporar um deus lhe restituía a dignidade humana e divina
porque reavivava sua memória ancestral, cultural e racial. Interessante notar
que com o passar do tempo, apesar dos preconceitos raciais e sociais, africanos
e brancos se miscigenaram e o número de mestiços foi se tornando cada vez
maior, e estes foram educados respeitando e freqüentando tanto as crenças e
rituais cristãos quanto africanos. A despeito da repressão policial e das
confrarias religiosas e ordens da Igreja Católica, que dividiam as etnias africanas,
os escravos, libertos ou não, se reagrupavam e praticavam, em locais mais
distantes dos centros urbanos, o culto aos orixás. Nasciam assim os primeiros Ilês
(terreiros de candomblé) e o sincretismo cultural afro-brasileiro.
O CANDOMBLÉ - RITUAIS E CULTOS
SAGRADOS
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N.Srª da Boa Morte |
Um grupo de mulheres, antigas escravas libertas, que
pertenciam à Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte da Igreja da Barroquinha,
em Salvador-Bahia, tomou a iniciativa de criar um Ilé (terreiro de candomblé
africano no Brasil). Na África, os cultos são efetuados em terrenos de chão
batido, em locais escolhidos pelos sacerdotes e sacerdotisas por seus poderes
mágicos, onde o magnetismo do planeta se apresenta poderosamente ativado.
Candomblé é uma palavra que deriva de candombe, uma dança coletiva, e foi o
nome escolhido no Brasil para definir a forma e o local onde os africanos
deveriam cultuar seus orixás durante os “xirês” (reuniões sagradas).
No início do século XIX, três dessas mulheres viajaram para
a África e permaneceram em Kêto sete anos; quando voltaram, trouxeram o “axé”
(poder mágico) dos seus ancestrais, e fundaram o terreiro de candomblé “Ilê
Iyanassô” (conhecido até hoje em Salvador como Casa Branca do Engenho Velho,
onde reinou soberana a primeira ialorixá – sacerdotisa - brasileira, Mãe
Senhora. A celebrada Mãe Menininha do Gantois, do Ilê Axé Opô Afonjá foi a última
descendente direta dessa linhagem. Os cultos africanos eram praticados
clandestinamente e quem os frequentava era perseguido pela polícia, fosse negro
ou branco.
É importante salientar que as mulheres desempenham no
Brasil um papel especial de liderança nesta tradição. Detentoras do
conhecimento ancestral de sua raça, elas transmitiam e transmitem até hoje os
conhecimentos e preceitos sagrados conservados com fidelidade extrema. O
conhecimento sagrado é transmitido para suas filhas e filhos, quer de sangue
quer de “santo” (orixá), visando a continuidade da tradição, e preservando a
identidade cultural e espiritual do seu povo.
O candomblé no Brasil atua como uma comunidade solidária
e unida pelo serviço aos orixás, e muitos mantêm entidades filantrópicas de
assistência a crianças carentes e outros serviços sociais. A falta de
conhecimento e consequentes informações incorretas sobre essa forma de culto,
assim como a distorção da pureza dos princípios que norteiam os rituais e
práticas divinatórias, quando executadas por falsos sacerdotes e sacerdotisas
fomentou versões desabonadoras sobre a tradição iorubá e o candomblé. Acredito
que a pureza da tradição precisa ser resgatada para que possamos respeitar essa
cultura e eliminar definitivamente o preconceito racial e religioso em relação
aos nossos irmãos afrodescendentes. Afinal de contas, respeitar e acolher o
diferente e interagir com ele é dar o primeiro passo para a integração fraterna
da família humana.
O Xirê
Entre os iorubás, a sacerdotisa é denominada Yalorixá e o
sacerdote Babalorixá, comumente conhecidos no Brasil como mãe-de-santo e pai-de-santo,
ou zeladora e zelador-de-santo. Eles cuidam do “AXÉ”, dos símbolos e objetos de
poder do orixá e dirigem as cerimônias que podem ser privadas e secretas ou
públicas. Nos dias de cerimônia pública, chamada “xirê dos Orixás”, eles
presidem os rituais e são os responsáveis pelo bom andamento da celebração.
Nessas ocasiões o barracão é decorado com flores e fitas coloridas,
bandeirinhas ou guirlandas de papel crepom nas cores dos orixás e o chão é
limpo e coberto por folhas de pitanga. O local é defumado com fumigações de
ervas próprias para a purificação do ambiente. O pai ou a mãe de santo, e os
seus ajudantes mais próximos, ficam sentados num lugar de destaque e os
atabaques consagrados aos orixás denominados “rum”, “rumpí” e “lê” acompanhados
de outros instrumentos de percussão, são responsáveis pelos toques e os
cantores cantam os pontos de chamada, mantras em ioruba ou nagô, que convocam
os orixás para participar do ritual. Os filhos e filhas de santo se preparam naquele
dia com banhos de ervas para limpeza energética e se abstêm de relações sexuais
no dia que antecede ao “xirê”. De acordo com os toques e cantos mântricos, na
medida em que é invocada a presença do seu orixá de cabeça, os “yaôs” entram
num estado de transe profundo; então, possuídos pelo orixá, começam a girar e
dançar com expressões faciais e posturas corporais modificadas, que revelam
pela especificidade de cada gesto e passo, que o orixá invocado está presente
no terreiro. Após a incorporação, as roupas, adereços e égides de cada orixá
são usados pelo iniciado e o orixá dança e dá seu “ilá” (sua palavra ou grito
de identificação). Os assistentes o saúdam em iorubá, e desse modo o deus se
apresenta na sua plenitude para abençoar seus filhos e receber homenagens. Depois,
ao final, é servida ao público presente a comida oferecida aos orixás e por
eles consagrada.
OS ORIXÁS- ORISSÁ
Orissá ou orixá significa a luz da cabeça. Para os iorubás, os orixás
são potências cósmicas que regem os poderes dos elementos da natureza.
Elementos que constituem nosso organismo e todos os reinos da natureza e que
tudo mantém e de onde tudo provem. O orixá é uma força pura, imaterial que atua
em várias dimensões e se torna perceptível quando incorpora em um ser humano.
São os regentes das energias do planeta e para entrar ou sair da Terra é
preciso a autorização deles. Constituem hierarquias de elementais que zelam
pela vida manifestada na Mãe-Terra. Eles adotam os seres humanos quando suas
almas estão prontas para encarnar na Terra e os protegem vigilantes durante
toda a existência.
Os mitos, as lendas e definições dos orixás podem variar de região para
região, mas todas as narrativas coincidem quanto a fé na atuação deles como
divindades administradoras do equilíbrio e da preservação da vida no mundo
terrestre. Divindades que estão encarregadas pelo Princípio Supremo, Olodumare,
da manutenção de sua criação no Ilê, o mundo natural, e constituem a energia
emanada da e pela Mãe-Terra para o Cosmo e vice-versa. Alguns seres, devido as
suas qualidades morais e habilidades, podem se tornar orixás; nesses casos,
geralmente escolhem um descendente como veículo para se manifestar. No Brasil o
culto é prestado a 16 orixás prioritários; segundo os iorubás, eles são os
diferentes aspectos da divindade única. Alguns deles excepcionalmente podem ser
manifestações desses primordiais, e ter sido seres humanos que atingiram o
estado divino em vida, e por amor retornam para ajudar sua família e
comunidade.
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Dança dos Orixás |
No Brasil, os iorubás e sua cultura predominam na estrutura das
cerimônias, na mitologia e metafísica, embora outras etnias ainda permaneçam fiéis
e atuantes, cultuando suas crenças, como o culto aos Egungun (os ancestrais)
que acontece principalmente na Ilha de Itaparica, na Bahia. Os orixás são
arquétipos universais, personificam virtudes e valores fundamentais desta tradição.
Eles constituem os fundamentos do caráter desse povo que transmite sua
sabedoria oralmente atravez das lendas contadas com reverência e amor de
coração a coração, da boca amorosa para o ouvido amoroso. Para os iorubás, a
Mãe-Terra é um ser vivo e sagrado. Plantar, perfurar um poço para obter água
limpa, ou outro tipo qualquer de intervenção no solo do planeta, é precedido de
um ritual para obter permissão e perdão pela agressão feita ao corpo da Mãe-Terra.
Eles agradecem cantando e dançando pela obtenção da licença e pelos resultados
positivos das suas ações. Os orixás estão presentes no cotidiano dos fiéis, no
trabalho e nos fatos mais corriqueiros da vida. Simbolicamente, a morada e
regência de cada orixá é um elemento e uma qualidade, um valor, e cada
expressão da natureza é compreendida como um sinal mágico. Para os iorubás a
natureza oferece os indicadores abençoados pelos orixás. Cada orixá tem sua
cor, égide, pedra, dia da semana, dança, canto, saudação, animal consagrado,
comida, objetos de oferenda, filiação, função e lugar de poder.
PRINCIPAIS ORIXÁS (MITOS, FUNÇÕES E REGÊNCIAS)
ORIXALÁ ou OBATALÁ - Divindade
da criação, o nome da divindade suprema. Também conhecido como Olodumare ou
Orumilá.
IFÁ -
O senhor dos mistérios divinatórios. O porta-voz de Orumilá, ou Olodumare, o
deus supremo, que está inacessível aos homens e fora da compreensão humana. Ifá
é consultado e Olodumare (ou Orumilá) revela seus desígnios através do “opelê”
um tipo de rosário divinatório que somente os sacerdotes podem consultar. As
sacerdotisas consultam os búzios cujo jogo divinatório é regido por Oxum, uma
deusa. Outro nome do deus supremo é Olorun, o senhor dos céus.
EXU
– O mensageiro dos deuses. Ele é o traço de união entre os homens, os orixás e
Olorum. Exu é assistente direto do deus supremo e assessora Ifá nas consultas
ao “opelê”, e no jogo de búzios inspira a ialorixá (sacerdotisa) e leva as
consultas diretamente aos orixás, trazendo para ela as respostas dos deuses. É
o mensageiro entre as dimensões mundanas e sagradas e o guardião dos templos,
das casas, das cidades e das pessoas. É o intermediário entre os seres humanos
e os deuses e por isso é homenageado em primeiro lugar nos cultos. Ele garante
que os obstáculos para o bom andamento das cerimônias sejam removidos. Esse
orixá teve por parte dos colonizadores uma interpretação incorreta que
permanece ainda hoje repercutindo negativamente e prejudicando a compreensão e
aceitação desta tradição. Ele não é a incorporação do mal, pois a noção do
diabo, da corporificação do mal não existe entre os iorubas. Exu é a força que
cria novas ordens e que abre caminhos para possibilidades.
OXOSSI
- O senhor das florestas, o provedor da caça, pesca e da fartura de modo geral.
É o orixá da generosidade, da amabilidade, companheirismo e determinação. Como
Odé, um dentre seus aspectos mais misteriosos e secretos, é o oculto, o
conhecedor das raízes e dos segredos das profundezas da Terra. Oxossi é a força
que orienta a organização da vida comunitária e a produção agrícola nas
aldeias. Oxossi agrega as pessoas e confere qualidade a convivência
comunitária.
OGUM
- O senhor da guerra, guerreiro do divino combate interior entre o certo e o
errado, a luz e as trevas. Ajuda na superação dos defeitos comportamentais e
dos vícios prejudiciais a saúde e a elevação do espírito. Irmão de Exu, abre
caminhos para o novo, vence demandas contra as negatividades e auxilia na
realização de projetos, eliminando dificuldades eventuais. Ogum é temperamental
e intempestivo e tem como principal desafio vencer a si mesmo.
OXUM - A deusa-mãe das águas
doces, a Grande Mãe. Sua energia de potencializa nas nascentes e cachoeiras. Éo
princípio feminino que se apresenta como cuidado amoroso, beleza, graça, harmonia,
doçura, prosperidade e abundância. Promove a fartura e a fertilidade e protege
a maternidade e as crianças. É também a deusa do amor e do ouro.
IEMANJÁ
- A deusa-mãe das águas salgadas. Sua energia se potencializa nos mares e
oceanos. É o princípio feminino que se apresenta como beleza, impetuosidade, poder,
mutabilidade, exuberância, acolhimento, fascínio, imprevisibilidade,
criatividade e força transformadora e renovadora da vida. Protege os homens do
mar, a pesca, a família, o amor entre os casais. É a deusa que reina desde as
profundezas e dos mistérios abissais.
OXALÁ - O orixá responsável
pela totalidade da criação de Olodumare. A ele foi confiada a tarefa de formar
a humanidade. Ele representa a sabedoria dos mais velhos, a ponderação, a
pureza, o respeito, a paciência e a perseverança. Protege os puros de coração.
Seu elemento é o éter. É um orixá fun-fun, ou seja tudo que se refere a ele e é
a ele oferecido tem que ser branco e imaculado.
XANGÔ
- A realeza, o poder de decisão, a firmeza e a força do caráter. É o senhor da
justiça e da liderança a serviço do Bem. Rege os negócios e os assuntos de
estado. Protege os governantes e líderes em geral. Manifesta-se
na natureza como os trovões e raios, símbolos do seu poder. Xangô é a beleza
masculina e sua força física e moral atrai as mulheres de maneira irresistível.
Seus filhos espirituais trazem suas características e expressam suas
qualidades.
OSSAIN - O Senhor das Folhas. Manifesta-se como o poder dos sons da floresta e
principalmente como o poder que se oculta nas ervas e folhas sagradas e
curativas. Não há candomblé sem folhas e para que elas permaneçam vivas e
poderosas Ossaim precisa ser louvado. É o senhor da medicina que cura o corpo,
a mente e a alma. É um dos mais misteriosos dentre os deuses iorubá.
OBALUAIÊ
- O Senhor das doenças e da cura. Ele revela a fragilidade humana, a
instabilidade e a necessidade dos seres vivos de estar em harmonia com as
forças da natureza para permanecer saudável. Ele se apresenta também como o
curador do físico e das moléstias em geral, e das afecções de pele em especial.
É o orixá protetor e provedor do equilíbrio que gera a saúde. Quando irado,
provoca epidemias e morte. Ele tem poder sobre a vida e a morte. Seu nome
significa O Senhor da Terra, Shapanam.
OXUMARÊ
- É o deus da dualidade e da alternância entre os opostos na manifestação da
vida. Ele é o sustentador do equilíbrio das forças naturais e da renovação. É
representado pelo arco-íris que liga o céu e a Terra. Um dos seus símbolos é a
serpente enrolada que ao se desenrolar une o profano e o sagrado. Oxumarê
ensina a humanidade a jogar o jogo da vida, a lidar com as perdas e os ganhos.
É também o orixá portador de alegria e transformação.
LOGUNEDÊ
- O Senhor da síntese – a complementaridade. Manifesta-se como homem e como
mulher alternadamente. Durante seis meses é feminino e nos outros seis meses é
masculino. Ele representa a união das polaridades, homem e mulher, certo e
errado, luz e trevas, bem e mal. Corpo e espírito. ele é a superação dos pares
de opostos.
IROKO
- O Senhor de todos os aspectos do tempo. Apresenta-se como uma árvore
frondosa, a gameleira branca. Seus filhos o homenageiam com devoção, mas este
orixá não incorpora nos fiéis; ele permeia tudo, cria e destrói todas as
coisas. A gameleira tem raízes profundas na Terra, mas se dirige ereta para o
céu; ela nos ensina que durante seu tempo de vida o ser humano deve estar na
Terra sem se esquecer do céu de onde se origina. Iroko ensina também o uso
adequado do tempo mostrando que o tempo não passa, é eterno; quem passa somos
nós, as coisas e a natureza.
INHASÃ,
OYÁ – A rainha de OYÓ, a senhora dos ventos. O princípio feminino transgressor
do estabelecido e provedor da coragem, autoconfiança, auto-estima, dedicação,
também da iniciativa e estratégia de superação dos obstáculos aos propósitos
grandiosos. É a deusa que conduz as almas dos mortos do sofrimento à paz eterna
e afasta os espíritos perturbadores. Dançando freneticamente, agitando com as
mãos um rabo de leão, ela livra seus protegidos dos males do espírito.
OBÁ
- A divina e destemida guerreira defensora das causas nobres. Combate em favor
dos menos favorecidos pela sorte. Os rejeitados, os traídos e humilhados contam
com a proteção de Obá, a poderosa deusa justiceira. É o feminino destemido que
reivindica igualdade de direitos entre homens e mulheres. Manifesta-se nas
águas revoltas da confluência entre os rios.
NANÃ
BURUKU ou BURUQUÊ - O princípio feminino que se apresenta como a anciã sábia, o
poder ancestral que engendrou as formas humanas amassando o barro com seus
próprios pés. A senhora das águas profundas e dos pântanos. É o mais alquímico
dos orixás; representa o poder transmutador da natureza. Ela é um orixá
originário da idade anterior ao ferro e cultuada principalmente no Daomé.
IBEJI
– Orixás-crianças. Regem a alegria, a descontração, a espontaneidade, a leveza,
o entusiasmo, a capacidade de se deslumbrar, a curiosidade e a vontade de
aprender. Manifestam-se nos adeptos como a criança interior de cada um dos
seres humanos.
Olodumare – O Deus Supremo
A
religião dos orixás é um culto às forças cósmicas e telúricas; é uma forma de
culto familiar e comunitário. Embora seja basicamente uma religião tribal e da
natureza, também reverencia os espíritos dos ancestrais que por suas qualidades
morais foram divinizados e integrados às hierarquias de elementais que
constituem as energias do planeta, possuindo por isso um axé (força mágica)
poderoso. É uma religião de aceitação e tolerância, onde não existem preconceitos,
dogmas, proselitismo ou doutrinação.
Para
os iorubás, acima dos orixás está Olodumare, o deus supremo, que paira sobre
tudo e todos e contém em si mesmo tudo e todos. Esse deus representa o poder
infinito do universo; é inacessível, e está muito além da compreensão humana.
Não é cultuado nem incorpora nos adeptos, mas é o mais respeitado, pois é o criador
inacessível de tudo que existe, inclusive dos orixás.
Quando
resolveu criar a humanidade, Olodumare criou primeiro os orixás e a eles
confiou a supervisão de sua obra. Portanto, para chegar a Olodumare é aos
orixás que os homens devem recorrer, reverenciar e dirigir suas preces e
oferendas.
Olorun
é o nome dado ao governante do “orun” que é uma dimensão intermediária entre o universo
superior de Olodumare e a Terra (Ilê). Orun é um lugar muito sagrado e
reverenciado porque é lá que habitam as almas dos mortos. No orun as almas
aguardam a hora de voltar periodicamente ao mundo dos vivos para renascer.
Para
os iorubás tanto a vida quanto a morte são etapas sagradas e ao oferecer
sacrifícios aos seus orixás eles consagram tanto a Terra quanto o céu,
afirmando essa crença. Eles acreditam que os animais imolados e ofertados
durante o sacrifico têm a oportunidade de evoluir como energia consciente.
Como
vemos, a mitologia desta tradição é altamente sofisticada e sutil na
apresentação dos seus mitos, rituais e arquétipos.
Arquétipo
Os
“ogans”, conhecidos entre nós brasileiros como filhos-de-santo, vivem transes
de possessão profunda; trata-se de transe que atinge o estágio das ondas
cerebrais theta. O orixá que eles incorporam geralmente apresenta
características físicas e de personalidade, assim como afinidades de
temperamento, com cada um dos seus filhos, “ogans” ou “yawôs”. Essas afinidades
são perceptíveis e também se apresentam como propensões arquetípicas da
personalidade que jazem adormecidas no inconsciente das pessoas. Muitas vezes
talentos e tendências inatas são reprimidos pela educação ou meio social, e o
adepto incorporando seu orixá, cujo arquétipo lhe corresponde, durante o transe
se comporta como o orixá, dança como ele e se expressa com grandeza e
majestade. Durante o transe o “ogan” libera os traços ocultos de sua
personalidade e vive um êxtase muito abrangente e alentador. Tudo isso que ele
manifesta pertence aos domínios do inconsciente e a exaltação do transe é
altamente libertadora, porque unifica os diferentes aspectos da personalidade
do filho-de-santo e permite que ele ultrapasse limites auto-impostos e solte as
amarras subconscientes.
Nesta
tradição, o corpo físico é compreendido como a manifestação concreta de uma
ação transcendental e deve ser tratado com carinho e respeito. Deve estar
sempre limpo e em perfeita saúde para que possa ser o veículo perfeito para o
orixá incorporar. Para eles a doença é uma transgressão ou negligência do fiel
com suas obrigações litúrgicas, morais e sociais.
Os
orixás, quando insatisfeitos, reportam as falhas do “ogan” a Olodumare, que
determinará o que deve ser feito. Merece destaque a refinada psicologia iorubá,
cujas práticas visam a harmonia interior do indivíduo, da família e da
comunidade, a partir da harmonização de cada um e de todos em vários níveis de
realidade.
O
psicólogo alemão Bert Hellinger desenvolveu o seu trabalho chamado Constelações
Familiares a partir da observação das práticas iorubás de harmonização de
conflitos utilizando arquétipos quer individuais quer religiosos para
solucionar problemas pessoas atuais ou recorrentes de cada pessoa e grupo
familiar, assim como das comunidades. Portanto, não se trata de uma tradição
primitiva, no sentido de primária, mas sim de uma expressão do conhecimento
universal unificado que cada civilização apresenta de acordo com as
características raciais, territoriais e culturais. No caso, os nossos irmãos
africanos revelam com beleza e alegria seu universo étnico, ético, artístico,
místico, mítico, social e religioso, através da compreensão sagrada da
existência.
Sacrifícios
Para
os não adeptos da tradição iorubá, é comum criticar e até rejeitar os rituais
que incluem sacrifício de animais praticados pelo candomblé, umbanda e pelo
sincretismo afro-brasileiro de modo geral. Todas as religiões praticaram
sacrifício imolando animais nos seus altares desde tempos imemoriais; algumas
até imolavam seres humanos. Os sacrifícios eram comuns na Suméria, no Egito, na
Pérsia, Grécia, Índia, no império romano; não podemos esquecer da Judéia e seus
rituais com sacrifícios de animais no templo.
Dentre
os sacrifícios bíblicos, o mais famoso é o sacrifício que Jeová exigiu de Abraão
- a imolação de Isaac, seu único filho -, que por intervenção de um anjo, foi
transformado no sacrifício de um cordeiro. Este sacrifício, segundo o judaísmo
e o cristianismo, traz o ensinamento da submissão à Vontade do Altíssimo; mostra
que devemos colocar o que deve ser feito, pela Vontade de Deus, acima de tudo
que mais queremos e amamos.
Na
época de Cristo, durante a Páscoa, os fiéis judeus imolavam grande quantidade
de carneiros no templo como ato de fé e agradecimento. Daí o Cristo ser chamado
“O Cordeiro de Deus”.
Na
Índia, vemos nos Vedas que o sacrifício do cavalo branco significava a rendição
da mente ao divino, e era um dos momentos altos dentre os rituais de sua tradição.
Os
cristãos substituíram o sacrifício de animais pelo sacrifício da eucaristia,
quando o pão e o vinho representam o corpo e o sangue de Jesus. O sacrifício é
o fazer sagrado, o sacro-oficio, e para cada povo significa doação e oferenda reverente.
As
civilizações das três Américas também ofereciam sacrifícios à Terra e ao Sol. Porém,
cada tradição exterioriza isso de acordo com sua cultura.
Os
iorubás acreditam que o animal sacrificado não deve sofrer ao morrer, e que o
sangue derramado faz a ligação da energia vital terrena com o universo, de onde
tudo se origina. Penso que não nos cabe julgar tendenciosamente as escolhas
humanas, e aceitar o sagrado nas suas múltiplas expressões.
IFÁ
É
o orixá oculto e imanifesto, dotado do poder divinatório mais sagrado da tradição
iorubá. Ifá representa o mistério da vida e da morte, o transmissor dos
desígnios do universo. Ele é a expressão da vontade de Olodumare, o deus único
e supremo.
Seu
veículo para se comunicar é o “opelê”, um tipo de rosário feito de sementes a
ele consagradas, que lançadas ao solo configuram as infinitas maneiras da vida
se apresentar e evoluir. Os “odus”, como são chamados os 16 fundamentos e
configurações básicos, nos quais o babalaô lê as conjunções que correspondem ao
momento de vida do consulente, funcionam vibracionalmente. Essas informações
atuam no inconsciente do consulente sem interferência do intelecto. Na África,
o babalaô permanece fiel à tradição ancestral, e confia na linguagem silenciosa
dos símbolos, na geometria sagrada, sem interferir. No Brasil, o babalaô ou a
Yalorixá decifra os sinais e indica ao consulente as potencialidades, orientando-o
como agir.
Ifá,
assim como Olodumare, também não incorpora no adepto, mas é reverenciado como o
portavoz de Olodumare e portador dos versos ancestrais da tradição. Os versos
de Ifá contêm os mitos e as lendas que encerram princípios e os ensinamentos
transmitidos oralmente: são os fundamentos e valores milenares. Eles constituem
o livro de sabedoria desta tradição, que é basicamente oral.
É
interessante ressaltar que a arte divinatória do jogo de búzios é um atributo
da Yalorixá; e o opelê (rosário divinatório) é atributo do Babalaô. No Brasil
essa diferenciação não é respeitada.
EXU ELEGBARÁ
Esse
orixá ganhou no Brasil uma versão totalmente distorcida pelos colonizadores católicos
e catequistas jesuítas. E hoje em dia, devido a isso e ao desconhecimento da tradição
pela maioria da população, quer seja negra quer seja branca, ele é visto como a
personificação do mal e da perversidade, mesmo entre adeptos de seitas formadas
pelo sincretismo afrobrasileiro.
Para
algumas seitas de origem africana e aculturadas, Exu não é um orixá. Os exus para
elas são espíritos sem luz, muito presos às sensações, que atuam para o bem ou
para o mal mediante uma paga. Atualmente, algumas correntes do cristianismo neopentecostal
enfatizam esta versão, o que contribui para alimentar o engano e a distorção do
mito. Trata-se de um enorme equívoco, porque para os iorubás não existe a
concepção do diabo, a personificação do mal; não existe a figura antropomórfica
do mal, uma força externa a quem imputar as tentações, erros e malfeitos.
Exu
é o orixá da dualidade na manifestação da vida; certo e errado, dia e noite,
homem e mulher, bem e mal, ou seja, a bipolaridade de modo geral. Como o Hermes
grego e o Mercúrio romano, ele faz a ligação entre o mundo material e o mundo
espiritual; é o guardião dos templos, das cidades, das encruzilhadas, das casas
e das pessoas. No candomblé, é o primeiro orixá a ser homenageado nas
cerimônias do “xirê”. Ele é invocado para que neutralize eventuais
mal-entendidos entre os adeptos e perturbações energéticas de modo geral.
Os
missionários cristãos o identificaram com o diabo em razão da sua representação
como um homem nu exibindo um respeitável falo ereto, ou como um cupinzeiro
brotando do solo representando o órgão sexual masculino. Ele representa a
fartura, a prosperidade, a flexibilidade, a sedução, a fertilidade, a
criatividade, argúcia, e a sexualidade. Para os iorubás é fundamental casar e ter
filhos, e o falo masculino é visto como a sementeira, a fonte da descendência,
da procriação e do fogo das paixões.
Execrar
Exú é partir a espinha dorsal do povo iorubá, e sua concepção livre e alegre da
vida. Para Exu pede-se a interferência nas coisas materiais, porque ele sabe
lidar com as peças que constituem o jogo da vida e sabe ampliar o leque das
possibilidades. Este orixá está além do bem e do mal, das perdas e ganhos, é
uma força amoral, um potencial inesgotável de energia que pode ser utilizada
segundo o nível de consciência dos homens. Exu revela que a moralidade não está
sujeita à divindade, mas às escolhas humanas e suas consequências. Para os
iorubás, a ética depende da qualidade do caráter dos homens e se exterioriza
nas suas intenções e ações.
Exu
é o mais complexo e contraditório de todos os orixás, tem virtudes e defeitos,
e como os humanos está sempre exercitando as oscilações entre o bem e o mal.
Pode fazer o bem quando solicitado, assim como pode pregar peças e até eventualmente
fazer o mal. Exu ensina que tudo na vida tem seu valor e seu preço no jogo de
perdas e ganhos. Este orixá é uma força que atua de acordo com a consciência do
adepto, e o resultado e a ressonância das ações é responsabilidade de quem
recorrer a Exu. Nele está o princípio da comunicação; ele retrata nossa dualidade
interior, e rege o uso da energia vital, o corpo dos desejos, emoções e sensações.
Exú abre caminhos, derruba barreiras e cria novas ordens.
Seu
mito diz que ele veio ao mundo munido de um bastão em forma de falo (“ogó”),
que tem a propriedade de transportá-lo para onde quiser em instantes. Exu é o
orixá que revela que do caos surge a ordem, e tem função reguladora no cosmos. É
o orixá que atua como fiel da balança entre as forças de construção e de
destruição. A redenção de Exu é a verdadeira abolição da escravatura de uma
raça e de uma cultura. Livrar Exu da falsa imagem demoníaca e conhecer seu real
significado mítico é um passo fundamental para a superação dos preconceitos
raciais, sociais e religiosos em relação aos adeptos da tradição iorubá e principalmente
aos afrodescendentes no Brasil.
O Mito
Existem
mitos que apresentam Exu como filho de Oxum criado por partenogênese, sem
intervenção masculina, e que teria recebido o axé (poder) de todos os demais
orixás. Este mito diz que Olodumare enviou 16 orixás para criar a vida na
Terra, 15 homens e uma mulher. Os orixás masculinos boicotaram as ações do
único orixá feminino entre eles e por isso, a deusa se retira da Terra. O
resultado da sua saída foi fome, miséria, seca, esterilidade e sofrimento.
Desesperados, os orixás vão até Olodumare e narram a situação. Olodumare diz
que sem a deusa, o princípio feminino, nada se movimentaria nem floresceria, e
que eles deviam convencer Oxum a voltar para a Terra. Então, eles foram até a
deusa e imploraram que voltasse. Relutante, ela aceitou, impondo uma condição: todos
eles deveriam depositar seus “axés” em seu ventre; seu filho seria filho de
todos eles e detentor dos seus poderes. Os demais orixás masculinos obedeceram
e Oxum gestou e deu à luz Exu.
Outro
mito o apresenta como filho de Yemanjá e Oxalá. As narrativas variam de acordo
com a região da África. Seu domínio está em toda parte, mas as oferendas são
feitas em encruzilhadas e porteiras, porque Exú é o orixá que indica caminhos e
ultrapassa os obstáculos, as demandas e dificuldades de optar, criar e realizar.
O seu elemento é o fogo, a comida a ele oferecida é a farofa de dendê e os
animais consagrados são o galo preto e o bode preto. Suas cores são o preto (que
representa a soma de todas as cores na matéria, as trevas de onde nasce a luz)
e o vermelho (que representa o fluido vital, o sangue e o movimento, a ação). O
dia da semana dedicado a Exu é segunda-feira. Sua saudação: Laroiê! Exu ê
Mogibá.
Iemanjá, a Deusa-Matriz da Criação
Iemanjá,
cujo nome deriva de “Yèyé Omo ejá” (Mãe de todos os peixes), é a Grande Mãe do
povo Egbá. Na África, os Egbá formam uma nação de idioma iorubá que vivia
outrora numa região entre Ifé e Ibadan. Nessa região, Iemanjá era adorada como
o orixá padroeiro, e na natureza seu santuário era o rio Yemojá, local sagrado para
seus fiéis, onde seu “axé” se assentava e emanava mais fortemente. Dali seu
poder se espalhava por toda parte, isto porque o rio, quando desaguava no mar,
levava o Axé de Iemanjá para os oceanos e irradiava o poder da deusa por todo o
planeta.
Depois,
em razão de guerras tribais, esse povo imigrou para Abeokutá, e como não podiam
transportar o rio consigo, levaram areia, cristais, seixos e outros objetos sagrados
que ele continha em seu leito. Carregaram tudo o que significava suporte do axé
(energia, poder) da sua deusa. O axé que transportaram eles transferiram para o
leito do rio Ogun (não confundir com o orixá que tem o mesmo nome) que
atravessa Abeokutá, o qual, desde então, para eles é a morada local de Iemanjá.
Todos
os anos os fiéis africanos recolhem em jarras brancas as águas sagradas desse
rio para banhar-se e lavar o lugar onde está o assentamento na terra do axé da
deusa. Esse lugar é o templo a ela dedicado na vastidão da natureza. Depois eles
vão até uma fonte e enchem jarras; feito isto, seguem em procissão ao encontro
de outros fiéis que carregam estátuas de madeira representando Iemanjá como uma
linda mulher, e tocam tambores e outros instrumentos de percussão, dançando e saudando
aquela que para eles é a deusa-matriz da criação. O cortejo se dirige à cidade
e segue abençoando os moradores pelo caminho. O povo nas ruas saúda a deusa com
reverência e fervor, enquanto a procissão continua indo em direção ao local
onde a esperam as autoridades locais. Para os fiéis devotos de Iemanjá, nesse
dia a deusa oferece uma emanação abundante de bênçãos sobre a humanidade.
Iemanjá no Brasil
Quando
os iorubás vieram para o novo mundo, Iemanjá se tornou objeto de grande
adoração principalmente no Brasil e em Cuba. O culto a Iemanjá é muito forte entre
brasileiros e cubanos afro-descendentes ou não, e os adeptos da tradição a
reverenciam como a mãe de todos os Orixás, o princípio feminino gerador de
vida, da beleza, da abundância e da mutabilidade.
Pode-se
dizer que Iemanjá é o orixá mais popular no Brasil. Tanto na África quanto no
Brasil e em Cuba, ela representa o poder das águas como berçário da vida.
Iemanjá é reverenciada como o generoso e fértil útero do planeta, e também é
venerada como a Grande Mãe. O mar é o sagrado colo da deusa, que nutre e embala
seus filhos no berço das ondas do mar. Iemanjá é o orixá que atua na natureza
como a força que dá forma e anima a matéria, e que transforma energia material
em espiritual, e a espiritual em cósmica, e do éter manifesta a vida primordial
nas águas oceânicas. Iemanjá tem sob seu comando todos os elementais das águas
salgadas.
Aspectos de Iemanjá
Na Bahia, os iniciados no
candomblé dizem que há sete aspectos de Iemanjá:
Iemowô, a esposa de Oxalá.
Iamassê, a mãe de Xangô.
Ewá, a mãe do mistério das
águas profundas das regiões abissais.
Olossá, a senhora da lagoa
africana na qual deságuam os rios de Abeokutá.
Iemanjá Ogunté, casada com
Ogun Alagbedé (para alguns ela seria a mãe de Ogun).
Iemanjá Assabá, a fiandeira
que tece os fios da trama da vida.
Iemanjá Assessu, a deusa
que rege tanto as águas doces como as águas salgadas, uma energia feminina
indomável, o aspecto mais misterioso e poderoso desse orixá.
Representação de Iemanjá
A
representação desse orixá na África é uma mulher madura, de grande beleza, dotada
de formas voluptuosas e seios fartos. Para eles, dos seios generosos de Iemanjá
jorra a água da vida. Aqui no Brasil ela é representada como uma linda e jovem
mulher com cabelos negros e longos, portando uma tiara na cabeça, com muitas pérolas
adornando seus cabelos, mãos e colo. Nas estátuas e gravuras, ela está usando
sempre um vestido azul claro salpicado de estrelas e peixinhos dourados; o
vestido desenha suas formas sinuosas.
Iemanjá
é uma energia feminina portadora de beleza, mistério, amor, sensualidade, poder,
generosidade, abundância, transformações, autoridade e respeito. É uma mãe
amorosa, zelosa e acolhedora, mas firme e disciplinadora ao mesmo tempo.
O arquétipo
O
arquétipo psicológico de Iemanjá é a delicadeza, a sensibilidade, o
refinamento, a beleza, a feminilidade, a força interior, a imponência, a renovação
e a transformação constante. Iemanjá não tolera desonestidade, maledicência,
inveja, mentira, dissimulação e traição. Nessa tradição, os filhos de cada
orixá trazem características dos seus deuses protetores. Os adeptos consagrados
a Iemanjá são belos e imponentes e também dotados de grande magnetismo e encanto.
Eles chamam a atenção de todos por onde passam. Também são francos e
verdadeiros, primam pelo caráter reto e abertura para o novo e desconhecido.
Sejam homens ou mulheres, têm sempre um comportamento ético, são gentis, delicados
no trato, fiéis, amorosos, refinados, dotados de discernimento e autoconfiança;
mas, como o mar, surpreendem, podendo mudar de ânimo de repente. Seus filhos se
irritam quando contrariados em seus princípios e podem agir intempestivamente.
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Oferenda |
O
dia da semana dedicado a Iemanjá é o sábado. As suas cores são: branco, prata,
azul claro e cor de rosa. Suas filhas, quando incorporadas, usam roupas
luxuosas nas cores branco, azul claro e prata. Na cabeça portam uma coroa
prateada com uma estrela de 5 pontas desenhada em relevo; dessa coroa pende uma
franja feita de contas de cristal branco e azul que encobre o rosto da iaô. Na
mão direita elas carregam um “abebê” prateado (um tipo de espelho), no qual se
olham enquanto dançam movendo os braços e as cadeiras em movimentos
ondulatórios, ora lentos ou rápidos e vigorosos. Sua dança é solene, majestosa
e graciosa. As oferendas de comida são: milho branco cozido com mel, bolo de
arroz com mel. Animais consagrados à deusa: pata, galinha e cabra, todas
brancas. No sincretismo ela é identificada com Nossa Senhora da Conceição e
Nossa Senhora das Candeias, variando de acordo com algumas regiões do país. Dia
2 de fevereiro é o dia do ano dedicado a Iemanjá, quando lindos festejos
acontecem em todo o Brasil, especialmente em Salvador, Bahia. No dia 31 de
dezembro no Brasil, adeptos ou não costumam levar até o mar oferendas para Iemanjá.
Entram no mar e pulam 7 ondas antes de oferecer flores brancas, perfumes,
espelhos e adereços à deusa, para que ela os abençoe com saúde, amor e
prosperidade. As casas de candomblé e de umbanda se reúnem numa grande festa
coletiva para saudar a deusa Iemanjá, a rainha do mar.
A saudação feita a esse
orixá é: Odôiá! E Odô-Ífé-Iabá!
O Mito de Iemanjá
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Olokun |
São
muitas as lendas sobre ela. Dentre tantas, existe uma nos versos de Ifá que
diz: Iemanjá era uma princesa muito linda e querida por seu pai, o poderoso
senhor das profundezas dos oceanos Olokun. O rei, zeloso de sua filha, queria
para ela o melhor. Quando apareceu Orumilá, senhor das adivinhações, como
pretendente à sua mão, Olokun concedeu de imediato, e esse foi o primeiro
marido dela. Separou-se de Orumilá devido seu temperamento inconstante e depois
se casou com Olofin, rei de Ifé, com quem teve 10 filhos. Porém, ela não tem
paradeiro, está sempre em transformação, e cansada de sua permanência em Ifé,
foge. Olokun, seu pai, sabendo do seu temperamento mutante e voluntarioso, havia
entregue a ela, por medida de precaução, uma garrafa com um preparado,
recomendando-lhe que, se encontrasse em enorme perigo, quebrasse a garrafa no
chão.
Ela,
na fuga, encaminhou-se para o entardecer da Terra, o oeste. Olofin-Odudua
mandou o seu exército atrás dela. Quando Iemanjá se viu cercada, quebrou a
garrafa e um rio criou-se imediatamente, envolvendo-a e carregando-a
cuidadosamente até o oceano para junto de seu pai Olokun, de onde ela nunca
mais saiu.
Iemanjá
dança eternamente nas águas do mar mostrando sua beleza, fascinando homens e
mulheres e fornecendo fartura de pesca aos homens do mar. É também a deusa do
amor e do encantamento. Como senhora das águas, segue sempre em movimento,
transformando e purificando nossas águas interiores, harmonizando nossas
emoções e protegendo seus filhos e desenhando novos caminhos no corpo da Mãe
Terra pela vida afora.
Iansã, a Deusa dos Ventos e das Tempestades
Oyá- Iansã é o orixá que expressa o destemor, o poder de iniciativa, a
paixão e a força inovadora do feminino. Esse orixá, na África, tem seu axé
localizado no rio Níger, e se espalha pelos seus nove afluentes. O número 9 é
ligado a Iansã por esta razão. Iansã representa o feminino na sua capacidade de
enfrentar adversidades, de ter liberdade de expressão e de decidir o próprio
destino. É o princípio feminino transgressor, portanto é capaz de ousar, romper
padrões estabelecidos e apontar novos caminhos; é a deusa cuja energia rompe
convenções e costumes. Iansã é também chamada a grande guerreira do amor porque
Xangô, seu marido muito amado, tinha grande afinidade com ela, e por isso respeitava
seus dons de guerreira, a ponto de confiar à esposa missões de guerra.
Conta uma lenda que certa vez Xangô mandou que Oyá fosse até a terra
dos “baribas”, com a missão de trazer de lá um preparado feito pelos sacerdotes
desse povo que, quando ingerido, concedia o poder de lançar chamas pela boca e
pelo nariz. Esse era um poder que deveria se restringir ao rei, mas, Oyá,
sempre impetuosa e rebelde, bebeu do preparado, e se tornou também capaz de
cuspir e exalar fogo adquirindo tanto poder quando seu marido.
Oyá defende o que é justo e luta pela igualdade de direitos de homens e
mulheres. Seu amor por Xangô é tão grande que quando este, depois de ter sido
derrotado no final do seu reinado, abrigou-se nas profundezas da Terra, ela o
seguiu porque não saberia viver sem ele, e os dois deuses permanecem unidos
para todo o sempre.
Ela tem um aspecto chamado Iansã de Igbalé, que tem a capacidade de
afastar espíritos perturbados e perturbadores. Este orixá é o único capaz de
afastar os “eguns” - os espíritos dos mortos, que ainda não têm luz e vagam
pelo mundo. Iansã, com seu poder, impede que eles perturbem os vivos; dançando
incorporada na sua iaô, Iansã os expulsa do ambiente. Dançando, ela os domina,
orienta e encaminha com movimentos rápidos dos braços e com as mãos espalmadas
também os afasta da aura dos fiéis onde eventualmente possam estar alojados.
Essa limpeza ela executa usando seu “iruexim” (um chicote feito de rabo de
cavalo ou de leão, preso a um cabo de osso ou metal).
No sincretismo afrobrasileiro
ela é identificada como Santa Bárbara, e também denominada a Rainha dos Raios e
Tempestades..
O Mito
Antes de casar
com Xangô, Iansã era mulher de Ogum, que a amava profundamente. Quando ela
conheceu Xangô não resistiu aos seus olhares sedutores, sua elegância, e beleza;
sabendo que Ogum não lhe daria a liberdade, fugiu com Xangô, despertando a ira
e a revolta de Ogum. Xangô também tinha se apaixonado por ela perdidamente, mas
por ser justo, foi pedir perdão pela fraqueza que não permitiu que ele resistisse
ao seu sentimento, e por ter ofendido Ogum prostrou-se aos pés de Olodumare,
(deus supremo). Este, chamou Ogum e aconselhou-o a perdoar os amantes, porque
como ele deveria saber, o coração é soberano, e portanto deveria aceitar o
irremediável, compreender e perdoar o casal.
Ogum não
conseguiu superar seu ressentimento e perseguiu os apaixonados até encontrar
Oyá-Iansã e lutar com ela. Na luta, Ogum derrotou Oyá e dividiu seu corpo em 9
partes, que se tornaram os afluentes do rio Níger.
Conta outra lenda
que Iansã é responsável pelo sucesso da semeadura nas lavouras. Na época da
semeadura, a deusa com sua dança frenética roda sua saia e assim movimenta os
ventos, renova o ar e garante a sobrevivência das pessoas, espalhando sementes
pelo solo. Ela é a deusa e senhora dos ventos, das chuvas e das tempestades.
O Arquétipo
Iansã simboliza a
intrepidez, a independência, o destemor e a autonomia da mulher. Suas filhas são audaciosas, autoritárias, corajosas
e indomáveis. São extremamente fiéis quando amam, são devotadas e demonstram
lealdade absoluta, porém quando contrariadas são impulsivas, não levam desaforo
para casa, podem perder o controle das emoções com facilidade. Adoram desafios
e não temem o novo e desconhecido. Os protegidos de Iansã, sejam homens ou
mulheres, são atraentes, sensuais e voluptuosos, e também ciumentos, vaidosos e
voluntariosos. O elemento de Oyá-Iansã é o ar, os ventos. Ela tem domínio sobre
as chuvas e as energias telúricas. E como Igbalé, domina as almas errantes e as
conduz no caminho da evolução. Sua cor é o vermelho e quando seus filhos e
filhas a incorporam, usam roupas vermelhas e uma coroa de metal dourado com
franja formada de contas de cristal vermelho encobrindo o rosto; no pescoço
usam colares da mesma cor. Algumas “yaôs” usam numa das mãos uma pequena
espada, lembrando o aspecto guerreiro do orixá e na outra mão o “iruechim”, o
chicote ou rabo de cavalo, símbolo de poder. As comidas oferecidas a Iansã são
o acarajé e o “amalá” de 14 quiabos. Os animais que lhe são consagrados são a
cabra e a galinha. A saudação é Epahei Oyá!
a Deusa Criadora Forjadora de Todas as Formas de Vida
Na África, as mulheres idosas e respeitáveis são chamadas “nana”. Nanã Buruku é filha de Olodunare, o deus supremo, e é considerada a deusa-mãe primordial, aquela que forjou pessoalmente os invólucros carnais humanos que abrigam os espíritos e permitem que estes vivam sua aventura de consciência na Terra. Esta deusa forja também todas as formas de vida que servem de instrumento para os diferentes estágios de consciência que se manifestam na vida terrena.Este orixá tem seu culto ligado a Obaluaiê (orixá da cura) em algumas regiões africanas, e é venerado como a deusa anciã, a portadora da sabedoria do princípio feminino que permeia o universo e da experiência dos mais velhos. Muitos atribuem sua origem ao Daomé, embora seja difícil afirmar isso com segurança devido aos pesquisadores terem localizado muitos outros lugares passíveis de serem aceitos como ponto originário deste orixá. O povo “ashanti” tem um culto à deusa primordial sob muitos aspectos, os quais denominam “Nanã Inie”. Para essa etnia, essa deusa desempenha o mesmo papel criador do deus supremo. Nos templos dedicados à deusa primordial existem outras entidades que são extensões dela, mas existe um trono consagrado à Grande Mãe, e somente uma sacerdotisa de Nanã Inie pode tocar nele.No resto da África, porém, os cantos dedicados a Nanã são em iorubá arcaico, o que denota a antiguidade do seu culto. Por ocasião dos festivais a ela dedicados as peregrinações se dirigem a uma região de Gana próxima à fronteira do Togo. Lá os fiéis se reúnem ao redor de uma grande árvore de “ficus vesiculosus” (odan), onde cantam e dançam ao som de tambores e agogôs. A maioria dos participantes é de “yaôs” da deusa. São mulheres idosas que se vestem com panos coloridos amarrados acima do peito, têm a testa e as têmporas pintadas com giz branco, e os braços e pescoço cobertos por colares e braceletes feitos de contas multicoloridas. Elas se apóiam em bastões, e se movimentam com lentidão, ora para a direita ora para a esquerda, dançando conforme o ritmo.No Brasil eem Cuba Nanã é a deusa ancestral, e também a mãe de
Obaluiaê. Nanã é considerada a anciã sábia e veneranda detentora da memória dos
primórdios do planeta e dos valores espirituais e éticos. Este orixá é a deusa
e senhora das águas paradas e lamacentas, assim como do lodo dos pântanos.
Logunedé, o Orixá Hermafrodita
Este orixá é hoje em dia
pouco cultuado na África, mas no Brasil tem inúmeros adeptos. Logunedé, filho
de Oxum e Oxossi Erinlé, é o orixá hermafrodita. Durante seis meses do ano é
masculino, nesse período ele vive na terra, e seu habitat é na floresta caçando
como seu pai; durante os outros seis meses ele é feminino, e vive nos rios e
cachoeiras como sua mãe. A cada seis meses ele muda de sexo, seis meses se
apresenta como homem e nos outros seis meses como mulher.
Logunedé representa a
integração da razão e da sensibilidade, a complementaridade, o masculino e o
feminino, as polaridades em
harmonia. Um dos seus símbolos mais fortes é o cavalo
marinho. O cavalo marinho é metade cavalo e metade sereia e é uma espécie que
tem um comportamento muito peculiar. A fêmea põe os ovos e estes depois de
inseminados pelo parceiro são colocados num lugar preparado pelo macho onde
ficam por determinado tempo de maturação, quando passam para o ventre paterno e
lá ficam durante toda a gestação. A fêmea visita o macho apenas uma vez na
semana durante esse período. Quem dá a luz é o macho sozinho, sem a
participação da mãe e é ele quem cuida dos filhotes enquanto ela provê alimento;
depois ambos se reúnem e liberam a cria para a vida.
O Mito
Logunedé é fruto do amor de
Oxum e Oxossi e simboliza o casamento perfeito das polaridades masculina e
feminina. Ele é a integração e superação dos opostos que passam a ser, por sua
intervenção energética, complementares e acolhidos pelo orixá, sem predominância
desse ou daquele gênero. Ele promove a harmonia entre os diferentes e demonstra
a unidade original existente em todas as espécies.
Arquétipo
Os filhos e “eleguns” de Logunedé
são autossuficientes, exigentes na escolha dos parceiros e demoram para eleger
alguém e se casar, e quando o fazem dificilmente o casamento dá certo, embora
sejam ótimos pais e mães e companheiros solidários mesmo depois de separados.
São vaidosos, criativos, ágeis, audaciosos, elegantes e altivos. Têm o dom de
compatibilizar o aparentemente incompatível; são dotados de muita lucidez,
argumentam com muita propriedade e sabem lidar com o inesperado, inusitado e
surpreendente. Quando incorporado no seu “egungun” esse orixá dança com muita
graça, e os passos são a mistura das características de Oxum e de Oxossi. Nas
mãos, usa os objetos representativos de ambos. Ele rege a criatividade, o novo e
a capacidade de realização. Seus elementos são a mata e as florestas e também
as águas doces e cachoeiras. O seu domínio está na caça e na pesca de peixes de
água doce. Suas cores são azul, branco e amarelo ouro. As oferendas de comidas
são as mesmas de Oxossi e de Oxum. O animal a ele consagrado é o “odá” uma
espécie de bode castrado.
No novo mundo ele não foi
sincretizado.
A saudação é: Logun, Orikí!
Ogum, o Senhor da Guerra e da Energia dos Metais
Ogum está entre os mais antigos
deuses do panteão iorubá. Ele é o divino ferreiro em cuja forja os metais
assumem formas e tornam-se instrumentos úteis para o trabalho e para a defesa. Como
orixá, ele nos oferece os instrumentos para obtermos o que desejamos e
necessitamos. Inspira a coragem e autoconfiança, valores indispensáveis para
enfrentarmos nossos problemas e solucioná-los.
O orixá guerreiro é muito reverenciado
tanto na África quanto no Brasil, Antilhas e Cuba. É o protetor dos ferreiros,
agricultores, caçadores e escultores que utilizam metais como matéria prima, e
de todos aqueles que lidam com máquinas, ferramentas e engrenagens. É o dono
dos caminhos e das conexões com diferentes pessoas e lugares. Ele exemplifica
valores como verdade, honestidade, coragem, perseverança, destreza e retidão.
Ogum é irmão de Exu e junto com ele destrói os obstáculos e vence demandas para
que aconteçam realizações materiais. Este orixá é louvado como uma força empreendedora
que fortalece o poder de iniciativa e a responsabilidade pessoal dos seus
fiéis.
Ogum afasta as más influências
e protege as residências. Por isso, os adeptos penduram nas esquadrias de
portas e janelas folhas de dendezeiros desfiadas, simbolizando que o orixá
estará sempre presente, batalhando pelo bem-estar daquelas pessoas que lá
vivem.
Os lugares consagrados a Ogum
na África costumam ser ao ar livre, e às vezes fora dos templos dedicados a
outros orixás. Os símbolos de sua presença e axé são grandes pedras em forma de
bigorna que são colocadas junto de uma árvore frondosa. Essas pedras são
circundadas por uma planta chamada “peregun”, um tipo de dracena conhecida no
Brasil como espada de São Jorge. Sobre essas bigornas são oferecidos sacrifícios
e feitas oferendas ao orixá.
Nas cerimônias de culto, Ogum é
louvado logo depois de Exu, tanto na África quanto no Brasil, Antilhas e Cuba.
No Brasil, ele é cultuado como o deus da guerra e o protetor dos guerreiros, vencedor
das demandas, feitiços e das causas difíceis. No sincretismo afrobrasileiro é
identificado com São Jorge, exceto na Bahia onde é sincretizado com Santo
Antonio. Na época da escravidão, os negros nos quilombos viam nele o grande
defensor, o estrategista e o guerreiro imortal. Quando o quilombo de Palmares em
Alagoas foi destruído e Zumbi foi derrotado e dado como morto, a escultura de Ogum
foi sua herança compartilhada pelos seus familiares. Como o corpo de Zumbi, o
herói de Palmares, nunca foi reconhecido pelos quilombolas, para alguns adeptos
Zumbi teria sido uma manifestação física de Ogum. Zumbi não teria morrido,
teria virado um encantado.
O Mito
Uma das narrativas mitológicas
sobre Ogum conta que muitos séculos atrás ele era um rei poderoso e um
guerreiro extraordinário. Certa vez, depois de ter conquistado a cidade de Irê,
ele entregou o governo ao seu filho, e partiu para novas campanhas em favor dos
mais fracos e sofridos. Durante sua caminhada cumpriu novas missões e viveu mil
aventuras. Depois de muito tempo ele volta a Irê, e justo naquele dia, os
habitantes haviam feito um voto de silêncio, e por isso não o saudaram. Isso
deixou Ogum indignado e furioso, porque compreendeu a atitude como descaso,
ingratidão e desrespeito. Encolerizado, investiu contra os moradores, matando-os
a todos, e depois incendiou a cidade.
Quando percebeu o que sua
precipitação, orgulho e cólera tinham feito, Ogum entrou em desespero. Sofrendo
remorso profundo, não perdoou sua destemperança, violência e injustiça, e para
punir-se decidiu que não merecia viver mais. Decidido, sacou a sua espada, e
furou um enorme buraco no chão, entrou nele e sumiu Terra adentro. Nas
profundezas do planeta, no fogo sagrado do útero da Mãe Terra, ele conseguiu
transcender seus arroubos e defeitos, vencendo as emoções destruidoras derivadas
da ira e da impetuosidade.
Tempos depois, ressurgiu das
profundezas do planeta, renascido de si mesmo. Renascido e purificado, Ogum
emergiu das profundezas, divinizado como orixá.
Arquétipo
Ogum é o orixá da coragem e
disposição para servir e batalhar por um objetivo digno. É a divindade que faz
prevalecer o que é justo e correto, e está sempre disposto a lutar por isso.
Seus filhos costumam ser fortes, destemidos e impulsivos. Perdoam com
dificuldade as ofensas, são arrogantes, e ao mesmo tempo francos, abertos,
sinceros e leais. Um filho de Ogum não desiste de lutar por seus objetivos por
maiores que sejam as dificuldades que venham a encontrar no caminho. Seus filhos
e filhas têm compleição grande, e porte atlético. Ogum é filho de Odudwa e Iemanjá;
seus domínios são os caminhos, as estradas, os combates e demandas de toda
ordem. As suas cores são: azul escuro e branco no candomblé, e vermelho e
branco na umbanda, o sincretismo afrobrasileiro. Quando incorporado no seu
“elegun” (seu ogã) veste roupas azuis, traz na cabeça um tipo de elmo e na mão
direita uma espada. Sua dança é marcial e viril. As oferendas de comidas a ele
consagradas são feijão fradinho e carne crua regados no azeite de dendê. Vinho
de palma também lhe é ofertado na África. O animal consagrado a Ogum é o galo
vermelho. Seu dia da semana é terça-feira, o elemento é o ferro e a saudação mântrica
é: Ogunhê, Patacuri Ogum.
Nanã Buruku - Buruquê
a Deusa Criadora Forjadora de Todas as Formas de Vida
Na África, as mulheres idosas e respeitáveis são chamadas “nana”. Nanã Buruku é filha de Olodunare, o deus supremo, e é considerada a deusa-mãe primordial, aquela que forjou pessoalmente os invólucros carnais humanos que abrigam os espíritos e permitem que estes vivam sua aventura de consciência na Terra. Esta deusa forja também todas as formas de vida que servem de instrumento para os diferentes estágios de consciência que se manifestam na vida terrena.Este orixá tem seu culto ligado a Obaluaiê (orixá da cura) em algumas regiões africanas, e é venerado como a deusa anciã, a portadora da sabedoria do princípio feminino que permeia o universo e da experiência dos mais velhos. Muitos atribuem sua origem ao Daomé, embora seja difícil afirmar isso com segurança devido aos pesquisadores terem localizado muitos outros lugares passíveis de serem aceitos como ponto originário deste orixá. O povo “ashanti” tem um culto à deusa primordial sob muitos aspectos, os quais denominam “Nanã Inie”. Para essa etnia, essa deusa desempenha o mesmo papel criador do deus supremo. Nos templos dedicados à deusa primordial existem outras entidades que são extensões dela, mas existe um trono consagrado à Grande Mãe, e somente uma sacerdotisa de Nanã Inie pode tocar nele.No resto da África, porém, os cantos dedicados a Nanã são em iorubá arcaico, o que denota a antiguidade do seu culto. Por ocasião dos festivais a ela dedicados as peregrinações se dirigem a uma região de Gana próxima à fronteira do Togo. Lá os fiéis se reúnem ao redor de uma grande árvore de “ficus vesiculosus” (odan), onde cantam e dançam ao som de tambores e agogôs. A maioria dos participantes é de “yaôs” da deusa. São mulheres idosas que se vestem com panos coloridos amarrados acima do peito, têm a testa e as têmporas pintadas com giz branco, e os braços e pescoço cobertos por colares e braceletes feitos de contas multicoloridas. Elas se apóiam em bastões, e se movimentam com lentidão, ora para a direita ora para a esquerda, dançando conforme o ritmo.No Brasil e
O Mito
Nanã
Buruku é a deusa criadora do corpo humano. Conta uma lenda de Ifá que Nanã deve
a seu cargo uma missão fundamenal. Antes de enviar os 16 orixás para realizarem
na Terra a sua vontade, Olodumare, o deus supremo, chamou Oxalá e lhe deu uma
sacola contendo sementes de vida. Quando a sacola da criação que Olodumare
entregou a Oxalá foi aberta, Nanã estava presente e encarregou-se de semeá-las.
Para tal, ela forjou a argamassa para que as formas fossem criadas. Por esta
razão, ela rege a lama e o lodo, a mistura de terra e água.
Este
orixá é o princípio feminino portador da força criadora e formadora do corpo
físico destinado a abrigar a sabedoria ancestral de todas as espécies que vivem
no planeta. Nanã, por ser sábia, é muito paciente, tolerante e constante. Simboliza
a memória da criação. Reza o mito que com carinho e cuidado ela amassou terra e
água com seu pilão gerador, e com os próprios pés moldou e formou os corpos
humanos e também dos animais. Ela traz o poder das águas celestiais e primordiais
para a Terra. Permite a manifestação do poder cósmico na natureza diversificada.
Arquétipo
Seus filhos são tranqüilos, pacientes, meigos,
gentis, compreensivos e corretos e dignos de respeito. Costumam fazer suas
tarefas lentamente, porém muito bem feitas. Caminham devagar, falam
pausadamente e possuem grande controle sobre seus impulsos e emoções. Suas
“yaôs” adoram crianças e são excelentes educadoras. Educam com competência
porque são amorosas e firmes na orientação dos seus educandos. São conselheiras
cheias de sabedoria, e procuram sempre criar harmonia entre as pessoas. Os
filhos de Nanã promovem ao seu redor equilíbrio e acolhimento. São pessoas
justas, calmas, tolerantes, ponderadas, doces, amorosas e muito corajosas.
No Brasil, quando
incorporada, a deusa Nanã dança de forma lenta e imita os movimentos de quem
soca um pilão. Esse orixá veste roupas roxas ou brancas e azuis, e tem o colo e
os braços enfeitados com colares e pulseiras feitos de contas de vidro brancas
e azuis ou roxas. O dia consagrado a Nanã é o sábado, a comida que lhe é
oferecida é arroz branco, inhame e às vezes a oferenda é feita com quiabos sem
azeite e muito temperados. Os animais consagrados a ela são cabras e galinhas
d’angola, que não podem ser abatidas com facas nem nada feito de ferro ou aço.
Este orixá é sincretizado no Brasil como Sant’Ana. A sua saudação mântrica é:
Saluba Nanã!
O deus da saúde e da doença
Obá, a Deusa Guerreira Protetora dos Desvalidos
Obá é a deusa iorubá que
sintetiza o poder de luta, a coragem e capacidade de lidar com as adversidades
inerentes ao Feminino. Interessante notar que este orixá é considerado mais
forte fisicamente do que muitos orixás masculinos. Poder-se-ia dizer que esta
deusa quebra o tabu da fragilidade feminina. Seu axé se assentou na Nigéria no
rio Obá, e dele emana para a África e o mundo. Obá simboliza a força interior e
o destemor da mulher na defesa de seus valores, seus ideais e princípios. É a
precursora milenar da luta feminina pela independência e autonomia.
A deusa Obá é muito
combativa e grande conhecedora das artes marciais. É respeitada pela sua
destreza com as armas, tendo derrotado vários deuses com facilidade. Somente
perdeu uma luta, para Ogum, porque este lhe preparou uma armadilha temendo que
ela o derrotasse e comprometesse sua reputação de guerreiro invencível. Ogum, o
orixá do ferro, desafiou Obá para um combate, ela aceitou, e no dia marcado
Ogum besuntou o chão onde a luta deveria acontecer com quiabo e azeite. Durante
a luta, Obá, ao fazer um movimento mais brusco, escorregou e caiu, e desse modo
pouco ético, ela foi derrotada.
Este episódio demonstra
que o masculino e o feminino não devem se enfrentar em disputas, e sim buscar a
complementaridade, senão um dos dois sairá derrotado e sofrido. Obá simboliza
também a liberdade sexual, porque ela não se prendia a nenhum homem. Durante
muito tempo, foi casada com Oxalá, Xangô, Orumilá e Ogum. Como Ogum venceu a
contenda, sentiu-se no direito de submeter a deusa aos seus desejos e fez dela
sua mulher. Ela resistiu bravamente, pois não se entrega com facilidade, mas
Ogum foi insistente e criativo nos agrados, e Obá cedeu aos encantos do deus da
guerra com quem afinal das contas tinha muitas afinidades.
Mesmo sendo guerreira
valente e independente, a deusa busca seu complemento masculino e é ardente e
amorosa. Obá é basicamente a deusa que explicita a liberdade de escolha,
fidelidade no que acredita, e a defesa pelos direitos da mulher e dos mais
fracos e desvalidos.
O Mito
Conta
o mito que ela abandonou Ogum por Xangô, tendo se tornado a terceira esposa do
rei divinizado. Xangô era para ela o outro lado do espelho. Obá era fiel,
sincera, mas não era bonita nem sedutora, e ele era ardiloso, bonito, vaidoso,
sedutor e instável. O grande rei sentiu-se desafiado e apaixonou-se pelo
destemor, pela independência e pelo espírito indomável da deusa. Diante dos
encantos e agrados de Xangô, Obá baixou a guarda e não resistiu à paixão que
Xangô lhe despertou.
Ele
a levou para seu reino, onde Oxum e Iansã já viviam como suas esposas. Quando
Obá chegou à corte, uma rivalidade logo se instalou entre ela e Oxum. Iansã
estava ausente cumprindo uma de suas missões. Obá era muito apaixonada por Xangô,
e o queria somente para si. Oxum, enciumada com as atenções que Xangô
dispensava à nova esposa, resolveu preparar uma cilada para Obá. A deusa
guerreira não media esforços para agradar Xangô, porém ela não sabia cozinhar
bem como Oxum, e sabendo que Xangô era guloso, pediu que Oxum lhe ensinasse um
prato que ele apreciasse. Oxum costumava fazer pratos maravilhosos que faziam o
deleite de Xangô e maliciosamente se propôs a ensinar Obá. Ela disse a Obá que
Xangô adorava um prato feito com quiabos chamado “amalá”, e que ela, Oxum, havia
cortado as próprias orelhas e colocado para cozinhar junto com a iguaria como
prova de amor e entrega total ao seu homem. Na verdade, ela havia colocado dois
grandes cogumelos na panela, mas Obá, que era incapaz de mentir, acreditou.
Xangô
comeu com prazer a comida e se retirou feliz com Oxum, deixando Obá sozinha.
Muito triste, a deusa se sentiu rejeitada e decidiu que quando fosse a sua vez
de cozinhar para o rei-deus usaria o mesmo estratagema que Oxum e cortaria a
orelha também. E assim o fez. Quando o marido viu que lhe faltava uma orelha
ficou horrorizado e, cheio de repugnância, saiu correndo ao ver que a orelha
cortada estava no meio da comida. Obá partiu furiosa ao encontro de Oxum e
quando a encontrou viu que tinha sido enganada, porque dois lindos brincos
reluziam nas orelhas perfeitas de Oxum. As duas travaram uma luta feroz e Xangô,
indignado com a cena, teve uma crise de furor, e as expulsou do palácio.
As
duas se refugiaram imergindo nas águas dos rios que levam seus nomes. A confluência
dos dois rios apresenta as águas muito revoltas, e os iorubanos dizem que são
os sinais da luta eterna entre as duas deusas.
Interessante
notar que nesta mitologia não existe o conceito de certo e errado como
julgamento de valor. Para os iorubanos o certo e o errado, o bem e o mal são as
regras do jogo da vida. A filosofia de vida dos iorubás é a fluidez e a
flexibilidade; ganhar e perder é a alternância natural. Para eles, ambas
estavam lutando como podiam pelo que desejavam. O estratagema de Oxum é visto
como coisa de mulher, artimanhas, jogos amorosos e mistérios insondáveis que
somente as mulheres possuem. Este mito também ensina o quanto é importante
estar atento ao que subjaz além das palavras, situações, gestos e atitudes.
Observar sempre o subtexto das palavras e intenções.
Arquétipo
Quando Obá se manifesta
em uma das suas “yawôs”, tem sempre um turbante na cabeça escondendo a orelha
decepada, numa alusão a lenda. Suas filhas têm tendências um pouco
masculinizadas; não que sejam homossexuais obrigatoriamente, mas apresentam uma
forte energia masculina nos gestos e na maneira de andar, pensar e falar. São
mulheres sem vaidade que não ligam para moda nem maquiagem, vestem-se
simplesmente, não usam jóias nem enfeites. São geralmente práticas, eficientes,
competentes e objetivas. Em geral são infelizes nas relações amorosas porque
não têm jogo de cintura, nem sabem lidar com as próprias emoções e sentimentos,
portanto tornam-se vítimas dos próprios ímpetos. São mulheres valorosas, leais
e geralmente incompreendidas, mas compensam seu insucesso amoroso com muito
empenho no trabalho, e conseguem sucesso profissional e financeiro, assim como
reconhecimento social. Costumam lutar para ter bens materiais e quando os
adquirem, deles são muito zelosas.
Uma outra característica
das suas yawôs é defender os mais fracos em geral e lutar pelas causas
feministas. A dança de Obá é marcial, ela carrega uma espada em uma das mãos e
um escudo na outra, e faz movimentos de luta. Sua roupa é multicolorida e sem
adereços. Os animais que lhe são consagrados são: cabras, patos e galinha
d’angola. No Brasil foi sincretizada com Sta Catarina. Saudação mântrica: Axé
Obá! Obá!
Obaluaiê - Omulu - Xapanã
O deus da saúde e da doença
Ele é o deus Xapanã que
pode promover a saúde ou a doença; é tão temido que os adeptos não pronunciam
seu nome sem antes pedir clemência batendo no chão com a mão três vezes.
Acredita-se que o culto a este orixá seja mais antigo do que o culto às demais
divindades que vieram à Terra junto com Odudua. Obaluayê seria um deus de uma
civilização anterior à Idade do Ferro. Isto pode ser notado pelo fato de que
durante os rituais a ele oferecidos, os sacerdotes não usam facas nem nenhum
outro objeto de metal para o sacrifício de animais.
O lugar de origem deste
orixá é nebuloso, mas muitos localizam seu reino em Ibadan e afirmam que ele
teria sido, quando vivo, rei do povo “tapa”. Outros indicam que ele chegou a
Oyó vindo do Daomé junto com sua mãe, Nanã Boruku ou Borukê, outro orixá muito
respeitado do qual falaremos mais adiante. Na África, Xapanã é reverentemente
chamado e invocado como Obaluayê ou Omulu. Em outros locais da África, porém
ele é chamado pelos iorubás Sanponá-Obaluayê, “Rei Dono da Terra”. Talvez numa
referência a fragilidade humana diante das intempéries e das doenças durante a
passagem pela vida terrena. Depende desse orixá a imunidade e a cura de males
físicos.
Mito
Conta
uma lenda de Ifá que Obaluaiê era originário de Tapá, território onde reinava
soberano. Um belo dia, reuniu seus guerreiros e os levou para uma jornada pelos
quatro cantos da Terra. Durante as batalhas que travou pelos caminhos, sempre
que lançava suas flexas acertava o alvo; e aquele que era atingido ou morria ou
ficava cego, surdo, manco, deformado, e, além disso, o lugar onde havia sido
atingido ficava marcado com uma ferida incurável. Por onde ele passava deixava
sofrimento e doenças. Os “mahi”, um dos povos atacados por Xapanã, romperam o
ciclo de desgraças. Depois do ataque, o rei mahi reuniu os sobreviventes e
decidiu procurar um babalaô poderoso. O sacerdote consultou Ifá e recebeu deste
a orientação do que fazer para acalmar a ira de Xapanã. Ifá orientou que lhe homenageassem
e oferecessem pipocas de milho em quantidade e lhe dedicassem anualmente uma
festa denominada Olubajé. Realmente, Xapanã se acalmou e ficou satisfeito com
as homenagens recebidas, tanto que mandou construir em território mahi um
palácio suntuoso para morar, e lá ficou, tendo deixado para sempre o reino de
Tapá. Ao morrer tornou-se orixá. Os “mahis” desde então o homenageiam e, devido
a isso, prosperaram e permaneceram saudáveis e imunes à varíola e demais
doenças mortais que assolavam a África.
Na
África as cerimônias para este orixá acontecem ao ar livre. Os adeptos, depois
de passarem por um riacho a ele consagrado, saem do templo principal e chegam
até o mercado onde uma tenda sustentada por quatro pilastras irá abrigar o axé
do deus. Uma mulher idosa, em transe, carrega o axé; outras tantas vão atrás,
carregando gamelas com comida. Um “elegun” filho de santo, incorporado pelo
orixá, segue atrás delas andando trôpego como quem sofre dores. O deus vem
envolto em panos vermelhos bordados com búzios de rio e traz o rosto coberto.
No templo, Obaluaiê dança ao som dos atabaques sagrados e os fiéis se prostam
batendo a cabeça no chão. No Brasil, quando incorporado no seu “elegun” ele se
apresenta também todo coberto. Veste uma saia de palha da costa desfiada e tem
na cabeça uma espécie de capuz também de palha, que lhe cobre o rosto e chega
até a cintura. Na mão direita carrega o “xaxará” um tipo de vassoura feita de
folhas de palmeira trançadas e bordadas com búzios de rio e contas opacas
brancas, pretas e marrons. Nela estão penduradas pequenas cabaças onde Obaluaiê
carregaria poções medicinais para curar as diversas doenças. Tudo que se refere
a este deus é solene, grave, triste e sombrio.
Arquétipo
Os
filhos de Obaluaiê tendem à depressão e ao masoquismo, gostam de falar de
doenças, de tragédias, de se queixar e contar suas tristezas, dores e
frustrações. Sorriem pouco e nunca estão satisfeitos com o que têm. São pessoas
incapazes de viver momentos de alegria sem pensar que aquela alegria antecede
tristezas, e por isso temem a felicidade. Sua alegria, quando manifestada, é
triste e moderada. Possuem personalidade autopunitiva e costumam ser
hipocondríacos e somatizar doenças. São mordazes e irônicos, mas ao mesmo tempo
podem ser muito dedicados a quem precise deles, a ponto de renunciar ao próprio
bem-estar pelo bem-estar alheio. Outra característica é a auto-estima baixa e a
tendência a responsabilizar os outros por seus problemas e dificuldades.
Quando
incorporado, sua dança é lenta e pesada, e os seus filhos dançam recurvados e
alquebrados, demonstrando fraqueza física e dor. Durante o “Olubajé”, o chão
das casas de culto fica coberto de pipocas. Nessas ocasiões, os fiéis o saúdam
pedindo saúde. Na Bahia, a igreja de São Lázaro, todas as segundas-feiras,
também tem o chão coberto de pipocas.
Este
orixá é sincretizado como São Lázaro. A comida consagrada ao deus é pipoca e
“aberem”, milho cozido e enrolado em folhas de bananeira. Os animais
consagrados são: bode e galo. Os fiéis passam pipocas no corpo para limpar a
aura de larvas astrais e se proteger de doenças. Suas cores são: branco, preto
e marrom. O dia consagrado é segunda-feira. A saudação é Atotô!
Oxum, a Deusa Primordial da Prosperidade
Oxum é a expressão da generosidade, beleza, graça,
criatividade, doçura, fertilidade e criatividade do princípio feminino. É a
deusa de todos os rios e cachoeiras, a senhora das águas doces e abundantes que
garantem a manutenção da vida. É basicamente o orixá da fecundidade, da fartura
e da prosperidade.
Na Nigéria, esta deusa é adorada em Ijexá, onde seu axé se
assentou e se irradia a partir do rio Oxum. Um dos nomes de Oxum é Ialodê; este
nome é uma honraria que distingue aquela que vem a ser a mulher mais importante
da comunidade. Na África, o seu axé mais poderoso se encontra nas pedras roladas
que ficam no fundo do rio Oxum, nos búzios e nas jóias feitas de cobre.
O cobre era considerado antigamente pelos iorubás o mais
precioso dos metais. No Brasil, Oxum ficou associada ao ouro, principalmente
depois que o negro escravizado foi trabalhar nas minas e viu que no novo mundo
o ouro era o mais valorizado que o cobre.
Existem vários aspectos de Oxum com nomes que revelam suas
qualidades e poderes. Osun Ijumú é a rainha de todas as Oxums. A deusa foi
casada com Ogum, Orunmilá, Oxossi e Xangô.
Interessante observar a liberdade amorosa que possuem as
deusas nesta tradição, podendo ter vários parceiros escolhidos por vontade
própria. A mulher iorubá constrói sua identidade espelhando-se nos diferentes
aspectos dos orixás femininos, e se nutre da liberdade e dos poderes das
diversas deusas.
Oxum é a deusa que ensina às mulheres como agradar seus
maridos, e a ter filhos. A deusa é, no seu aspecto mais respeitado, a
conselheira sábia Oxun Ayalá, a Avó. Oxum Ajagira é o seu aspecto guerreiro
mais poderoso, embora haja outros nomes para denominar o mesmo aspecto dela
como valente guerreira. Yeyé Morin é o aspecto gracioso, meigo, dengoso,
faceiro e elegante do orixá.
O Mito
Como já disse anteriormente ao narrar o mito de Exu, Oxum é
sua mãe por partenogênese, embora em algumas versões, ele apareça como filho de
Iemanjá. Porém, em todos os contos consta que os orixás quando vieram à Terra
excluíram as mulheres das decisões que seriam tomadas para cumprir a missão que
lhes foi confiada por Olodumare: organizar a vida no planeta. O resultado dessa
exclusão foi a esterilidade dele, das mulheres, das terras e também a desolação
e o fracasso de todos os empreendimentos. Somente Oxum tinha o poder de
restaurar a fecundidade deles, das mulheres, das terras e a prosperidade e
êxito nos empreendimentos. Sem a intervenção do princípio feminino não existe beleza,
fartura nem felicidade, segundo os iorubás.
Os reis de Oxogbô adoram Oxum e fazem grandes festas em sua
homenagem. Uma das lendas conta que o rei Laro, o iniciador da dinastia, tinha
uma filha muito amada que um dia foi banhar-se no rio Oxum e sumiu. Depois de
procurarem em vão pela moça, o rei vê a filha surgir das águas do rio
lindamente vestida e adornada com jóias. Muito agradecido, o rei dedicou a Oxum
muitas oferendas. Os peixes, mensageiros da deusa, vieram comer as iguarias
ofertadas em sinal de aceitação do ritual pela deusa, e as águas transbordaram
e fertilizaram o terreno trazendo boa colheita riqueza e alegria. Muito
agradecido, o rei disse então: “Osun gbô” (Oxum atingiu a maturidade e está
procriando). Esta é a origem do nome da cidade de Oxôgbô.
Arquétipo
O arquétipo de Oxum é o das mulheres bonitas, graciosas, astuciosas,
ardilosas, faceiras, dengosas, elegantes, corajosas, amorosas e acolhedoras.
Suas filhas e filhos são bonitos e também muito vaidosos e cheios de charme. As
mulheres são voluptuosas e sensuais embora sem exageros. Algumas, sob aparente
fragilidade, escondem uma vontade forte e muita determinação; lutam e até criam
artimanhas para conseguir o que desejam.
Quando a deusa incorpora em suas ‘Yaôs” usa roupas luxuosas
de cor amarela, portando na cabeça uma coroa dourada com franjas de cristal
amarelo que lhe cobrem o rosto (as “iabás”, orixás femininos, costumam trazer
essa franja cobrindo os olhos para amenizar o poder devastador da sua sedução e
a força do seu olhar). Na mão direita segura o “ abebê”, um tipo de espelho
dourado onde se olha enquanto dança, fazendo movimentos sinuosos.
No Brasil os fiéis costumam colocar dinheiro na saia de
Oxum. Por isso, enquanto ela dança ergue um pouco a sobressaia e desse modo vai
aparando o dinheiro. O babalorixá ou ialorixá depois utilizará esse dinheiro
para garantir o que for necessário para manter o axé da deusa ativo e poderoso.
O seu dia da semana é o sábado. O seu elemento é a água
doce, e o domínio os rios, lagos e lagoas de água doce e cachoeiras. Oxum rege
a maternidade, a fertilidade, a beleza e a prosperidade. A sua cor é o amarelo.
As oferendas de comida são “mulucum” (feijão fradinho,cebola e camarão), “adun”
(farinha de milho misturada com mel de abelha e azeite doce) e xinxim de
galinha. Os animais a ela consagrados são a cabra, a pata e a galinha d’angola.
No sincretismo ela é Nossa Senhora da Conceição. Sua saudação mântrica é: Aieie
wô e Ora ieiê wô!
Oxumaré, o Deus da Riqueza e da Esperança
Tanto
na África como no Brasil Oxumaré é o arco-íris. A serpente multicolorida que
une o céu e a Terra. É o orixá da flexibilidade, da mobilidade, e o senhor das
forças que geram transformação e renovação. Ele simboliza a continuidade da
vida, a descendência, a riqueza e a unidade na diversidade de todas as formas
da criação.
Na
África Oxumaré é o orixá que zela pelo cordão umbilical dos recém-nascidos.
Depois do parto, os pais enterram o cordão e a placenta sob uma árvore que a
partir desse momento torna-se uma propriedade que estará sob a responsabilidade
dessa criança por toda a vida; a criança deverá cuidar dela com o mesmo carinho
que deverá cuidar de si mesma.
Este
orixá nos ajuda a aceitar a alternância natural entre o certo e o errado, o bem
e o mal, a chuva e a calmaria, a riqueza e a pobreza, o sucesso e o fracasso. Oxumaré
é representado também como uma serpente mordendo a própria cauda, como um “ouroboros”.
Oxumaré enrola-se em volta da Terra para que o planeta não se desagregue e para
que toda a criação se mantenha em equilíbrio.
Para
garantir boas colheitas ele recolhe a água que a chuva derramou sobre a terra e
a leva de volta aos céus para formar de novo as nuvens e garantir que não haja
seca nem escassez.
Oxumaré
é o integrador das diferenças, ele confere a habilidade para evitar atritos e
congregar as pessoas em nome de um mesmo propósito. É interessante ressaltar
que o arco-íris é formado por gotículas multiformes que, unidas, refletem todos
os tons dos espectro da luz; assim, toda a criação se manifesta de diferentes
formas e os seres humanos, embora apresentem particulidades e diferenças entre
si, refletem a luz do mesmo Princípio Divino.
O Mito
Conta uma lenda de Ifá
que Oxumaré, quando vivia na forma humana, era um babalaô muito respeitado por
seus dons mágicos, e muitos reis vinham até ele para consultar os oráculos.
Dentre esses reis, Olofin, rei de Ifé, era o mais assíduo, mas costumava pagar
muito pouco pelos serviços de Oxumaré, que vivia muito pobremente.
Um belo dia a rainha de
um reino vizinho veio pedir-lhe ajuda porque tinha um filho muito doente e
ninguém conseguia diagnosticar o mal que atormentava o garoto. O menino tinha
dificuldades para ficar em pé e tinha crises inexplicáveis. Sem motivo aparente,
rolava sobre as cinzas quentes dos fogareiros ou fogueiras, quando as via.
Oxumaré curou a criança e a rainha, muito grata, reompensou-o regiamente.
Quando ele voltou para
Ifé estava rico; apresentando-se muito bem vestido com tecidos suntuosos e jóias,
deixou todos os moradores espantados, e mais do que todos, Olofin. Ao saber da
generosidade da rainha, o rei ficou envergonhado e refletiu sobre o quanto
havia desconsiderado e sido mesquinho e avarento com o babalaô que tanto o
ajudara. Daí, resolveu dobrar a paga que Oxumaré recebeu da rainha.
Oxumaré viveu em abundância,
mas nunca deixou de servir aqueles que o procuravam. Olodumare, o deus supremo,
satisfeito com o trabalho prestado por Oxumaré na Terra, mandou que ele fosse
até os seus domínios no infinito, e nunca mais se separou dele. Desde então,
ele se tornou orixá, mora no céu e somente de vez em quando vem à Terra, e
quando o faz é para trazer aos seres humanos alegria, renovação, esperança,
riqueza e harmonia. No Daomé ele é chamado “Dan” (serpente), onde é ainda mais
venerado do que entre os iorubás de Ifé.
Arquétipo
Como
Oxumaré é o orixá do movimento, assim como a cobra que se arrasta sinuosa pelo
chão sentindo as pulsações da Terra e a fluidez das águas dos rios, seus
iniciados também têm intimidade com a fluidez, as transformações e a renovação
constante, assim como o desapego e aceitação do novo e do inesperado. As
serpentes trocam de pele quando esta se torna inadequada, deixando pelo caminho
a pele velha que não lhes serve mais. Os “eleguns” e yawôs de Oxumaré, do mesmo
modo aceitam as mudanças com facilidade e são desapegados. Oxumaré ensina aos
fiéis como se desapegar de coisas, defeitos e pessoas, ensina como abrir mão
para poder receber o novo. Seus protegidos são alegres e vaidosos, mas são
desprendidos, leves, ágeis e elegantes. Costumam ter grandes e belos olhos e um
corpo flexível e ágil. Sua dança é graciosa e consiste de movimentos
ondulatórios alternados fazendo a ligação entre a Terra e o céu, ora apontando
para baixo ora para cima. Nas mãos, este orixá carrega uma cobra de ferro; na
vestimenta, um arco-íris: suas vestes têm todas as cores. É cultuado nos rios e
cachoeiras e suas comidas são: feijão com milho, azeite de oliva e dendê; camarão
cozido com cebola. Os animais consagrados a Oxumaré são o bode e o galo. Seu
domínio é o arco-íris, que prenuncia união entre a sobrevivência e a
transcendência. Seu dia é terça-feira. No sincretismo é São Bartolomeu. Sua
saudação é: Arrô Boboi.
Ossain, o Senhor das Folhas
Ossain é o orixá que rege a energia das florestas, o
poder das folhas em geral e especialmente as plantas medicinais e litúrgicas. É
a divindade sem a qual não pode existir nenhuma cerimônia, porque é detentor de
um axé (poder) imprescindível, do qual dependem inclusive os outros deuses.
Esse axé é o poder mágico que está adormecido nas folhas e plantas e as
palavras sagradas (ofó), ditas pelo babalaô ou yalorixá despertam os princípios
ativos intrínsecos a cada uma delas, e quem permite que a energia de cada um
desses princípios seja liberada é Ossain.
As plantas e folhas são colhidas pelos sacerdotes e
sacerdotisas com extremo cuidado e respeito. As plantas devem ser colhidas na
floresta onde elas nascem naturalmente, não servem as cultivadas em jardins. Ossain
vive nas florestas virgens em companhia de Aroni, uma espécie de duende de uma
perna só, que como o nosso lendário saci pererê, pula e fuma constantemente
suas folhas prediletas em um cachimbo feito de concha de caracol.
Quando os curandeiros e sacerdotes vão colher as
folhas curativas e litúrgicas devem antes banhar-se com ervas purificadoras e
evitar relações sexuais no dia anterior à colheita. As relações sexuais devem
ser evitadas porque no seu campo áurico não pode vibrar nenhuma energia alheia;
a conexão ficaria prejudicada. Durante a colheita não devem falar e quando
chegam no lugar onde estão as folhas, devem deixar uma moeda no chão como
oferenda de gratidão.
Este orixá é originário da Nigéria, perto da
fronteira com o Daomé. Somente os babalaôs e yalorixás podem manipular o poder
das plantas de Ossain, que somente permite que as plantas emanem seu axé
mediante saudação ritualística conhecida somente pelos sacerdotes. Entre os
iorubás isso demonstra a supremacia dos babalaôs e yalorixas sobre os
curandeiros e os demais membros da comunidade.
No Brasil é um orixá mais cultuado entre os
iniciados e pouco conhecido do grande público.
O
mito
Uma lenda de Ifá narra que Ossain
tem como auxiliar um pássaro muito poderoso que voando por toda parte lhe traz
informações sobre tudo que se passa no mundo. Ele é representado com esse
pássaro descansando em cima de sua cabeça. As mulheres conhecedoras da magia
das folhas são chamadas “proprietárias do poder do pássaro”.
Ossain recebeu de Olodumare o
segredo e o poder das folhas e era muito zeloso delas, queria esse poder
somente para ele e se recusava terminantemente a repartir com os outros orixás.
Um dia, aborrecido com essa exclusividade, Xangô disse a Iansã, sua mulher, que
isso não era justo e que Ossain deveria compartilhar seu axé com os demais
orixás. Iansã, que não podia ver Xangô insatisfeito resolveu tomar uma providência.
A deusa começou a agitar violentamente suas saias e obedecendo ao comando da
Senhora dos Ventos, um vento começou a soprar violentamente. O segredo da magia
das plantas ficava numa cabaça pendurada num galho de árvore e Ossain cuidava
dela com muito afinco. Mas nada resiste ao vento e a cabaça caiu no chão e se
quebrou. Ossain correu para ver o que tinha acontecido e vendo a cabaça em
pedaços gritou: “Ewé O! Ewé O!” (Oh! Folhas! Oh! Folhas!), mas já era tarde,
pois elas tinham se espalhado e os demais deuses escolheram aquelas que queriam
para si e as levaram. Portanto, graças a Iansã cada orixá tem suas folhas
sagradas. Mesmo assim, despertar o axé contido nelas é prerrogativa de Ossain.
Arquétipo
Os filhos de Ossain são ágeis, descontraídos, possuem
caráter firme e têm domínio sobre suas emoções. São leves e soltos e possuem
mente aberta para inovações. São abertos para o desconhecido e o inesperado e avessos
a julgamentos morais sobre as pessoas. Perseguem seus objetivos com
perseverança, estando atentos para os sinais que a vida apresenta. Seus adeptos
quando incorporados usam roupas verdes e brancas, um turbante na cabeça e
enfeitam o pescoço e braços com colares e braceletes feitos de contas também verdes
e brancas. Trazem nas mãos um pássaro de ferro em alusão ao seu mensageiro
mágico. Sua dança tem coreografia variada feita de passos rápidos e saltitantes
num ritmo sincopado e ligeiro. O seu dia é sábado e os animais que lhe são
consagrados são bodes, galos e pombos. Sua saudação mântrica é: “Ewê Ô”!
Oxossi, o deus
provedor da caça e da
agricultura
Oxossi é o orixá provedor, ao
mesmo tempo protetor do caçador e da caça, isto porque ele é o responsável pelo
abastecimento e pelo equilíbrio da natureza. Ele provê também as boas safras na
agricultura protegendo a lavoura contra pragas, porque é guardião e o obtentor
de alimentos de maneira geral. Na África sua maior importância é de ordem
material. Ele garante a sobrevivência, é o orixá que orienta onde encontrar o
terreno propício para se formar uma nova roça, e uma nova aldeia. É Oxossi quem
define metas e objetivos para uma comunidade ser próspera e pacífica. Provê também
a saúde como senhor dos mistérios da cura, porque é conhecedor dos segredos das
raízes e infusões terapêuticas.
Odé quer dizer “caçador” em
iorubá, e Oxossi Odé também atua como mantenedor da ordem e administrador das
comunidades onde reina. Sua ação espiritual nos devotos é de eliminar os
defeitos e maus hábitos e despertar as qualidades e talentos naturais.
Interessante notar que o culto
a Oxossi na África de hoje é muito pouco difundido, e no Brasil e em Cuba ele é
um orixá de grande importância. Em Cuba ele é chamado o “oculto” porque na
leitura do “opelê” (rosário de Ifá) ele não se manifesta explicitamente, mas irradia
seu axé como um misterioso observador das ações dos seus filhos.
Ele é o orixá diplomata, flexível
e conciliador, por isso enfrenta com facilidade o inesperado e as situações
ambíguas. Ao contrário dos seus irmãos Exu e Ogum, Oxossi é calmo, ponderado e
paciente. Ele simboliza a paciência, a atenção, a concentração, a determinação,
a objetividade e a definição de propósitos.
Quando Oxossi se apresenta e dança
no “xirê”, traz numa das mãos o arco e a flexa e na outra, um espanta-moscas
feito de rabo de leão ou cavalo (o erukerê). Essas são suas insígnias e
símbolos reais que lembram aos fiéis que Oxossi foi rei de Keto. Ele dança com
muita agilidade e graça imitando uma caçada, ora erguendo o arco e a flexa, ora
abanando o erukerê.
Este orixá é sincretizado no
Brasil como São Sebastião.
O mito
Conta o mito que Iemanjá tinha
muito carinho por seus filhos Oxossi, Ogum e Exu (como disse anteriormente, em
algumas lendas Exu é filho de Iemanjá). Exu era muito rebelde e desobediente e
saiu de casa cedo. Os outros dois eram mais dóceis e obedientes e viviam com a
mãe. Ogum trabalhava no campo e Oxossi caçava nas florestas e a família vivia
em harmonia, alegria e abundância.
Iemanjá tinha muita preocupação
quando Oxossi saía nas incursões pelas florestas, e consultou Ifá sobre o que
fazer. O portavoz de Olodumare revelou que Oxossi corria perigo e que deveria
deixar de caçar nas florestas, porque poderia encontrar Ossain, o Senhor das Folhas,
e ser vítima de um encantamento que o afastaria da mãe.
Oxossi, com uma personalidade
muito independente, desobedeceu e voltou a caçar como costumava fazer. Certo
dia, Oxossi não voltou para casa. Ele havia encontrado Ossain, que o atraíra
com seu canto mágico e dera-lhe uma beberagem feita de folhas maceradas, provocando
nele amnésia, conforme havia anunciado Ifá. Sem saber mais quem era nem onde
morava, ficou vagando na floresta.
Iemanjá, sofrendo pela ausência
do filho, pede a Ogum que vá à procura de Oxossi. Ogum, que tudo encontra,
trouxe o irmão de volta, mas os dois resolveram dizer à mãe que preferiam viver
fora de casa, ao ar livre. E desde então Oxossi vive junto de Ossain na
floresta e Ogum vaga pelos caminhos da vida. Iemanjá, de tristeza chorou tanto
que suas lágrimas formaram o rio Ogun (não confundir com o orixá).
Arquétipo
Os filhos de Oxossi apresentam no
caráter e no comportamento as qualidades do seu orixá protetor, e também são
pessoas muito atentas e alertas, flexíveis e dotadas de espírito de serviço. São
pessoas cheias de iniciativa e muito responsáveis, embora livres e leves.
Costumam ser encantadoras, joviais, alegres e criativas, além de serem dotadas
de agilidade mental e física. Os protegidos de Oxossi são refinados e possuem
muito apreço pela beleza, sendo vaidosos e sedutores. Os domínios deste orixá
são as matas, florestas e campos de plantações. Suas cores são azul claro,
branco e dourado. As comidas que lhe são oferecidas são: axoxó, feijão fradinho
torrado, inhame e feijão preto. Os animais a ele consagrados são: bode branco
ou bege, porco e galo. O dia da semana dedicado a Oxossi é a quinta-feira. Sua
saudação é: Okê, Okê Arô.
Xangô, Rei e Orixá
Xangô
é um orixá que ocupa um lugar de suma importância no panteão africano. É
respeitado pela força proveniente do discernimento, do intelecto iluminado. É o
orixá que inspira lucidez, as escolhas adequadas e o senso de justiça. Xangô é
também o orixá-símbolo da autoridade, do gerenciamento, da competência, da
coragem e da retidão.
Ele
é muito venerado na África ainda nos dias de hoje. Fora da África, o culto a
Xangô pode ser encontrado nas Antilhas, em Cuba e no Brasil.
Na
natureza Xangô tem sua expressão nos relâmpagos, raios e trovões, e o seu axé
se concentra nas pedreiras. Quando encarnado, este orixá foi rei de Oyó. Depois
de morto foi divinizado devido à grandiosidade do seu caráter.
É
importante ressaltar que dentre os iorubás o caráter dos homens e mulheres é
extremamente valorizado. Xangô é sempre invocado para arbitrar entre o bem e o
mal, o certo e o errado, pois ele garante a harmonia e a ordem social. Ele é o
símbolo da liderança a serviço do Bem.
O
mito
Xangô
era filho de um grande rei e o segundo na sucessão do trono do feudo da família.
Desde criança, demonstrava grandes qualidades de caráter e habilidades com as
armas, além de ser muito bonito e conquistador. Quando adulto, durante uma
guerra, o irmão que deveria assumir a defesa do feudo mostrou-se fraco e
relutante nas decisões, e então Xangô assumiu a liderança. O jovem príncipe,
com sua competência, criatividade, estratégia e coragem, venceu a batalha. O
povo que o adorava, depois dessa vitória exigiu que o rei fizesse de Xangô o
seu sucessor. Entronizado rei, ele empreendeu inúmeras batalhas para defender
seu reino que era invejado pela constante prosperidade e cobiçado por muitos.
Expandiu seus domínios, agregando ao reino muitos outros territórios, e foi
assim que se tornou o soberano absoluto de Oyó. Seu reino estendia-se do Benin
ao Dahomé. Para governar com ele escolheu 12 ministros entre príncipes e
lideranças de outros reinos. Na sala do trono, seis ministros se posicionavam à
direita do rei, e seis posicionavam-se à sua esquerda. Os seis da direita
mostravam um lado da questão a ser resolvida e ou outros seis o outro. Desse
modo Xangô ao centro era sempre o fiel da balança e arbitrava com justiça.
O
símbolo de Xangô é o “Oché” (um machado de duas lâminas). É um símbolo de poder
semelhante a um cetro real que indica a dualidade (a lâmina dupla) e o bastão
que as sustêm simboliza a capacidade de discernir e escolher conscientemente e
com visão ampla.
Xangô
era um homem muito bonito e sedutor e as mulheres se rendiam aos seus encantos.
Casou-se com as deusas Iansã, Oxum e Obá. O olho de Xangô “Oju Obá” é o olho
que tudo vê, semelhante ao olho de Hórus na mitologia egípcia e ao olho de Shiva
na mitologia hindu.
Arquétipo
Seus
filhos e filhas são bonitos, altivos, criativos, majestosos, seguros de si e
elegantes. São refinados e gostam do que é belo, fino, delicado e exótico. Têm
temperamento forte e não gostam de ser contrariados. Geralmente são alegres,
mas podem ser dominadores e intransigentes. Seus protegidos e yaõs abominam injustiças
e defendem sempre os mais fracos e desvalidos. São líderes natos, têm tino para
negócios e costumam ser bem sucedidos financeiramente. São excelentes oradores
e possuem enorme magnetismo pessoal. Fazem muito sucesso com o sexo oposto e
são muito sedutores, porém, nem sempre são fiéis. Fisicamente têm o porte
atlético, o rosto belo com feições bem marcadas, voz de tom agradável e mãos
expressivas. No Ilê, o local de culto, o axé de Xangô está no assentamento a
ele dedicado, onde os símbolos de seu poder, o Oché (o machado) e o Otá (uma
pedra retirada intacta de uma pedreira) estão expostos. A comida consagrada a
Xangô é o amalá de quiabos. Sua “djina” ou saudação é: Kaô Kabeci Ilê.
Ibeji, os Deuses da Alegria
Os Ibeji são divindades gêmeas.
Eles são orixás crianças, às vezes representados como um menino e uma menina.
Estes dois deuses gêmeos regem a descontração, o entusiasmo, a alegria, a
curiosidade, a leveza, a fluidez, a criatividade e a esperança.
Na natureza tudo o que brota e se
transforma é regido pelos Ibeji. Eles brincam alegres nas nascentes dos rios e
dançam soltos e livres na natureza comandando os elementos, os elementais e o
ciclo das estações do ano. Os Ibeji conferem aos homens e mulheres a capacidade
de se surpreender prazerosamente, de se deslumbrar e de ter interesse constante
por descobrir, aprender e compartilhar.
Para os iorubás casar e ter
descendência é fundamental; a esterilidade tanto masculina quanto feminina é
considerada uma punição, o abandono da pessoa pelas forças do universo. É algo
causador de um grande sofrimento pessoal, além de ser motivo de constrangimento
comunitário. Os Ibeji, para esse povo, são os orixás que garantem a renovação
da vida e simbolizam também a perpetuação da espécie e dos genes dos
ancestrais. Para um povo tribal isto é de máxima importância; os iorubás vêm
nos filhos o sentido de ter vivido e a homenagem prestada à sua linhagem. Eles
têm que ser férteis como a Mãe Terra o é, para poder considerarem-se dignos de ser
feliz e cumprir o seu papel na natureza.
Os iorubás se autodefinem como
ossos dos ossos dos seus ancestrais, e por isso ter descendência é fundamental.
No Brasil os Ibeji são sincretizados com os santos católicos Cosme e Damião. No
dia 27 de setembro, dia dedicado pela Igreja Católica a estes santos, os
adeptos do candomblé homenageiam os Ibeji ofertando bolos, doces, bombons,
balas e refrigerantes às crianças em geral. Levam doces e brinquedos para crianças nas
creches, e costumam também deixar oferendas de doces e brinquedos debaixo de árvores
frondosas nos jardins e parques públicos. Nas casas de culto os adultos se
reúnem para comemorar partilhando um prato africano feito com quiabos,
castanhas, amendoim torrado, peixe, camarão fresco e seco, regado com azeite de
dendê, e perfumado com coentro, cominho e pimenta de cheiro denominado caruru.
É muito comemorado na Bahia o Dia dos Ibeji, quando também em suas casas as
famílias formadas por adeptos ou não, servem o “caruru de dois-dois” para os
amigos. Em algumas regiões do país são servidas, para acompanhar o caruru,
postas de peixe com arroz de acaçá (um arroz cozido no leite de coco). Esta é a
comida dedicada aos orixás-criança.
Suas cores são vermelho e verde.
Os animais a eles consagrados são os frangos de leite.
Arquétipo
Os protegidos dos Ibeji são
inovadores, curiosos, alegres, e brincalhões, mas são exigentes e facilmente
irritáveis e birrentos quando contrariados. Magoam-se à toa, porém esquecem as
mágoas com facilidade sem guardar rancor.
O dia de Cosme e Damião é a festa
das crianças, e é quando a criança interna dos adeptos pode se expressar
livremente. Incorporando o seu Ibeji, o fiel se comporta e fala como uma
criança. Esta é a maneira sagrada que a psicologia iorubá encontrou para curar
mágoas, frustrações e feridas que ainda sangram no coração da criança interior
dos adeptos adoradores dos orixás.
A saudação é Ibeji! Ibeji!
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
Em todas as culturas as questões
humanas mais profundas deram origem às filosofias e às diferentes mitologias.
Os mitos são facilitadores para o entendimento de quem somos nós, o que estamos
fazendo aqui na Terra e qual é nosso papel na vida, no tempo e no espaço. Os
mitos também se referem à essência de tudo que existe, apontam os valores
éticos e espirituais e o comportamento. Estes deuses encarnam valores
estruturais e formatam a maneira como compreendemos e sentimos as coisas, a nós
mesmos, a natureza e os outros. Eles nos apresentam diferentes níveis de
realidade e descrevem não apenas fatos, mas as possibilidades mágicas latentes
em nós e em tudo que experienciamos, e por isso ampliam a nossa percepção e
compreensão do mundo. Os mitos descrevem a nossa relação com a Realidade
Absoluta, e desta com todas as demais realidades relativas. O Sagrado, sendo a
base de tudo, permeia todas as estâncias do ser humano e se revela como a
vestimenta externa da natureza, e a energia que vibra e pulsa no cosmo e na
Terra.
Como em toda mitologia, os orixás
são exteriorizações do Sagrado e do seu poder imanente e transcendente. Como
vimos através dos diversos orixás, a tradição Iorubá apresenta uma mitologia
rica e bela, que não precisa ser temida, mas sim conhecida e respeitada. A
teogonia milenar dos orixás é sofisticada e dotada de valores e de significados
profundos.
A mitologia é integradora. As
diferentes mitologias unificam as diferenças raciais, culturais e religiosas
porque se aproximam entre si, e nos reaproximam das outras culturas e da
experiência mística dos demais povos. Para nós brasileiros, é muito importante
conhecer a essência dos mitos e cultos africanos, assim como os mitos e rituais
da tradição indígena, porque eles constituem o panteão mítico que palpita no
inconsciente coletivo do povo brasileiro. Quando nos afastamos das tradições
ligadas à natureza, nos afastamos do resto da criação e excluímos por
preconceito e prepotência o conhecimento ancestral e preciosas experiências
religiosas e místicas. A exclusão sempre desrespeita e desconsidera porque
explicita nosso medo do diferente e da diversidade no mundo natural e humano.
É preciso lembrar que estamos
entrando numa nova espiral de evolução de consciência, e é chegada a hora de
superar erros e defeitos pelo exercício das qualidades e virtudes.
Desaprendemos como unificar o homem natural, o homem intelectual e o homem
espiritual. Não sabemos como reconhecer o divino em nós e no semelhante, por
isso precisamos despir as armaduras do medo, e seguir a inteligência do coração
que traduz as mensagens da nossa alma. Somos todos manifestações da natureza e
da vontade do mesmo Deus. Acolher o diferente permite autodescobertas que nos
fazem aprender e sentir a unidade na diversidade com as variadas expressões
culturais e religiosas. E desse modo abrimos espaços interiores para que o amor
divino se manifeste em nossos pensamentos, sentimentos palavras e ações.
Somente assim podemos viver plenamente o esplendor da nossa humanidade.
Alguns erros de entendimento de informações. Por exemplo: ogans não entram em tranze de possessões.
ResponderExcluirAlguns erros de entendimento de informações. Por exemplo: ogans não entram em tranze de possessões.
ResponderExcluirGratidão. Uma das postagens mais completas e bem articuladas que encontrei até agora.
ResponderExcluirConteúdo interessante, proposta positiva de disseminar o conhecimento, porém há que se tomar cuidado com alguns erros sérios de intendimento. Obatalá e diferente de Olodumare que é completamente diferente de Orumilá. E outra, não são divindades da criação, exceto Olodumare ou Olorum. Logo estão longe de serem "a mesma coisa" ou sinônimos.
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ExcluirOlá! Boa tarde. Tu poderias informar as fontes do material mencionado acima?
ResponderExcluirMuito boa esta sua explicação. Para mim foi ótima visto que estou iniciando meus estudos agora (março-2019), e foi sem dúvida a melhor explicação que encontrei "fuçando" na net. Gratidão, Axé!!!
ResponderExcluirMuito bom.
ResponderExcluirAo estudar o livro de Urântia, mais precisamente a parte que fala sobre a criação do universo, sua organização,as potências que o governa podemos fazer uma comparação com a crença iorubá. E veremos que, apesar dos nomes aos seres celestiais serem diferentes, há muita informação que coincide. Abraço.
Muito bom.
ResponderExcluirAo estudar o livro de Urântia, mais precisamente a parte que fala sobre a criação do universo, sua organização,as potências que o governa podemos fazer uma comparação com a crença iorubá. E veremos que, apesar dos nomes aos seres celestiais serem diferentes, há muita informação que coincide. Abraço.
Muito bom.
ResponderExcluirAo estudar o livro de Urântia, mais precisamente a parte que fala sobre a criação do universo, sua organização,as potências que o governa podemos fazer uma comparação com a crença iorubá. E veremos que, apesar dos nomes aos seres celestiais serem diferentes, há muita informação que coincide. Abraço.